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Agora. Quando os jovens tomam a internet nas mãos
Os dois fundadores do Agora Pensamos Juntos quiseram ser fotografados no local onde nasceu a ideia, a Faculdade de Direito de Lisboa

Agora. Quando os jovens tomam a internet nas mãos

Os dois fundadores do Agora Pensamos Juntos quiseram ser fotografados no local onde nasceu a ideia, a Faculdade de Direito de Lisboa Diana Tinoco Nuno Ramos de Almeida 18/01/2016 22:12

Um conjunto de jovens, maioritariamente de Lisboa, decidiu que a internet não devia fazer deles espetadores só com o like na mão, mas intervenientes no seu próprio destino. Criaram o Agora Pensamos Juntos

Francisco Reis vinha no metro, no dia depois das eleições legislativas. Começou a pensar na razão por que tantos jovens se abstinham e se divorciavam da possibilidade de terem uma participação ativa na definição do seu futuro. Chegou à Faculdade de Direito de Lisboa e começou a conversar sobre o assunto com o seu amigo Manuel Gonçalves. Um dia depois surgiu a ideia de fazerem um site de opinião e informação que levasse os jovens a tomarem a palavra e a pensarem o que poderiam fazer para mudar o que está mal. Surgiu assim o site Agora Pensamos Juntos e a página no Facebook. Neste momento são 25 jovens envolvidos. Têm desde o presidente da Juventude Popular até a um deputado do Bloco de Esquerda. O texto de apresentação reza o seguinte: “Somos um espaço de opinião jovem que procura impulsionar um pensamento conjunto. Um pensamento aberto, enérgico e descomprometido. Trazer uma dose de novidade, vitalidade e independência no debate público, sendo o único pressuposto o debate em si. Questionar, pensar, fazer pensar. Transformar a geração passiva na geração ativa. Acordar uma geração presa ao conformismo e desinteressada de tudo o que a rodeia.

É esta a nossa luta, é esta a nossa missão. Poderão dizer-nos que não conseguimos, mas nunca poderão dizer que não tentámos. E o seu contributo é essencial para que possamos começar esta viagem, juntos.”

Manuel Gonçalves sublinha que há uma descrença e um divórcio entre os jovens e a classe política. Os amigos do Manuel, depois de verem que nas eleições tinha acontecido uma coisa que não esperavam - a criação de um governo do PS com apoio dos partidos à sua esquerda -, sentiram que, se calhar, deviam ter sido mais interventivos nas eleições. Este seu posicionamento político não pretende condicionar o site que criaram. À pergunta provocatória do jornalista, se não achavam “que havia excesso de betos no site”, Francisco sorri e diz: “É natural que inicialmente tenhamos envolvido mais os nossos amigos, mas a intenção foi pôr pessoas a pensar de uma forma plural e a discutir e tomar consciência do papel das novas gerações na determinação do seu futuro”, diz.

Manuel Gonçalves coloca a fasquia bem alto: “Sabemos que, neste momento, isto é um blogue melhorado, mas nós queremos fazer disto um jornal de opinião. A ideia é promover debates e levar esta tomada de consciência para casa, de forma que isso tenha efeito lá fora.”

Neste momento são quase 4 mil no Facebook e 25 jovens envolvidos. No seu texto no Agora, defende Manuel Gonçalves: “Tomar uma posição, defender um ponto de vista, lutar por aquilo que acreditamos ser o melhor para o nosso país e não para nós próprios, participar na vida política são obrigações que todos devíamos partilhar, independentemente do nosso quadrante político, social ou religioso. É uma obrigação da nossa geração.”

É um caminho que só os próprios podem trilhar. A participação é o primeiro passo. Francisco e Manuel deram-no.

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