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RTP. Socialistas furiosos com explicações de Rodrigues dos Santos sobre a dívida pública
Telejornal da RTP abre nova polémica entre jornalista e o PS

RTP. Socialistas furiosos com explicações de Rodrigues dos Santos sobre a dívida pública

Telejornal da RTP abre nova polémica entre jornalista e o PS Raquel Wise Luís Claro 04/05/2016 13:32

Deputados indignados com telejornal da RTP em que o jornalista explica “como é que a dívida brutal nasceu”

A explicação de José Rodrigues dos Santos, na RTP, sobre a evolução da dívida pública portuguesa deixou os socialistas furiosos. O jornalista explicou, na abertura do telejornal da televisão pública, na segunda-feira, “como é que esta dívida brutal nasceu” e está a ser acusado de ser “um especialista em desinformação” e o autor de “uma vigarice extrema”.

Rodrigues dos Santos começou por dizer que “o problema é que, em 2005” - ano em que José Sócrates chegou ao poder com maioria absoluta -, “a dívida pública portuguesa atingiu os 96 mil milhões de euros” e “isto obrigava Portugal a travar o endividamento”. Mas “em vez de travar, Portugal fez exatamente o contrário” e “como consequência, em 2011, a dívida pública já estava nos 185 mil milhões de euros”. E continuou: “Para agravar as coisas, o Eurostat descobriu que vários países, incluindo Portugal, estavam a esconder a dívida em empresas públicas.”

O socialista José Magalhães foi o primeiro a criticar as explicações apresentadas pelo jornalista da RTP, classificando-as como “uma vigarice extrema”.

“Passá-la na RTP à hora de maior audiência é um enxovalho para o serviço público”, escreveu nas redes sociais o ex-deputado socialista, acrescentando que “a aberração Santos vomita o seu palavrório certo que não tem contradita”. José Magalhães aconselha o jornalista a trocar de lugar com o assessor do PSD.

O porta-voz do PS, João Galamba, também não fugiu à polémica e acusa o jornalista de ser “um especialista em desinformação”. O socialista explica que “o Eurostat não descobriu nenhuma dívida escondida porque as contas das empresas eram conhecidas e, sobretudo, porque a razão pela qual a dívida de algumas empresas não era reconhecida como dívida pública era exatamente por causa do Eurostat e das regras contabilísticas definidas por esta instituição, que determinam o que conta e não conta como dívida pública. Ou seja, havia dívida de empresas que não era contabilizada como dívida pública porque o Eurostat não contabilizava essa dívida como dívida pública, não porque se andasse a esconder o que quer que fosse da autoridade estatística europeia”.

Galamba diz ainda, num texto que publicou nas redes sociais, que “a única dívida escondida que houve em Portugal foi parte da dívida da Madeira”. O deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro alinha nas críticas e considera que o jornalista deu “um triste espetáculo”.

PS quer calar jornalistas O PSD acusa os socialistas de quererem “calar e domar o trabalho” dos jornalistas. “Eles é que ditam aquilo que deve ser narrado”, afirma o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim. Também o deputado do CDS Abel Baptista defendeu que é motivo de preocupação “ver que deputados e ex-deputados socialistas querem calar jornalistas que apresentam notícias factuais sobre a evolução da dívida”.

O jornalista polémico Não é a primeira vez que uma reportagem de José Rodrigues dos Santos gera polémica. No início do ano, o também escritor fez a cobertura das eleições gregas e foi bastante criticado por ter afirmado que “muitos dos gregos que passam a pé diante da casa do antigo ministro da Defesa - comprada com o dinheiro dos subornos do negócio dos submarinos - são paralíticos, ou melhor, subornaram um médico para obter uma certidão fraudulenta de deficiência que lhes permite receber mais um subsidiozinho”. O jornalista garantiu ainda que “os gregos inventam mil estratagemas para não pagar impostos”.

Rodrigues dos Santos já tinha sido notícia devido à polémica à volta dos comentários de José Sócrates na RTP. O jornalista foi acusado pelo socialista de transformar um espaço de comentário numa entrevista, mas nunca deixou de confrontar o ex-líder socialista com as “contradições ou aparentes contradições entre o que diz agora e o que disse e fez no passado”.

Durante o espaço de comentário político, os dois protagonizaram vários momentos de tensão. “Não basta papaguearmos tudo aquilo que nos dizem para fazer uma entrevista”, disse, num dos programas, José Sócrates. O jornalista respondeu-lhe: “Muito bem. Fica registado o seu insulto.”

luis.claro@ionline.pt

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