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David Horn. “Não acredito que nenhum país chegue lá sozinho”

David Horn. “Não acredito que nenhum país chegue lá sozinho”

Ana Kotowicz 11/10/2015 17:55

É um dos directores do Consórcio Internacional do Elevador Espacial (ISCE) e há muito que o que se passa no universo faz parte dos seus interesses. Quisemos saber o que David Horn pensa sobre um passeio até Marte. 

Porque é que devemos ir a Marte? E o que nos trava? 

A tecnologia não é um travão. Podíamos fazê-lo com o que temos agora. A principal barreira é o custo e o apoio das pessoas para torná-lo uma prioridade. Não me parece que as pessoas entendam, pelo menos aqui nos EUA, o retorno fantástico que teríamos com este investimento de longo prazo.

E qual o caminho? Sem escalas? Via Lua? O elevador espacial dava jeito…
Acho que devíamos ir à Lua primeiro. Podemos aprender imenso ao colonizar um mundo próximo de casa ao mesmo tempo que iríamos enviando pessoas a Marte, em missões de ida e volta. Não nos vejo a pular a Lua, até porque encontrámos água nos seus pólos. Como entusiasta do elevador espacial, vejo uma infra-estrutura desse género para a Terra, para a Lua e para Marte. Isto tornaria a viagem entre mundos mais frequente, segura, e rentável. E permitiria cargas maiores e que muitas mais pessoas pudessem fazer essa viagem. 

A minha maior dúvida é o que fazer quando lá chegarmos. Onde é que dormimos? O que é que respiramos? Elon Musk fala em bombardear Marte… 
Bombardear Marte não será a melhor forma de aquecer o planeta. Podemos querer usar o gelo de água e o gelo seco dos pólos como recurso. Quando o homem chegar lá, vamos viver, trabalhar e dormir em cúpulas e estruturas subterrâneas. O oxigénio pode ser feito a partir de água e pedras através de electrólise. Isto é semelhante à forma como os submarinos nucleares fazem oxigénio a partir de água do mar. 

Piadas à parte, o plano de Musk  é credível. Chegará antes da NASA? 
Penso, do pouco conheço, que o plano da Space X é credível. Mas não acredito que nenhuma empresa ou país chegue lá sozinho. Terá de ser uma colaboração, como com a Estação Espacial Internacional. Haverá muitos componentes para construir (habitats, purificadores de água, geradores de oxigénio, etc.), serviços para providenciar (lançamentos para órbita, comunicação, previsão do tempo), investigação para fazer e tecnologias para melhorar. Todas estas peças virão, muito provavelmente, de diferentes empresas e países. 

Uma última pergunta sobre a nossa futura colónia. Quem irá? 
Terá pessoas de todas as esferas. No início, serão astronautas e cientistas especificamente treinados para serem os primeiros exploradores. Mas quando começarmos a criar colónias maiores, mais e mais funções serão necessárias – agricultores, operários, artistas, médicos, professores, alfaiates, programadores, pilotos, etc.

Diga-nos como imagina os marcianos. E por favor não diga micróbios… 
Nós somos os marcianos. Com o passar do tempo, as pessoas nascidas em Marte vão crescer e ser um bocadinho diferente de nós aqui na Terra: fisicamente, psicologicamente e literalmente com uma nova visão do mundo.  

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