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Pedro Braz Teixeira 27/05/2016
Pedro Braz Teixeira

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Brexit

As negociações de saída do Reino Unido deverão ser muito demoradas e a incerteza sobre o seu resultado deverá afectar o crescimento europeu

Estamos a pouco menos de um mês do referendo que terá lugar, a 23 de Junho no Reino Unido, para decidir se este país fica ou sai da UE. As últimas sondagens agregadas, que consideram todas as sondagens realizadas, estão a dar um empate técnico, com 46% a votar pela permanência de 40% pela saída. A diferença está dentro do intervalo de erro das sondagens, ou seja, qualquer resultado ainda é possível, podendo o resultado final depender de um evento mínimo nas próximas semanas.

Existe uma correlação notável entre a idade dos eleitores e a sua posição no referendo. Aos 18 anos, apenas 23% pretendem a saída, valor que vai subindo até os 50% aos 43 anos, chegando a dois terços aos 68 anos. No entanto, dado que os mais jovens têm taxas mais elevadas de abstenção, poderão não conseguir vencer o referendo.

Se a permanência na UE vencer por uma margem mínima que é, neste momento, o cenário mais favorável que os europtimistas podem esperar, isso pode ser encarado como uma derrota a prazo. O que é irónico é que um cenário desses assustaria os parceiros europeus e poderia conduzir a uma série de concessões, que poderiam acelerar uma partida futura. Sobretudo, porque o que se passa na UE é uma deterioração crescente, com focos de tensão, desde o euro aos refugiados, que estão a colocar em causa solidariedades passadas.

Se os britânicos votarem pela saída, isso levará a negociações muito difíceis sobre a relação futura com a UE. Julgo que os analistas têm cometido o erro de colocar em cima da mesa as situações da Suíça, Noruega e outros, porque me parece evidente que a posição singularíssima do Reino Unido terá que conduzir à definição de um estatuto também ele singular. Relembremos, entre tantos outros aspectos, que este país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a quinta maior economia do mundo e a segunda maior economia europeia, tem o maior centro financeiro da Europa e é a maior potência universitária europeia.

Os negociadores da UE terão uma tarefa dificílima nas mãos. Por um lado, parece-me que, irracionalmente, haverá a tentação de ter uma atitude punitiva sobre os britânicos, por terem tido o descaramento de fazerem a crítica mais dura possível às instituições europeias, que consiste nesta vontade de sair. Por outro lado, também não quererão facilitar a tentação que possa existir noutras paragens para seguir o Reino Unido, o que aconteceria se as condições oferecidas a este fossem demasiado benévolas. Finalmente, não podem ignorar a dimensão e importância deste país.

Não tenho grande esperança que isso aconteça, mas a saída dos britânicos deveria levar a UE a perceber que o erro capital da construção europeia tem sido a obrigação de todos os países ficarem forçados a adoptar (quase) todas as normas comunitárias. O erro mais grave consistiu exactamente na criação do euro, que considero que a história virá a definir como a causa principal da desagregação da UE. Era mil vezes preferível que a UE se tivesse construído “à la carte”, em que os países só adoptavam as políticas com que voluntariamente concordassem.

 Se isso não foi feito no passado, poderia ser adoptado de agora em diante, sendo este princípio usado já na negociação com o Reino Unido.

Infelizmente, parece-me que o mais provável é que sejam acordadas condições que são prejudiciais a ambas as partes, essencialmente por culpa dos negociadores comunitários, já que os britânicos são justamente famosos pelo seu bom senso.

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