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Crédito à habitação. Prestação vai continuar a descer este ano

Crédito à habitação. Prestação vai continuar a descer este ano

Ricardo Castelo Sónia Peres Pinto 04/01/2016 15:16

Taxas Euribor a três e a seis meses vão manter tendência negativa e os bancos são obrigados a refletir essa queda na prestação mensal.

As prestações da casa vão continuar a descer em 2016. Tal como aconteceu, no ano passado, as taxas Euribor a três e a seis meses deverão manter-se negativas. Esta tendência acaba por ser positiva para os detentores de empréstimos porque conseguem reduzir mais rapidamente o montante de capital em dívida.

Isto significa que, os bancos vão continuar a suportar uma parte dos juros na quase totalidade dos contratos, uma vez que terão de descontar os valores negativos das taxas Euribor a três e seis meses nos spreads ou margem comercial do banco.

Spreads mais variados O aumento da procura de crédito à habitação por parte de portugueses e a recuperação económica têm levado os bancos a baixarem os spreads. De acordo com um estudo feito pelo ComparaJá.pt, os spreads aplicados na compra de casa variam entre 1,5% e 5,80%, consoante a instituição financeira. Uma diferença de quase 300% entre o spread mais baixo e o mais alto.

De acordo com a ronda feita por esta plataforma, que compara produtos financeiros, o spread mais baixo está a ser aplicado pelo Santander (de 1,5%), mas é uma oferta exclusiva para clientes Select. Para isso é necessário ter uma conta com entradas mensais iguais ou superiores a 2500 euros – a domiciliação de ordenado não é obrigatória – ou ter um património superior a 75 mil euros, ou manter recursos financeiros de pelo menos 50 mil euros. Este produto está indexado à Euribor a 12 meses. Já o mais alto (5,80%) é aplicado pelo Novo Banco.

No entanto, o mesmo estudo revela que já há vários bancos a oferecer spreads de 1,7% e 1,75%, todos indexados à Euribor a seis meses (que passou para negativo este mês, situando-se nos 0,02% negativos). Por isso mesmo, o director-geral da plataforma, Sérgio Pereira, aconselha os clientes a verificarem e a estudarem sempre a melhor opção para elas. A explicação é simples. De acordo com o responsável, “um spread um pouco mais alto pode ser mais atractivo se o indexante for de um prazo inferior e se as comissões de abertura, avaliação e processamento da prestação mensal forem mais atractivas”.

Taxas fixas O estudo diz ainda que, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, nem todos os bancos oferecem taxa fixa para os anos pretendidos no empréstimo. De acordo com o mesmo, a União de Crédito Imobiliário (UCI) oferece actualmente as melhores condições para crédito com esta modalidade, mas está apenas disponível a 30 anos. Já dos vários bancos analisados, existem quatro em particular (Millennium BCP, Novo Banco, Santander Totta e Crédito Agrícola) que disponibilizam a taxa fixa para um período mais reduzido, que geralmente ronda os cinco anos. Isto significa que, ao fim deste período a taxa a cobrar passa a ser variável, indexada ao Euribor. “Um crédito à habitação com taxa fixa poderá ser atractivo para alguns consumidores, pois têm a certeza que as suas prestações não se alterarão, mas em geral terão de aceitar pagar uma taxa de juro mais elevada, pois o possível aumento dos juros no mercado passará a ser um risco do banco”, diz.

Já em relação à percentagem de financiamento disponível, a grande maioria das instituições financeiras empresta até 80% do valor de avaliação do imóvel, ficando os outros 20% ao encargo do futuro proprietário. A única excepção é a União de Crédito Imobiliário, que empresta até 100% do valor de compra do imóvel. “As instituições de crédito estão também lentamente a abrir a torneira do crédito, o que é claramente um sinal positivo para a economia e as famílias portuguesas”, salienta Sérgio Pereira.

Apesar de alguns constrangimentos, que continuam a existir, o responsável acredita que estão proporcionadas boas condições para a aquisição de imóvel em Portugal. “As taxas Euribor continuam a cair (estando já negativos para três e seis meses), os spreads continuam a baixar, a situação económica apresenta sinais de recuperação e os preços dos imóveis mantêm-se bastante atractivos em comparação com outras cidades europeias”, conclui.

sonia.pinto@sionline.pt

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