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Campanha. PS retira cartazes polémicos das ruas
O cartaz do "virar de página" que foi contestado dentro do PS e gozado e nas redes sociais

Campanha. PS retira cartazes polémicos das ruas

O cartaz do "virar de página" que foi contestado dentro do PS e gozado e nas redes sociais Jose Fernandes Ana Sá Lopes 04/08/2015 15:52

Os cartazes que foram alvo de chacota nas redes sociais e mesmo dentro do PS vão desaparecer rapidamente das ruas e estradas do país. “A função está cumprida”, diz fonte da campanha ao i.

Edson Athaíde vai manter-se a trabalhar nas equipas de campanha do PS, mas o cartaz que produziu – e que foi criticadíssimo dentro do partido e motivo de chacota nas redes sociais – vai ser retirado muito em breve das ruas do país.

Apesar do recuo na estratégia publicitária, o partido não dá o braço a torcer. A saída de cena da polémica criação de Edson Athaíde, o homem que foi responsável pelo sucesso da campanha de António Guterres em 1995 (ver texto ao lado), é justificada com a ideia de a “função do cartaz já estar cumprida”, como disse ao i uma fonte da campanha.

“A função do cartaz está cumprida. Introduzir uma linguagem de ruptura com comunicação política corrente para marcar a viragem de página e reforçar a associação de confiança a António Costa e ao PS”, justifica a mesma fonte.

Os socialistas negam que tenha sido o furor das críticas no interior do partido e nas redes sociais (onde os cartazes chegaram a ser comparados com a propaganda da IURD – Igreja Univeral do Reino de Deus) a motivar a retirada de cena da imagem da jovem de cabelos ao vento.

Antes pelo contrário, consideram que essas reacções comprovam o seu sucesso: “Como diria Edson, falem mal ou bem o que importa é que falem. Resultou. Bateu recordes de comentários nas redes. Agora terá a evolução normal como previsto”. A “evolução” passa por abandonar rapidamente os caminhos de Portugal.

Se o cartaz foi alvo de grande gozo nas redes sociais – com montagens como as que se podem ver ao lado com a cara de António Costa e do anterior secretário-geral António José Seguro – não o foi menos no interior do partido. 

A estrutura de campanha, ao dar luz verde ao famoso cartaz não imaginava o que vinha aí. Na quarta-feira, conforme contou o DN na edição de sábado, houve uma reunião com as estruturas distritais para preparar a campanha e o cartaz foi objecto de críticas violentíssimas. Pedro Nuno Santos, líder da Federação de Aveiro e cabeça de lista do círculo, pediu a sua retirada imediata das ruas.

Mas o mal-estar com o impacto da última obra de Edson Athaíde foi alargado. O DN avançava a hipótese de o cargo de Edson Athaíde estar em risco, mas o i sabe que o publicitário – um “amigo do PS”, segundo fontes da campanha – vai manter-se a trabalhar com o partido até às eleições.

Mas as críticas, em privado e em público, foram imensas. António Galamba, um dos homens-fortes de António José Seguro e organizador de campanhas – que António Costa não deixou entrar nas listas de deputados – foi duríssimo. Depois de ler a notícia do DN escreveu no Facebook: “Há muita coisa na vida (e na política) que não se anuncia, faz-se.

Os cartazes têm estado muito aquém do exigível, têm sido validados politicamente. Como quem os valida não é reciclável, não se pode mudar, é alterar a outra variante. Sem humilhantes anúncios e fugas para a imprensa que são indignos.”

Também Galamba condena a escolha de Edson Athaíde pelo PS para fazer a campanha das eleições de Outubro. “Fazer uma campanha eleitoral em 2015 não tem nada a ver com o fazer uma campanha eleitoral em 1995. As percepções, a linguagem, os meios, os ritmos e o ambiente político é completamente diferente. Quem fez esta opção, agora em causa, ignorou esses factores e o alheamento de anos da vida política portuguesa.

Edson Athayde mantén-se na campanha. PS não dispensa "velho amigo"

A responsabilidade maior é de quem escolheu, não de quem foi escolhido”. Objectivamente, sem citar nomes, o ex-secretário nacional de Seguro quer culpar Costa pelo cartaz falhado. 

Nem todos os antigos apoiantes de Seguro são tão duros. Carlos Zorrinho, eurodeputado, escreveu sobre o cartaz: “Primeiro estranha-se e depois entranha-se, ou não? Eu também estranhei o último cartaz do PS mas a verdade é que agora todos falam dele.

Enquanto se discute a estética e os tons ‘nova era’ ou se treina a criatividade no Photoshop, a mensagem do virar de página vai-se entranhando. E mesmo que o cartaz acabe por ser mudado... aí está! É de mudança que o país precisa. A mensagem está lá. A imagem? não sou perito...mas sou mais um a falar do cartaz. Quantos mais falarem melhor”.

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