24/10/19
 
 
Ana Sá Lopes 29/04/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Lisboa. Como rebentar com o turismo de vez

Um dos movimentos mais reacionários que anda por aí é protagonizado por uma mão-cheia de lisboetas revoltados com o boom de turismo na capital. Ainda não consegui perceber bem os argumentos, confesso, e não foi por falta de tentativa. Há habitantes do centro da cidade que se queixam que abrem a porta de casa e têm turistas. Mas um dos riscos de se viver no centro da cidade é levar com pessoas à porta – estrangeiros ou não. Antes de aparecerem os turistas, já Lisboa estava cheia de lisboetas aos encontrões.

A Baixa, até há pouco tempo, era um subúrbio fantasma de noite, com prédios em degradação acelerada. O facto de lá se instalarem hotéis para acolherem o boom do turismo que dá emprego aos cidadãos (e não há muitas indústrias em Portugal com esse potencial) foi uma mudança na qualidade da cidade. Há depois a ideia, que se anda a propagar vinda de não sei onde, de que o excesso de turistas acaba com o turismo porque os turistas não gostam de ver turistas: não consta que o excesso de turistas em Londres tenha acabado com os ingleses em Trafalgar Square, a praça onde se concentram todos os estrangeiros que vão a Londres. 

Esta polémica é tão reacionária como o movimento que se gerou contra as casas dos emigrantes do Minho: a maioria dos críticos preferiam que os minhotos continuassem a viver em choças, em nome do very typical, em vez de construírem as casas que entenderam construir com o dinheiro que a custo conseguiram juntar. (Hoje, as casas dos emigrantes mais recentes são tão património minhoto como o são as casas dos emigrantes “brasileiros” do princípio do século xx.) 

Felizmente que o turismo aumentou em Lisboa que, há 25 anos, era uma cidade pobre, a cair aos bocados e de costas para o rio. Que seja a Câmara Municipal a tentar rebentar com uma das melhores coisas que aconteceram à cidade nos últimos tempos, com regulamentos absurdos que põem esplanadas a fechar à meia-noite, é de um fundamentalismo obnóxio.

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