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Ana Sá Lopes 18/08/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

A dra. Assunção não é angolana, dr. Hélder

A unanimidade nacional à volta do MPLA é deliciosa. 

O Movimento Popular de Libertação de Angola começou por ser - e continua - partido-irmão do PCP. Depois, com a adesão à Internacional Socialista, tornou-se partido-irmão do PS. A aproximação do governo português ao governo de Angola desencadeia-se durante o cavaquismo, no tempo em que Durão Barroso era secretário de Estado da Cooperação e foi um dos protagonistas do famoso e malogrado acordo de paz de Bicesse. Tendo em conta que o PSD foi o partido que mais contribuiu para aproximar os dois Estados, é natural que o MPLA tenha ficado também “partido-irmão” do PSD. Sobrava o CDS para se juntar a esta já enorme irmandade. 

Cada um escolhe os partidos-irmãos que quer (e são razões muito distintas que fazem com que todos os partidos portugueses, com a exceção do Bloco de Esquerda, sejam irmãos do MPLA). Mas o deputado centrista Helder Amaral usou o mais absurdo argumento para justificar que “no CDS temos todos relações com o MPLA”. Veja-se lá: Assunção Cristas é angolana! Pessoalmente, desconhecia que a líder do CDS não era portuguesa ou teria dupla nacionalidade. Mas palpita-me que a realidade é Assunção Cristas ser, de facto, filha de colonos - não angolana. Ser angolano não é ter nascido em Luanda em 28 de setembro de 1974. Isso é ser filho de colonos - e assumir o passado colonial despojado de tretas também é uma forma de os dois países entrarem na idade adulta. 

Aqui há dias, um amigo diplomata africano falava-me da profunda irritação que os dirigentes das ex-colónias tinham quando loiros de olhos azuis se apresentavam em Luanda - ou em qualquer outra capital de um antigo país colonizado - a afirmar a sua “nacionalidade” angolana. Eu confesso que percebo perfeitamente a irritação. A conversa do ser “angolano” é uma atitude profundamente paternalista. Assunção é portuguesa, nascido pelo acaso no fim do colonialismo em Luanda e “retornada” à sua verdadeira pátria. Ponto final.

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