19/11/19
 
 
Ana Sá Lopes 18/01/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Direita pragmática, esquerda à moda antiga

Marcelo pode estar a fazer o papel de candidato “da esquerda da direita”, mimar António Costa e distanciar-se do seu partido e da direita no seu conjunto, que a direita não se ofende. Passos Coelho veio este fim de semana apelar ao voto em Marcelo.

O candidato pode dar-se ao luxo de dizer “não vi, mas depois contaram-me” que o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro garante que o partido não está zangado com o ex-líder.

O PSD deixa que Marcelo faça o seu papel de “candidato independente” sem perder de vista o essencial: cabe ao partido conseguir a vitória de Marcelo. É o pragmatismo da direita - que conduziu à desistência da corrida presidencial de Pedro Santana Lopes e de Rui Rio - o responsável pelo facto de Marcelo ser neste momento o mais-que-certo-futuro-Presidente-da-República.

Em contraposição, a falta de pragmatismo da esquerda é histórica. A eleição de Jorge Sampaio em 1996 foi um dos poucos exemplos em que esse pragmatismo se verificou - quando o PS guterrista a contragosto apoiou Sampaio e o candidato do PCP, Jerónimo de Sousa, desistiu antes da ida às urnas.

Nestas presidenciais, a esquerda repete o erro que permitiu a fácil eleição de Cavaco Silva à primeira volta em 2006. Aparentemente, todo o “pragmatismo” foi guardado para a criação de um governo PS apoiado pelo Bloco de Esquerda e PCP. As guerras intestinas dentro do Partido Socialista levaram o partido a “distribuir-se” entre dois candidatos da sua área, desaparecendo enquanto partido das presidenciais. A ideia de que a não-desistência facilita a captura de votos dos respectivos eleitorados é uma falácia quando está pela frente um candidato como Marcelo Rebelo de Sousa que entra em todos os eleitorados. O que estamos a assistir no eleitorado de centro-esquerda é uma luta fratricida entre Nóvoa e Belém que chega a ser deprimente. Talvez a esquerda se arrependa disto - ou se calhar Marcelo será tão bom Presidente que o falhanço da esquerda não ficará para a história.

ana.lopes@ionline.pt

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