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Açores. Com vista para o mar e o pôr-do-sol
Santa Bárbara tem quase um quilómetro de extensão, o que lhe dá o prémio de uma das maiores da região

Açores. Com vista para o mar e o pôr-do-sol

Santa Bárbara tem quase um quilómetro de extensão, o que lhe dá o prémio de uma das maiores da região Pedro Calisto Margarida Vaqueiro Lopes 10/08/2015 16:21

Um quilómetro de areal de areias vulcânicas, com bandeira azul, águas agitadas e mornas e bares de praia que, no final do dia, permitem restaurar as energias do tempo passado a nadar contra as correntes.

Podia ser uma praia de areia branca e fina e água azul e transparente, mas isso seria demasiado cliché para a maravilhosa praia de Santa Bárbara – também conhecida por Areal de Santa Bárbara ou Areais.

E como cliché é palavra que não rima com o arquipélago dos Açores, tudo nesta praia é diferente e, por isso, incrível.
Este pedacinho de paraíso, de areias vulcânicas e água límpida, tem quase um quilómetro de extensão, o que lhe dá o prémio de uma das maiores da região. Fica na freguesia que lhe dá nome, Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

A poucos quilómetros da cidade de Ponta Delgada, a praia de Santa Bárbara tem um pedacinho de tudo. À esquerda, uma formação rochosa imensa que lança a sombra durante o pôr-do-sol e que deixa no ar aquele pequeno mistério sobre o que estará por detrás dela.

À direita, areal quase até perder de vista, e lá ao fundo a vila da Ribeira Grande, com as suas casas coloridas e vista sobre o areal. E claro, bons restaurantes para aquela refeição a meio do dia para matar o apetite voraz que só um dia de praia sabe abrir.

Em frente, nada mais do que o mar, naquela vista única que só as ilhas conseguem oferecer por não haver mais nada em redor.

Santa Bárbara tem ganho reputação pelas várias provas internacionais de surf que recebe anualmente: uma etapa do ASP World Tour, o SATA Airlines Azores Pro e uma etapa do Pro Junior Europeu. Tudo a acontecer nos meses de Verão e a ajudar ao turismo da região, mesmo que ele já pouco precise de ajuda.

Até há pouco mais de dois meses, a única entrada para este extenso areal fazia-se pelo lado da pequena vila de Santa Bárbara. Dotada de boas infra--estruturas para banhistas – há duches e balneários – e de vigilância, nesta praia de bandeira azul ouve-se pouco mais do que o marulhar das águas mesmo nas alturas de maior enchente – e por enchente entenda-se duas, vá, talvez três dezenas de pessoas ao longo de toda a praia. Um inferno, portanto.

Actualmente também é possível entrar pela ponta oposta do areal, mesmo junto à rocha que o delimita – aquela que faz sombra ao pôr--do-sol –, perto do Santa Barbara Eco-Beach Resort.

Este novo acesso foi construído pelo hotel que, na verdade, é dono daquele pedaço de praia, mas que o abre a quem quiser entrar por aquele lado, e quem sabe, caminhar até meio do areal, habitualmente deserto porque toda a gente sabe que andar 500 metros sob o sol açoriano é coisa para cansar. 

Lapas, correntes e vinhos Deste lado da praia, mais nadadores-salvadores atentam nos banhistas, numa zona em que as ondas e as correntes obrigam a algum exercício físico, sobretudo para continentais mais habituados a ficar à beirinha da água do que a aventurarem-se mar adentro. Mas ali, sobretudo na maré baixa, é preciso caminhar, caminhar, caminhar, atravessar aquele fundão de que na maré cheia nem se dá conta, caminhar mais um pouco e depois dar umas braçadas.

E claro, franzir os olhos para tentar perceber que sinais são aqueles que o salva-vidas faz loucamente. Quando damos por nós já estamos muitos metros ao lado do ponto em que entrámos na água, e afinal o rapaz tem razão: não percebemos nada de correntes e, quando déssemos por nós, estávamos ali na Ribeira Grande e teríamos de fazer um quilómetro pela areia quente e escura.

Depois do exercício físico, o melhor mesmo é relaxar em cima das areias quentes e macias, e aproveitar o embalo marítimo para dormir uma sesta. Há uma coisa que garantimos: dificilmente terá o seu sono interrompido por crianças aos gritos, pais em conversas desinteressantes ou a falta de espaço que obrigará algum banhista mais descarado a vir sentar-se quase em cima da sua toalha.

Mas o melhor mesmo é o final do dia, se não estiver aquele vento que de vez em quando as ilhas gostam de mostrar. Com sorte, o dia esteve quente e a água vai estar ainda melhor ao cair da noite. Atreva-se a um banho mesmo à hora do pôr-do-sol, para que possa assistir a um verdadeiro espectáculo natural dentro de água. As correntes também já estarão mais calmas, e a própria ilha, no ritmo da natureza, está a começar a acalmar. Lá ao fundo – ou ao perto, dependendo do lado em que estiver – as luzes das casas da Ribeira Grande começam a acender-se, parecendo pequeninas estrelas numa imensidão de espaço a que as praias do Continente já nos desabituaram.

Depois de o sol se pôr, já não há como secar na praia, mas nem assim é hora de ir embora. Se estamos nos Açores, vamos ser açorianos, e nem pensar em terminar o dia sem ser com um dos melhores petiscos da região: lapas.

Num dos bares de praia – há um do lado do resort e vários do lado da Ribeira Grande –, é pedir uma dose de lapas regadas com muito sumo de limão, um prato de gambas bem temperadas ou, porque não, um prego de um qualquer peixe ou carne que haja à disposição.

Enrolados na toalhas, talvez já com uma camisola mais grossa para fazer frente ao vento, deixar que o sol e o sal vão ressequindo só mais um bocadinho a pele e aproveitar para pedir um bom vinho branco de qualquer uma das ilhas do arquipélago – nós cá sugerimos que peça um da ilha do Pico, mas também não se vai aborrecer se experimentar qualquer um dos que constam das cartas.

Sozinho ou acompanhado, com um grupo grande ou só com outra pessoa, não vai esquecer um dia passado na praia de Santa Bárbara.

Pegue no copo de vinho, recoste-se na cadeira e espere que a natureza lhe leve o que resta de luz enquanto olha para aquela paisagem que só tem igual numa qualquer outra ilha daquela região.

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