8/8/20
 
 
Ana Sá Lopes 28/09/2015
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Vanessa. Os anos da brasa

Passos Coelho é uma brasa. A Vanessa partilha a ideia da senhora apanhada pelas câmaras de televisão e pelos jornais no meio da campanha da coligação. E além de ser uma brasa, consegue utilizar uma maquilhagem perfeita. Costa não.

A Vanessa também acha, como aquela senhora apanhada pelos jornais e televisões, que Passos Coelho é uma “brasa”. Sempre foi. Precisavam era de o ter conhecido nos anos 90: as miúdas ficavam transidas não só com o corpinho, mas com a voz – não com a famosa voz de barítono, que não exercitava na vida corrente – mas com a do dia-a-dia. A voz é uma coisa essencial num político – entre captar eleitores e seduzir pessoas a distância é de um átomo. Isto é errado, totalmente injusto, mas é assim. O eleitor médio não lê o programa macro-económico.

É evidente que Passos Coelho está mais velho, mas fez o que todas as pessoas que estão mais velhas e “acabadas” fazem: a maquilhagem da campanha está perfeita. A partir de uma  determinada situação, saber utilizar convenientemente a “make-up” é fundamental. A “make-up” é uma coisa falsa, todos sabemos. É pó e cor – mas faz maravilhas por todos nós. Arranja encanto onde ele se perdeu, disfarça, como dizem os prospectos publicitários, “as imperfeições”, “alisa” a pele, inclusivamente promete “acabar com as rugas” e “uma pele nova em 30 dias”, vence a guerra das olheiras, transforma uma pessoa numa criatura “radiosa”. 

Quem vê as televisões, vê em Passos Coelho essa criatura radiosa, com as rugas disfarçadas. Quase que se poderia dizer que a coligação não se contentou com a maquilhagem: foi directa ao cirurgião plástico e tirou daqui e pôs ali. Pedro e Paulo, jovens e bonitos e amigos, são um prodígio por estes dias. António Costa está demasiadamente gordo, baralha-se com a maquilhagem e não sabe escolher os casacos.

Sim, Passos Coelho está uma brasa, diz a senhora apanhada pelas câmaras de televisão e dizem os “trekking polls” das mesmas televisões.

Mas os anos da brasa foram terríveis. Como explicar que a brasa se mantenha assim tão acesa, na rua, nas sondagens, nos trekking polls?

– Achas que Passos Coelho vai ganhar?. A Vanessa telefonou-me na quinta-feira depois de mais um trekking poll, estava eu a tentar fechar o jornal.

– Oh pá, sei lá.

Eu estava a despachá-la porque o momento de fechar o jornal é muito parecido com os Serviços de Observação dos hospitais – não há tempo a perder, as pessoas estão frenéticas e qualquer conversa desnecessária transforma-se num inferno. Claro que no Serviço de Observação dos hospitais as coisas são mais graves (e os médicos parecem ainda mais malucos).

– Mas diz lá. O Passos pode ganhar as eleições depois destes anos de brasa?

– As sondagens dizem que sim. Eu achava que não, que era impossível. 

– Fogo, mas eu tive que emigrar, porque aqui não arranjava emprego!!!! 

A Vanessa foi para Londres no início da crise, aceitando o convite amplamente divulgado pelo governo e seus próximos de que quem não se arranjava por aqui fosse descobrir outros mundos. A Vanessa gostou de Londres e de certa maneira agradeceu ao governo. Se não fossem os anos da brasa nunca poderia ter vivido na melhor cidade do mundo.

– Estás a ver como ainda tens que agradecer ao Passos?

– Sim, de certa maneira tenho. Aquilo de facto foi mesmo bom. Londres é incrível. Conheci gente extraordinária.

Foi maravilhoso ter saído da minha zona de conforto. Sim, de certa maneira devo isso ao Passos. Achas que as sondagens reflectem todos aqueles que ficaram contentes depois do governo lhes proporcionar a possibilidade de conhecerem novos mundos? 

– Deixa-me em paz. Tenho o jornal para fechar. Não quero falar desse assunto até ao dia 4 de Outubro às 10 da noite.  
 

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