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Campanha. Dirigentes do PS criticam carta de Costa a pedir dinheiro

Campanha. Dirigentes do PS criticam carta de Costa a pedir dinheiro

ana brígida Ana Sá Lopes e Rita Tavares 31/07/2015 17:02

Costa escreveu aos eleitos do partido a pedir “ajuda” e promete que “será garantido o devido reconhecimento” a quem fizer donativos.

A cerca de um mês do início da campanha eleitoral, António Costa escreveu aos militantes a pedir uma “ajuda” para as despesas do partido. Até aqui tudo bem, porque o PS está numa situação financeira complicada. As críticas, de dentro e de fora do PS, surgem com a garantia de que será feita uma lista com os militantes que fizerem donativos. “Não duvide que lhe será garantido o devido reconhecimento: informaremos a sua secção e a sua federação dos nomes de quem contribuiu e das quantias recebidas”, lê-se na carta, assinada por António Costa. 

“Isso não faz nenhum sentido do ponto de vista do património do PS”, diz ao i António Galamba, da Comissão Política. O ex-deputado, que pertenceu ao Secretariado Nacional nos tempos de António José Seguro, defende que faz “sentido dar uma contribuição, mas não tem lógica estar a fazer um ranking e estar a criar situações de desigualdade”. 

Não foi o único no PS a criticar o secretário-geral. “Divulgar os doadores? Soa-me àqueles benfeitores que contribuem para acções de caridade com os olhos numa comenda”, escreveu o dirigente socialista José Lello, na sua página do Facebook. A carta de Costa foi recebida com espanto por alguns socialistas, que criticam o método utilizado. “É inacreditável. Nunca se viu isto no PS. É uma coisa inacreditável dizer que se vai fazer um ranking para saber quem são os melhores”, diz ao i um dirigente, que pede o anonimato por estarmos à beira de eleições legislativas.

PS PRECISA DE AJUDA Na carta, Costa pede aos eleitos do partido “um esforço suplementar” e alerta que estes donativos são decisivos para “enfrentar as despesas da actividade política e ganhar os desafios que se aproximam”, ou seja, as eleições. “O PS precisa da sua ajuda monetária”, escreve o secretário-geral, que pede aos uma contribuição mensal de 20, 50 ou 100 euros.

A polémica mereceu também comentários de algumas figuras do PSD. Duarte Marques questiona, nas redes sociais, se a intenção é trocar favores. “Um ranking de doadores, dar valor a quem der mais? Se isto fosse dito pelo presidente do PSD a reacção do PS e da esquerda moralista seria: ‘Vão trocar doações agora por favores num futuro governo? Tráfico de influências à descarada? Um leilão de favores?”. 

Confrontado com as críticas, Capoulas Santos, cabeça-de-lista do PS por Évora e líder da distrital, atribui esta polémica ao facto de estarmos em período de campanha eleitoral. Ao i, o ex-ministro de António Guterres garante que é “em nome da transparência” que o PS utiliza este método. “Não está dito em lado nenhum que quem dá um contributo terá um prémio. Isso é ridículo”.

VÍDEO NO YOUTUBE A carta do líder socialista motivou o militante Nelson Patriarca, eleito pelo PS para a Assembleia Municipal do Seixal, a gravar um vídeo, que colocou no You Tube, a criticar a criação de uma “elite de militantes”, que “terá maior ou menor reconhecimento por ter pago o seu contributo ou não”. Assumindo-se como “um segurista”, este autarca manifesta “total indisponibilidade” para ajudar a pagar “canetas” e “lombos assados”. 

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