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Guerra às infeções. “Há hospitais sem roupa lavada diariamente”
Infecções hospitalares estão associadas a mais de 4600 mortes por ano

Guerra às infeções. “Há hospitais sem roupa lavada diariamente”

Infecções hospitalares estão associadas a mais de 4600 mortes por ano Sara Matos Marta F. Reis 20/04/2016 23:46

Direção-Geral da Saúde determinou hoje a declaração obrigatória de infeções hospitalares. Bastonário dos Médicos pede mais medidas

 

Os hospitais públicos e privados vão passar a ter de declarar todos os casos de infeções contraídas pelos doentes durante a sua passagem pelas instituições. A medida surge dias depois de ter sido proposta pelo bastonário dos médicos no programa “Prós e Contras” da RTP, esta semana dedicado às infeções hospitalares. José Manuel Silva congratula-se com a decisão mas lamenta o “voluntarismo” com que se tem lidado com o problema.

Segundo o bastonário, tem havido uma excessiva atenção sobre comportamentos de profissionais, como a prescrição de antibióticos desadequada ou falhas na lavagem das mãos e “nenhuma preocupação” com falta de verbas para controlo de infeções ou com falhas sistémicas como poucas casas de banho por utente ou falta de pessoal.

Mas os problemas não ficam por aqui. “Há hospitais sem roupa lavada diariamente”, exemplifica José Manuel Silva, optando por não discriminar as instituições por não conhecer a realidade em todas as unidades. “De que serve lavar as mãos se médicos, enfermeiros ou auxiliares têm de usar uma bata suja? Ou os profissionais têm de levar a bata para casa com o risco de estar contaminada com uma bactéria multiressistente?”

O bastonário questiona ainda a eficácia dos programas de vigilância em cuidados intensivos ou blocos cirúrgicos - no âmbito do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência aos Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde - sejam de adesão voluntária por parte dos hospitais e não obrigatórios. E defende que a sensibilização poderia melhorar, por exemplo como zaragatoas às mãos nas unidades, para que os profissionais percebessem melhor que bactérias as povoam.

Mais transparência Em comunicado, a Direção-Geral da Saúde salientou hoje que os “riscos das infeções e o preocupante fenómeno a nível mundial da resistência crescente de bactérias aos antibióticos não podem ser ignorados.” Além da declaração obrigatória, vão ser emitidas normas para que os conselhos de administração promovam a divulgação de informação aos doentes, visitantes e pessoal sobre riscos de aquisição de infeções e formas de os prevenir.

Por outro lado, os dados reportados pelos hospitais passarão a ser públicos no site da DGS e no portal da transparência do SNS, onde os doentes vão poder passar a comparar instituições.

Além de haver maior transparência, esta nova obrigação de reporte de casos - que deverá arrancar em Setembro - vai permitir determinar o número de infeções anuais nos hospitais portugueses.

Hoje não há números absolutos, apenas a indicação de que estão associadas a mais de 4600 mortes - sete vezes mais que os acidentes de viação. Estudos de prevalência em alguns serviços permitem ter uma ideia da dimensão do problema. O último data de 2012, ano em que se apurou uma prevalência de 10,5% - um em cada dez doentes contrai uma infeção. Nesse ano, Portugal tinha quase o dobro da prevalência europeia. O próximo estudo acontecerá em 2017.

José Manuel Silva está convicto de que uma melhor perceção do número de casos e mais transparência vão ditar maior pressão para procedimentos de controlo e prevenção. Mas defende desde já um reforço das auditorias, quer à implementação das medidas quer aos números a divulgar pelas unidades. O bastonário alerta ainda que o problema não está só nos hospitais. “É preciso não esquecer o vaivém de bactérias nos cuidados continuados e lares”, defende. 

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