31/01/2023
 
 

As facadas de António Costa

António Costa ficará no meio da ponte sem um acordo à esquerda ou à direita.

© Jose Fernandes

Muito já aqui escrevi sobre António Costa, sobre o político e sobre o homem. Tenho tido até agora a razão do meu lado. Costa iria perder, o PCP seria figura central deste processo, o PS iria entrar em convulsão após as eleições legislativas e afirmo hoje, tal como aqui escrevi há quatro meses atrás, que Francisco Assis será forçosamente o próximo líder do PS.

Tudo isto para dizer que António Costa em nada me surpreende nestas suas atitudes.

Costa, só sobreviverá politicamente se for poder. Ele sabe isso melhor do que ninguém.

Mas ao contrário do que diz, Costa não é desprendido da política, depende dela. Sempre dependeu dela. Optou por fazer da política profissão e não tem mais nenhuma alternativa.

A sobrevivência do homem, põe em causa a sobrevivência do partido que dirige.

O passado do Dr. António Costa é um passado cheio de golpes políticos. Veja-se como conquistou o poder dentro do seu PS. A liderança de António José Seguro foi posta em causa por Costa após duas vitórias eleitorais do PS, nas Autárquicas e nas Legislativas. Costa espetou assim a primeira das facas nas costas de Seguro com este mesmo fundamento, as vitórias, apesar de serem vitórias, sabiam a pouco.

Pouco tempo depois, e contra muitas das coisas que prometera na campanha interna do PS, chamou um conjunto de Economistas (a maioria deles fora do PS), para lhe fazer um programa de Governo, uma visão sobre a Economia deste País. Deste trabalho, surgiram medidas concretas para o seu programa de Governo. Deu assim, mais outra facada na militância Socialista, passando um atestado de incompetência aos quadros do seu partido e contratando em regime de outsourcing um grupo de 12 magníficos economistas que quis apresentar à sociedade.

A terceira facada, deu-se agora muito recentemente. Em vez de se socorrer do seu Secretariado Nacional do PS, órgão eleito e proposto por si no Congresso do seu Partido, resolveu constituir uma Comissão encarrega de fazer as negociações de Governo com os diversos partidos representados na Assembleia da República.

António Costa, mais uma vez ignorou os órgãos do seu partido, porque sabe bem, que o seu Secretariado Nacional não lhe permitira a loucura das últimas semanas.

A última facada que deu, ou que se prepara para dar, é na democracia em Portugal.

Costa perdeu as eleições com uma desvantagem de mais de 6% sobre a coligação PSD/CDS, a coligação ficou a 9 Deputados (em 230) da maioria absoluta, e, apesar disso, entende o Dr. Costa que ganhou um ato eleitoral.

Acha o Dr. António Costa que tem a legitimidade democrática de Governar o País, apesar de ter perdido um último ato eleitoral.

Para ele a democracia é assim, quem ganha deve perder, quem perde deve ganhar.

Faz lembrar o eterno PCP, que tem o dom de transformar as derrotas em vitórias. Alguém se lembra do PCP assumir alguma derrota que seja em noites eleitorais?

Costa entra assim por um caminho muito perigoso. Introduz assim novos conceitos de vitória na democracia portuguesa.

Se concretizasse tal assalto ao poder, as pessoas só estariam certas de uma vitória eleitoral quando houvesse uma maioria absoluta, qualquer que seja a eleição.

António Costa ficará no meio da ponte sem um acordo à esquerda ou à direita.

Se a sua credibilidade era curta, depois deste episódio a sua credibilidade é nula. As pessoas que dependem da política têm este problema. Não são livres, lutam sempre pela sua sobrevivência. O partido nunca estará primeiro e o País estará sempre depois deles.

O Dr. Costa ainda não percebeu que as pessoas não confiam nele, que o seu partido não confia em quem não respeita o voto do povo, as regras democráticas e a tradição democrática neste País.

Costa, é o estripador da política em Portugal. A quantidade de facadas que já deu no sistema democrático neste último ano e as que ainda estão para vir, revelam um político perigoso, não fiável, que o País de facto deve temer.

Cabe ao PS, ao PS que ajudou e muito a consolidar a democracia em Portugal, resolver o assunto internamente e dar um novo líder, emocionalmente estável, politicamente sério, que se preocupe sobretudo com a estabilidade do País e não com a estabilidade da sua vida pessoal. O PS merece mais, Portugal também.

Deputado
Escreve à sexta-feira

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