23/1/21
 
 
Ana Sá Lopes 09/09/2015
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Análise. Costa só ganhou a segunda parte

Vencer apenas a segunda parte não é uma vitória clara, é uma espécie de “empate técnico”.

© Jose Sena Goulao/Lusa

A narrativa de Passos Coelho é extremamente simples e foi suficiente para que conseguisse ganhar a primeira parte do debate, perante um António Costa aparentemente adormecido, incapaz de reagir à teoria da bancarrota e, pior, a enredar-se sobre a autoria do programa da troika – só faltou dizer que o Memorando tinha sido assinado por um governo PSD.

Enquanto isto, Passos Coelho ensaiava aquilo com que entendeu marcar o debate: chamar Sócrates à arena, associar António Costa à governação Sócrates e anunciar aos portugueses que o programa de Costa é inspirado na mesma teoria que levou Portugal “à bancarrota”.

A eficácia de Passos Coelho foi travada a seguir ao intervalo: António Costa abandonou a mansidão e passou ao ataque, que é o seu elemento.

Foi especialmente eficaz em desmontar o programa “Vem” de apoio ao regresso dos jovens emigrantes e conseguiu reagir à bruta – o que era necessário na altura – ao recorrente chamamento ao espírito de Sócrates que Passos Coelho fez frase sim frase não.

O desabafo pode não ser muito popular junto dos socialistas mais próximos de Sócrates, mas foi eficaz para travar o crescendo de colagem em que o primeiro-ministro estava empenhado: “Está com muitas saudades do eng. Sócrates. O eng. Sócrates está em melhores condições de debater consigo. Porque é que não vai lá a casa debater com ele?”.

Era importante a Costa ganhar claramente o debate. Vencer apenas a segunda parte não é uma vitória clara, é uma espécie de “empate técnico”.

ana.lopes@ionline.pt


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