25/6/19
 
 
Ana Sá Lopes 11/08/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

A Madeira em chamas e Albuquerque em alucinação

Custa-me escrever isto: Alberto João Jardim dificilmente faria, numa situação desta gravidade, esta figura.

Não é normal que um presidente de governo regional venha declarar, às 16 horas de terça-feira, que a situação dos incêndios na Madeira está sob controlo para, passadas umas horas, o centro do Funchal estar transformado num cenário apocalíptico. Ou Miguel Albuquerque estava mal informado – um desastre para quem ocupa aquele cargo – ou, na ânsia de acalmar a população, subvalorizou os sinais. Ou, afinal, é completamente inexperiente, logo, incapaz de ocupar o cargo para o qual foi eleito. 

É evidente que o presidente do Governo Regional da Madeira não é responsável pelo atear dos incêndios. Mas a demora em pedir ajuda é da sua responsabilidade. Quando, a meio da tarde de terça-feira, Miguel Albuquerque fez a conferência de imprensa a agradecer as ofertas de ajuda e a recusar porque, disse, “neste momento, a região tem os meios necessários”, cometeu o primeiro gigantesco erro de avaliação – que, num político, é sempre um erro político – do seu mandato.

Como é possível que Albuquerque tenha agradecido o telefonema que recebeu da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, “disponibilizando todos os meios caso a situação se agrave”, e tenha, do alto de uma arrogância que ainda está para se entender, recusado o que o governo central ofereceu, dizendo que “a situação está perfeitamente controlada” e “relativamente consolidada”? Só uma enorme ignorância, arrogância e autossuficiência – habitualmente, as três coisas andam ligadas – permitem a Miguel Albuquerque dar aquela conferência de imprensa quando a Madeira já está às portas do inferno. 

Mais grave que um erro de avaliação é persistir no erro depois das consequências. Depois de ver a Madeira devastada, Miguel Albuquerque continua a insistir que não existiu qualquer atraso nos pedidos de ajuda para combater os incêndios. Isto vai para além do erro – é incapacidade completa e dissociação da realidade. 

Custa-me escrever isto: Alberto João Jardim dificilmente faria, numa situação desta gravidade, esta figura.

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