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Legislativas. Partidos sem dinheiro vão para a rua e para a internet
“As acções directas vão continuar durante a campanha para as legislativas”,garante Joana Amaral Dias do Agir

Legislativas. Partidos sem dinheiro vão para a rua e para a internet

“As acções directas vão continuar durante a campanha para as legislativas”,garante Joana Amaral Dias do Agir MÁRIO CRUZ/LUSA José Paiva Capucho 25/08/2015 22:07

Seis partidos concorrem pela primeira vez nas legislativas deste ano. Com pouco dinheiro para a campanha, os partidos de menor dimensão apostam nas redes sociais e no contacto directo com os portugueses.

Com a lei da cobertura jornalística a não permitir que os partidos de menor dimensão entrem nos debates televisivos por não terem assento parlamentar, chega a pergunta: como é que estes partidos contornam o impacto mediático e fazem a sua campanha? De forma “modesta”: muitas acções de rua e uma aposta forte nas redes sociais. 

Os recursos são pequenos, e o orçamento apertado. A solução? Ir para a rua à procura das pessoas. “Vamos ter uma campanha modesta, com pequenas contribuições de colaboradores e activistas, não temos o financiamento do Banco Espírito Santo.” É assim que Joana Amaral Dias, da coligação Agir, fala, com ironia, sobre a campanha que o movimento vai organizar nas próximas semanas. As “acções directas”, como a que aconteceu em Junho deste ano, com o parlamento a acordar “vendido”, são para continuar. “Sim, é mesmo para continuar durante a campanha, teremos também outdoors, mas as acções directas serão a prioridade”, confirma a ex-bloquista. Sobre a lei da cobertura jornalística, Joana Amaral Dias diz que é “inaceitável que a comunicação social só jogue com os vencedores, parecendo que já está decidido quem ganha antes das eleições”. 

Com um orçamento “anoréctico”, as redes sociais vão ter um papel importante: “As nossas páginas oficiais, as doAgir e do eunaomevendo.pt, terão um papel importante, porque felizmente não são manietadas como a comunicação social é”, conclui.

O Livre vai seguir a mesma linha. “Já estamos nas redes sociais e estamos a estudar a utilização do Periscope, do Snapchat e do WhatsApp, utilizados noutros países, que mostraram ser um sucesso”, diz Pedro Rodrigues, assessor para a imprensa. 

O partido de Rui Tavares e Ana Drago tem outdoors já afixados, mas a aposta é no contacto directo com as pessoas e, para isso, tem uma carrinha de campanha. “Vamos ter uma carrinha que vai percorrer todo o país para falar dos temas da nossa Agenda Inadiável.” Sobre a nova lei, Rui Tavares disse ontem, após a apresentação das listas por Lisboa no Palácio da Justiça:“Passámos de uma lei que ninguém cumpria, embora fosse igualitária, para uma inigualitária.” Ao todo, são 15 os partidos de menor dimensão que ficam fora dos debates televisivos e concorrem às eleições do dia 4 de Outubro. Seis concorrem pela primeira vez nas legislativas. 

A “arma” das redes sociais Do Nós,Cidadãos (NC), o vice-presidente do partido,Renato Epifânio, confessa que existem “poucos recursos, e não haverá outdoors”, disse ao i.A aposta é, por isso, no contacto directo com os “abstencionistas” e nas redes sociais, que são “uma experiência promissora, pois somos dos partidos emergentes com maior presença”, conta. A juntar aos “tempos de antena condignos e distribuição de panfletos”, o NC tem já um canal de televisão e um de Youtube. 

Já NunoMoreira, o cabeça-de--lista por Lisboa do Juntos pelo Povo (JPP), que também entregou ontem as listas na capital portuguesa, vê nas redes sociais uma das principais armas para os objectivos do partido: a eleição de um deputado por Lisboa e outro pela Madeira. “Temos uma grande representatividade de cidadãos na internet e também uma estrutura noJPP que trabalha só para isso.” Concorrendo só a 14 dos 22 círculos eleitorais, terão em Lisboa “uma campanha modesta, colando um ou dois cartazes, apostando nas acções de rua” para garantir “a mesma expressão” que levou o JPP a eleger cinco deputados nas eleições regionais da Madeira, em Março. 

Como estes partidos, mais 11 concorrem sem terem tido anteriormente assento parlamentar, como o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas ou o Partido Democrático Republicano, presidido por Marinho e Pinto (ver texto ao lado). Mas mesmo sem televisões, pode ser que encontre algum dos seus candidatos por um qualquer círculo eleitoral, de carrinha ou mesmo a pé.

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