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Paulo Sousa. O “corcunda” vingou-se com a liderança do campeonato
A frustração de Guarin e a festa da Fiorentina

Paulo Sousa. O “corcunda” vingou-se com a liderança do campeonato

A frustração de Guarin e a festa da Fiorentina Antonio Calanni/AP Jorge Garcia 29/09/2015 16:11

Vitória por 4-1 frente ao Inter colocou a Fiorentina na liderança da Liga Italiana, algo que não acontecia desde Fevereiro de 1999.

Ainda a ida de Paulo Sousa para a Fiorentina não passava de um rumor, já os adeptos estavam a preparar uma recepção calorosa. No Artemio Franchi, a catedral da Fiorentina, era possível ler nas paredes “Sousa corcunda de merda” e “bem-vindo ao inferno”. Corcunda, do italiano gobbo, é a alcunha dada aos jogadores e adeptos da Juventus, onde Paulo Sousa jogou dois anos.

O português terá ficado menos preocupado do que todos os outros que queriam o seu bem, e acabou mesmo por assinar pela Fiorentina. Umas paredes pintadas não tinham comparação com outras experiências conturbadas da sua vida, à cabeça o Verão quente de 1993, quando trocou o Benfica pelo Sporting.

A missão em Florença era tudo menos invejável. A equipa vinha de um quarto lugar e de umas meias-finais na Liga Europa e na Taça de Itália. O antigo técnico, Vincenzo Montella, visto como um salvador pelos adeptos, saiu não pelos maus resultados, mas por divergências com a direcção, que não quis abrir os cordões à bolsa para lhe dar mais condições. Por outro lado, o currículo de Paulo Sousa não inspirava grande confiança, mesmo depois de nos dois anos anteriores ter sido campeão, por Maccabi Telavive e Basileia. Um bom trabalho, mas com pouco brilho.

Como se isso não bastasse, a Fiorentina teve defeso para esquecer, vendo partir muitas referências. Foi assim com Neto, Savic, Pizarro, Joaquín, Basanta, Mario Gómez, e ainda Salah. Destes, apenas Savic rendeu um bom dinheiro, cerca de 25 milhões de euros. Para o lugar de tanta gente, Paulo Sousa foi cirúrgico e teve como única extravagância Mario Suárez, que custou 15 milhões. Chegaram ainda Kalinic e Gilberto a baixo custo, Astori e Kuba por empréstimo, e Roncaglia voltou à casa-mãe. Mas o grande feito de Paulo Sousa, na verdade, foi transformar jogadores até aqui banais, como Badelj e Ilicic, em foras-de-série. 

Mesmo com uma equipa aparentemente fraca, a Fiorentina começou a despertar o interesse logo na pré-época, com vitórias sobre Barcelona e Chelsea. Jogos a feijões, pensaram os mais cépticos, que só voltariam a sair da toca em mais duas ocasiões. A Fiorentina arrancou o campeonato com uma vitória sobre o Milan, mas no jogo seguinte caiu com estrondo frente ao Torino (3-1). Pelo caminho perdeu na estreia da Liga Europa, contra a antiga equipa de Paulo Sousa, o Basileia.

O jogo com o Inter foi um conto de fadas, com uma vitória fora por 4-1 e uma exibição de gala. Com este resultado, os viola saltaram para a liderança, algo que não acontecia desde Fevereiro de 1999, nos tempos de Rui Costa, Edmundo e Batistuta, sob o comando de Giovanni Trapattoni. A euforia é tanta, que à pergunta “a Fiorentina vista em San Siro pode apontar para título?”, 52% dos leitores da “Gazzetta dello Sport” responderam até agora “si”.

Paulo Sousa bem tentou colocar água na fervura quando afirmou que era preciso ser realista, e que muitas outras equipas investiram bastante e com qualidade, mas de nada valeu, e ele sabe-o bem. “O futebol nos países latinos é assim, podemos ir do oito ao oitenta.” 

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