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EUA. Trump nega mão de Putin na sua vitória eleitoral
Vladimir Putin e Donald Trump trocaram elogios durante a campanha eleitoral norte-americana

EUA. Trump nega mão de Putin na sua vitória eleitoral

Vladimir Putin e Donald Trump trocaram elogios durante a campanha eleitoral norte-americana AFP António Saraiva Lima 12/12/2016 10:39

Relatório da CIA concluiu que hackers russos tentaram ajudar Trump a vencer as eleições. Magnata fala em artimanha dos democratas

Ao longo da campanha para as eleições presidenciais norte-americanas, o então candidato pelo Partido Republicano colecionou posições controversas e proferiu comentários muitas vezes contraditórios. Até aqui, nada de novo. Só que uma das principais polémicas em que Donald Trump se envolveu, durante os meses que antecederam a sua eleição, teve que ver com a troca de elogios com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, numa altura em que o Kremlin e o Ocidente estavam (e estão) de costas voltadas, como há muito não se via.

Desde a anexação da Crimeia, passando pela intervenção da Rússia na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al--Assad, e relembrando o reforço do armamento da NATO e de Moscovo na região do Báltico, poucas parecem ser as eventuais pontes de diálogo entre a aliança EUA-Europa e Putin. Motivos que sobram, pois, para que do lado dos democratas se tenha estranhado a troca de mimos entre Trump e o presidente russo. O magnata chegou mesmo a dizer que Putin era “melhor líder” que Barack Obama.

Hackers e emails de Clinton

A desconfiança democrata ganhou contornos bastante mais graves quando começaram a surgir rumores de que hackers russos estavam a tentar interferir nas eleições nos EUA, nomeadamente através da interceção e divulgação de emails de Hillary Clinton e do seu diretor de campanha, John Podesta, junto da WikiLeaks. As acusações de conluio com Putin foram sempre negadas, de forma veemente, pela equipa de Donald Trump e por parte das autoridades russas, pelo que o tema foi deixado em lume brando.

Na passada sexta-feira, no entanto, uma nova acha foi colocada na fogueira. O jornal norte-americano “The Washington Post” revelou que a CIA divulgou um relatório secreto, junto de vários senadores dos EUA, no qual se conclui que um grupo de piratas informáticos russos acedeu aos computadores do Comité Nacional Democrata e se confirma o acesso ilegal aos emails de Podesta. O objetivo dos hackers, refere o relatório, seria “ajudar Trump a vencer” através da publicação de comunicações polémicas, envolvendo Hillary, em momentos-chave da corrida. 

A primeira reação de Donald Trump veio através de um comunicado partilhado pela sua equipa de transição, no qual ironiza sobre a credibilidade da CIA: “Estas são as mesmas pessoas que disseram que Saddam Hussein tinha armas de destruição maciça.” Mais tarde, no domingo, numa entrevista para o programa “Fox News Sunday”, o presidente eleito catalogou o relatório como “ridículo” e disse que as suspeitas de que Putin lhe deu uma ajuda são mais uma desculpa inventada pelos democratas para justificarem a derrota de Clinton.

Vitória esmagadora

“Todas as semanas há uma desculpa nova. Nós conseguimos uma vitória esmagadora no colégio eleitoral, como todos sabem”, disse Trump à Fox News. Relativamente à denúncia sobre a ocorrência de hacking russo, o presidente eleito defendeu que quem o acusa “não faz ideia se [o ataque informático] vem da Rússia, da China ou de outro lado. Pode ser alguém, sentado numa cama, num lugar qualquer”, sugeriu.

A verdade é que o relatório da CIA levou um grupo de senadores democratas e republicanos - onde se inclui o ex-candidato presidencial do GOP, John McCain - a pedir uma investigação especial sobre o assunto. “Os recentes relatórios sobre a interferência russa na nossa eleição devem alarmar todos os americanos. Democratas e republicanos têm de trabalhar em conjunto (...) para investigarem este incidente e (...) criarem soluções de defesa contra ciberataques”, pode ler-se no documento.

Pouco se sabe sobre a relação (se é que ela existe) entre Putin e Trump, para além de terem dito em público que se admiram mutuamente, e até há relatos divergentes sobre se alguma vez chegaram a encontrar-se. Mas há dois nomes que podem estar a fazer a ponte entre as duas personalidades. O primeiro é Paul Manafort, ex-diretor de campanha que foi obrigado a abandonar o cargo no final de agosto, devido a ligações suspeitas com o ex-presidente ucraniano, o pró-russo Viktor Ianukovitch, e que, aparentemente, continua a aconselhar Trump. O segundo é Carter Page, um conselheiro do magnata oriundo do setor petrolífero que até está a ser investigado pela CIA. Page tem laços estreitos com empresários e líderes políticos russos e é apontado como o pombo-correio que voa entre a Trump Tower e Moscovo.

Na primeira conversa telefónica que Putin e Trump tiveram, após a vitória do magnata, ambos referem ter concordado que o estado atual das relações entre EUA e Rússia é “muito insatisfatório”. Especialistas em relações internacionais duvidam, no entanto, que os dois países possam vir a ser aliados naturais, uma vez que, enquanto superpotências que são ou a que aspiram ser, têm interesses demasiado antagónicos, espalhados por todo o globo.

Do lado de Trump é difícil apontar a estratégia a seguir em relação a Moscovo, tendo em conta os sinais dados durante a campanha. Quanto a Putin, nunca escondeu que preferia o republicano na Casa Branca em vez de Clinton, embora sem perspetivar quaisquer alianças. Um eventual apoio declarado dos democratas à denúncia de interferência russa no desfecho final da eleição é, ainda assim, pouco provável. Cabe à CIA oferecer mais robustez à acusação. 

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