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Morreu João Teotónio Pereira. O chefe de gabinete de Paulo Portas não resistiu a um ataque cardíaco

Morreu João Teotónio Pereira. O chefe de gabinete de Paulo Portas não resistiu a um ataque cardíaco

18/01/2012 03:00

João Teotónio Pereira, chefe de gabinete do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, faleceu na madrugada de ontem, com 51 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Um homem dedicado ao trabalho “com afinco e empenhamento”, capaz de “gestos de solidariedade”, lembra, no blogue pessoal “duas ou três coisas”, o embaixador de Portugal em Paris, Francisco Seixas da Costa, que teve com João Teotónio Pereira um “excelente relacionamento, marcado pelo respeito e pela amizade”. O chefe de gabinete de Portas era reconhecido pela paixão com que se entregava às tarefas que assumia. Talvez em demasia. O embaixador Seixas da Costa recorda que o diplomata de carreira andava cansado. “Desde há meses, sentia o João cada vez mais cansado na voz, talvez stressado pelo ritmo intenso de um trabalho a que se dedicava com afinco e empenhamento”, acrescenta Seixas da Costa. Teotónio Pereira exercia o cargo no MNE, a chefiar o gabinete do ministro, há pouco mais de seis meses. Teotónio Pereira já estava à espera do trabalho. João Pinheiro de Almeida, jornalista, colega de Teotónio Pereira na Renascença, conta ao i o episódio da nomeação. “Quando o felicitei, respondeu-me: João, isto vai ser uma canseira”.

A ligação à política vem de família. “Na nossa família crescemos todos no espírito de dedicação ao país. A causa política tem sido a espinha dorsal da família Teotónio Pereira, com uma ligação à democracia cristã que remonta aos anos vinte”, conta ao i um dos irmãos, André Teotónio Pereira.

Licenciado em História, João Teotónio Pereira iniciou a vida profissional como jornalista e editor na Rádio Renascença. Mais tarde, em 1988, ingressou na carreira diplomática, servindo nas missões de Portugal em Roma e Belgrado.

A carreira de mais de 20 anos nos negócios estrangeiros estava apenas a começar. Primeiro, durante o consulado do ministro da Defesa Rui Pena, do governo de António Guterres (1999), foi adjunto diplomático, cargo que voltou a ocupar nos governos de coligação PSD/CDS, de Durão Barroso e Santana Lopes (2002-2005). Seguiu-se um período de cinco anos como cônsul-geral em Paris, findo o qual regressou a Lisboa para ocupar o cargo de subdirector da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas. Cerca de um ano depois, foi nomeado chefe de gabinete de Paulo Portas, no novo governo PSD/CDS.

Numa entrevista enquanto cônsul-geral de Portugal em Paris, Teotónio Pereira afirmava-se empenhado no “desenvolvimento da participação cívica e politica dos portugueses ou luso-descendentes em Portugal e em França”. Este empenho e entrega marcavam tudo o que fazia, como testemunha Seixas da Costa: “O João era um homem intenso, preocupado com tudo, diligente ao pormenor, de uma lealdade à prova de bala em relação ao seu e nosso ministro”. O embaixador recorda ainda a “alegria natural” de João Teotónio Pereira, “que promovia a relação pessoal e abria, com facilidade, a porta à amizade”.

João Teotónio Pereira era casado e tinha dois filhos. Era o mais velho dos nove filhos de João de Bettencourt Teotónio Pereira e Alice de Azevedo Gomes de Bettencourt. Uma família provada em tragédias. O irmão mais novo, Carlos Teotónio Pereira, morreu em 2002, no dia 15 de Novembro, com apenas 23 anos, quando a viatura onde se encontrava caiu ao Tejo na Doca de Santa Apolónia. Era assessor da então ministra da Justiça Celeste Cardona.

Inês Teotónio Pereira, uma das irmãs de João, é hoje deputada da Assembleia da República eleita pelo CDS. O avô, Luís Teotónio Pereira, era irmão de Pedro Teotónio Pereira, que foi um dos mais estreitos colaboradores de Salazar e um dos seus mais brilhantes embaixadores, visto como possível sucessor por alguns sectores do Estado Novo.

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