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Merkel foi à Turquia pedir ajuda de Erdogan para conter fluxo de refugiados
Presidente turco Recep Erdogan com a chanceler alemã Angela Merkel na Turquia

Merkel foi à Turquia pedir ajuda de Erdogan para conter fluxo de refugiados

Presidente turco Recep Erdogan com a chanceler alemã Angela Merkel na Turquia Tolga Bozoglu/AP Diogo Vaz Pinto 19/10/2015 15:41

Executivo turco faz depender o pacto de cooperação de um descongelamento do processo de integração da Turquia na UE.

A chanceler alemã, Angela Merkel, viajou até Istambul para avançar com o proposto pacto da União Europeia com a Turquia. A cooperação visa conter o fluxo de refugiados que têm chegado ao continente a partir do Médio Oriente.

Merkel reuniu-se no início da tarde de ontem com o chefe do executivo turco, Ahmed Davutoglu, a que se seguiu, horas depois, um encontro com Recep Tayyip Erdogan, o presidente e o homem que tem a última palavra sobre o eventual acordo que pode desenhar uma estratégia que permita controlar a crise dos refugiados. Ancara espera obter três concessões de Bruxelas em troca da sua cooperação.

Na conferência de imprensa a seguir à reunião com a líder alemã, o primeiro-ministro turco disse que “o objectivo é aprovar em 2016 o acordo de readmissão”, mediante o qual os turcos irão obter finalmente o direito de livre circulação entre as fronteiras da UE. Em troca, o país compromete-se a receber os refugiados que chegaram à Europa procedentes do seu território.

A segunda exigência turca é a garantia de agilização do processo de integração do país na UE. Recentemente, Merkel reviu a sua posição quanto a este cenário, depois de durante anos os sucessivos governos por si liderados terem frustrado as aspirações turcas de adesão ao clube dos 28, um processo que começou a ser negociado em 2005. “A nossa esperança é que se reactivem as relações congeladas entre a Turquia e a UE”, sublinhou Davutoglu.

Além de uma garantia firme de que, desta vez, a integração passa de uma miragem para um quadro temporal certo, a Turquia quer que a UE contribua com pelo menos 3 mil milhões de euros para as despesas que o país tem suportado no sentido de dispor de efectivos para conter as cerca de 5 mil pessoas que diariamente chegam à Europa.

A obrigação da UE de “partilhar o fardo financeiro” foi destacada na sexta-feira passada pelo ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Feridun Sinirlioglu, classificando como “inaceitável” o envelope financeiro que a UE propôs inicialmente, e que terá ficado seis vezes abaixo do valor que definiu como adequado. Sinirlioglu falou nos 3 mil milhões de euros e só num primeiro ano. Erdogan anunciara já que, desde que o conflito na Síria eclodiu, em 2011, os cofres turcos suportaram já 8 mil milhões de euros em despesas com os refugiados.

A Turquia é, de longe, o país que se mostrou mais generoso com os refugiados sírios, tendo destinado 7,5 milhões de euros para construir 22 centros de acolhimento com serviços básicos que vão da saúde à educação. Ao todo, o país recebeu 2,2 milhões de refugiados, o que levou a uma situação de falta de meios, contribuindo para que nos últimos meses muitos dos refugiados que pediam asilo na Turquia tenham prosseguido caminho em direcção à UE.

Sendo o país por onde passa a maior parte das pessoas que pretendem chegar à Europa, a colaboração das autoridades turcas é essencial para a resolução da crise nas fronteiras da UE. Convém também notar que Erdogan tem sabido jogar as suas cartas e aproveitou esta emergência humana para recolocar em marcha a liberalização dos vistos para que os cidadãos turcos se desloquem no espaço Schengen e a reactivação do processo de integração na UE. Merkel já reconheceu que uma solução terá de passar por uma “colaboração próxima com a Turquia”, mas uma fonte diplomática em Bruxelas lembrou que a mera proposta de abertura das fronteiras aos cidadãos turcos “provoca suores frios” em alguns países. 

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