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André Abrantes Amaral 07/04/2016
André Abrantes Amaral

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Michel Onfray

O filósofo hedonista Michel Onfray lançou há dias dois novos livros e voltou às capas das revistas francesas donde, no fundo, não saiu desde que, em 2010, publicou “Le Crépuscule d’une idole”, uma desconstrução das teses de Freud que irritou o establishment intelectual francês.

Em Portugal deveríamos dar mais atenção à obra de Onfray já que, sendo de esquerda, ele tem sido fortemente criticado pela esquerda. Porquê? Basicamente, por entender que a esquerda francesa, de Hollande a Mélenchon, passando por Valls, traiu a sua essência. E traiu devido a dois pecados capitais: por um lado, e apesar da retórica, porque se rendeu aos mercados e, por outro, porque está dominada pelo ódio.

Para Onfray, uma pessoa de esquerda não deve sentir ódio, mas amar a liberdade. No entanto, este filósofo é detestado pelos seus pares por gostar de debater com a direita (reconhecendo algum valor aos seus argumentos) e porque, como ateu de esquerda, considera dever apoiar quem entenda a religião como peça fulcral na sua vida.

Por isso, Onfray critica a esquerda que protege os homossexuais em França, mas já aceita regimes que os torturam. Critica a esquerda por combater a Igreja, mas ser tolerante com regimes que se alicerçam no radicalismo islâmico. Critica a esquerda que é contra os mercados, mas visa fazer crescer a economia com o aumento do consumo. Para Onfray, há quem se diga de esquerda e use os fracos para se afirmar politicamente. Lá como cá. A diferença é que, por cá, não temos nenhum Michel Onfray que os denuncie.

Escreve à quinta-feira

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