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Afeganistão. Médicos Sem Fronteiras pedem inquérito internacional a ataque dos EUA
O bombardeamento do hospital de Kunduz, gerido pelos Médicos Sem Fronteiras, fez 22 mortos

Afeganistão. Médicos Sem Fronteiras pedem inquérito internacional a ataque dos EUA

O bombardeamento do hospital de Kunduz, gerido pelos Médicos Sem Fronteiras, fez 22 mortos JAWED KARGAR/EPA Jornal i 07/10/2015 10:04

Joanne Liu declarou não ter “confiança num inquérito militar interno”.

A presidente dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) exigiu hoje a constituição de uma comissão de inquérito internacional ao bombardeamento norte-americano ao hospital de Kunduz, no norte do Afeganistão, alegando que foi “ataque contra as Convenções de Genebra”.

“Este não foi somente um ataque ao nosso hospital, foi um ataque à Convenção de Genebra. Isto não pode ser tolerado”, disse Joanne Liu aos jornalistas, em Genebra.

Joanne Liu declarou não ter “confiança num inquérito militar interno” e exigiu a constituição de “uma comissão internacional humanitária para investigar o ocorrido”, um dispositivo previsto pela Convenção de Genebra, que estabelece as regras do direito humanitário nas guerras.

O bombardeamento do hospital de Kunduz, gerido pelos Médicos Sem Fronteiras, na madrugada de sábado, fez 22 mortos, incluindo três crianças.

A MSF assegurou que “todas as partes” em conflito conheciam as coordenadas do hospital e pediu uma investigação independente.

Na terça-feira, o general norte-americano John Campbell, chefe da missão da NATO no Afeganistão, disse que o hospital foi bombardeado “por erro”, num ataque decidido pela cadeia de comando norte-americana.

“Um hospital foi atingido por erro” num ataque de forças norte-americanas “pedido” pelos afegãos mas decidido pela “cadeia de comando norte-americana”, afirmou o general numa audição na Comissão das Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos.

“Para ser claro, a decisão de fazer um ataque aéreo era uma decisão norte-americana, tomada pela cadeia de comando norte-americana”, sublinhou.

“Um hospital foi atingido por erro. Nunca atingiríamos deliberadamente instalações médicas”, disse.

Na segunda-feira, numa conferência de imprensa em Washington, o general afirmou que o bombardeamento foi pedido pelas autoridades afegãs, o que foi criticado pela organização médica humanitária, que acusou os Estados Unidos “de tentar passar a responsabilidade para o governo afegão”.

O general explicou que as forças norte-americanas estavam a apoiar as tropas afegãs envolvidas em confrontos com os talibãs em Kunduz.

O incidente com o hospital de Kunduz ocorreu dias depois de a cidade ter sido tomada pelos talibãs, na que foi considerada a mais importante vitória dos insurgentes desde que foram afastados do poder em 2001.

O exército afegão recuperou a cidade dias mais tarde, mas os confrontos prosseguiram entre as duas partes, que controlam diferentes bairros na cidade.

Lusa

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