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Ana Sá Lopes 26/04/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Os afetos e as emoções são lindas, mas têm que acabar

O primeiro discurso do 25 de Abril do novo Presidente da República teve a enorme vantagem de Marcelo dizer, com todas as letras, ao que vem. 

Para todos os embriagados com a política dos afetos (uma grande maioria dos portugueses e eu também), o Presidente veio avisar duas coisas simplicíssimas: uma coisa é a emoção (os afetos propriamente ditos) e outra coisa é o “bom senso”. Passada que foi a campanha eleitoral que o levou a Belém cavalgado nos afetos - Marcelo vendeu emoção e nenhum pronunciamento político, a não ser coisas do tipo “esquerda da direita”, etc. - chegou agora pela voz do Presidente o momento de “trocar a emoção pelo bom senso”. Não há nada de mal nisto: a emoção, indissociável da coisa humana e logicamente também da política, tem o condão de toldar o pensamento.

Ora, o que é o “bom senso”, segundo Marcelo? Pactos de regime entre PS e PSD, da saúde à segurança social. O Presidente que mostrou durante todo este tempo - na campanha, então, foi uma lua-de-mel pegada - um desvelo tão grande com a solução governo PS associado ao PCP e Bloco de Esquerda no parlamento, acha que chegou a hora de mudar de agulha. Marcelo pode tornar-se o adversário maior da “geringonça” - como, aliás, já estão a perceber o PCP e o Bloco de Esquerda - embora não necessariamente de António Costa, que tentará permanecer no governo qualquer que seja a configuração do “acordo de regime”. E aí desenganem-se os socialistas desgostosos com a solução da geringonça que veem em Marcelo um aliado para recompor um bloco central. Ainda ninguém os avisou que a agora tão falada “habilidade tática” de António Costa o poderá fazer sobreviver à queda do acordo PS-PCP-BE.

Curiosamente, no sábado, também Ramalho Eanes (um dos principais apoiantes de Sampaio da Nóvoa, o maior adversário de Marcelo nas Presidenciais) veio, numa sessão do PSD/Santarém, exaltar o potencial de um “entendimento interpartidário” para “um plano de reformas”. Viva o 25 de Novembro.

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