6/4/20
 
 
António Ribeiro Ferreira 21/03/2016
António Ribeiro Ferreira
Opiniao

antonio.ferreira@newsplex.pt

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

O que se passa no Brasil e na Venezuela é um atentado a todos os valores democráticos. Não são apenas repúblicas das bananas, são repúblicas de bandidos capazes de tudo para se manterem no poder. Acontece que Lula, Dilma e Maduro têm em Portugal amigos do peito, amigos para sempre. Do PS ao Bloco, passando pelo PCP

A esquerda faz questão de ter o monopólio dos bons costumes, das boas ideias, da ética republicana, da defesa dos mais desfavorecidos, da cultura e de todos os valores democráticos. A liberdade, igualdade e fraternidade herdadas da Revolução Francesa são propriedade da esquerda e quem entra por esses caminhos vindo da direita ou mesmo do centro-direita arrisca-se a ser queimado no pelourinho dos santos inquisidores.

Quando algo acontece que os desmascara, inventam golpes, manobras reacionárias, conspirações de direita, jogos do grande capital financeiro para destruir as conquistas dos trabalhadores e os grandes valores de esquerda. Comecemos pela Venezuela. Uma ditadura patética de esquerda, dominada por uns bandidos, transformou um país em que vivem meio milhão de portugueses numa selva de mafiosos agarrados ao poder. É sintomático o silêncio da chamada inteligência de esquerda, que inunda a comunicação social portuguesa, sobre o bandido Maduro, as prisões arbitrárias, a repressão e a miséria que atingem uma larga maioria da população. O silêncio é, aliás, o primeiro sinal de que algo vai muito mal nos santuários dos Torquemadas de esquerda.

No Brasil dos corruptos do Partido Trabalhista, o escândalo é tão grande que a esquerda lusitana, do PS ao Bloco de Esquerda, passando pelo PCP, teve de sair da toca em defesa das Dilmas e dos Lulas que transformaram aquele grande país numa república de bandidos. No meio de golpes e conspirações, a esquerda lusitana lança para o debate a fumaça dos 30 milhões de brasileiros que as políticas dos corruptos fizeram sair da pobreza. Como agora se vê, o governo de Lula e companhia, para além de roubar, encheu os bolsos dos pobres com dinheiro que não tinha para comprar os votos necessários e suficientes para manter o poder e o natural acesso aos muitos potes do Estado brasileiro. Basicamente, foi como oferecer um cruzeiro de luxo a um grupo de náufragos para os deitar ao mar logo a seguir. Os anos de Lula no poder serviram essencialmente para o PT assaltar o Estado brasileiro como os bandidos assaltam uma carrinha de transporte de valores.

Com a devida vénia, vale a pena citar Francisco José Viegas sobre esse glorioso período da política brasileira: “Na década passada, o Planalto albergava a maior rede de tráfico de influências e de dinheiro público e privado de que há memória no Brasil – o Estado tinha passado a ser propriedade do PT, da sua mediocridade e dos seus ditadores.” Foi este o milagre de Lula tão glorificado pela esquerda, foi este o milagre de um homem que, não por acaso, a exemplo do venezuelano Hugo Chávez, se transformou num dos grandes amigos do socialista José Sócrates, também ele uma vítima do poder judicial e da direita reacionária. Agora, quando o Brasil é uma república de bandidos do PT liderados por Lula e Dilma, os socialistas saltam em defesa do homem que vai para ministro para fugir da prisão, voltam à tática da vitimização, atiram para debaixo do tapete a corrupção e lançam as fumaças da conspiração de direita.

Um discurso patético de quem chegou ao poder em Portugal depois de perder as eleições, está a assaltar o aparelho do Estado e a transformar a escola pública numa escola laxista e de maus costumes, que prepara milhares e milhares de jovens para o desemprego e a emigração. Importa aqui e agora registar o que dizem bloquistas e comunistas sobre os bandidos brasileiros, para memória futura. É que, com esta gente, nunca se sabe o que pode acontecer amanhã, com as suas práticas censórias e inquisitoriais. Diz o querido Bloco das engraçadinhas Catarinas, Mortáguas e Marisas: “Apoiadas nos sucessivos escândalos, a direita e a extrema-direita brasileiras desencadeiam agora um golpe de Estado no estilo do século xxi, articulado a partir do sistema judicial e alguns grandes empórios financeiros. ” Dizem os comunistas do simpático Jerónimo de Sousa: “Os setores mais retrógrados e antidemocráticos do Brasil tentam tirar partido de reais problemas e de profundas contradições na sociedade para promoverem uma intensa operação de desestabilização e de cariz golpista, procurando alcançar o que não conseguiram nas últimas eleições presidenciais.”

E do outro lado do Atlântico vem outro apelo de um bandido, desta vez do Maduro venezuelano: “Levantemos a voz da solidariedade mundial com Dilma e Lula perante o golpe mediático-judicial no Brasil.” O ditador da Venezuela considera ainda que se trata de “uma ofensiva imperial que pretende acabar com as forças progressivas e revolucionárias. Que o movimento popular e democrático da nossa América se levante para enfrentar o golpe no Brasil. É tempo de luta”. Como se vê, estão bem uns para os outros. O verniz democrático estalou e agora os Lulas, as Dilmas, os Maduros, os Sócrates, os Jerónimos e as Catarinas estão unidos na defesa da corrupção e da bandidagem. Com mais ou menos maquilhagem democrática, mais ou menos fatos de treino com as cores das repúblicas, a esquerda, europeia ou da América Latina, usa os pobres para chegar ao poder, enriquece à custa dos pobres e precisa que os pobres continuem pobres para se manter no poder.

Tudo o resto é conversa fiada de uns Torquemadas de pacotilha que tentam impor um pensamento único e montam campanhas contra quem ousa dizer que o rei vai nu em matéria de liberdades, de fraternidades e de igualdades. Para esta esquerda arrogante e inquisitória, a democracia é apenas um meio para chegar ao poder e impor aos cidadãos, a troco de vários pratos de lentilhas, os seus dogmas, os seus muros, as suas ideologias, os seus modelos económicos de miséria, os seus ódios e as suas frustrações por ter falhado sempre e ser responsável pela morte de milhões de pessoas que tiveram a fatalidade de viver sob o seu domínio.

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