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10 Fest Açores: muito mais do que um festival de gastronomia!
No final, a festa dos alunos e director da escola

10 Fest Açores: muito mais do que um festival de gastronomia!

No final, a festa dos alunos e director da escola António Mendes Nunes 10/07/2015 16:14

O Restaurante Anfiteatro da EFTH, em Ponta Delgada, durante dez dias é a melhor montra dos Açores.

Em 2012, quando a Escola de Formação Turística e Hoteleira dos Açores (EFTH), comemorou o décimo aniversário, Filipe Rocha, o seu director, em consonância com o corpo docente, resolveu comemorar de uma forma criativa. Mobilizou as suas estruturas, convidou chefes amigos vindos do Continente, formadores noutras escolas portuguesas e estrangeiras com quem mantém protocolos e antigos alunos, e fizeram um festival de gastronomia ao qual chamaram 10 Fest – Dez Dias, Dez Chefes. Foi um sucesso e o dinâmico Filipe Rocha não deixou cair esse êxito. O festival voltou a realizar-se no ano a seguir e depois e depois, sempre com lotações absolutamente esgotadas, sempre com novas ideias e cada vez mais consistente. 

O i tem acompanhado este festival desde a sua segunda edição e, este ano, tivemos oportunidade de assistir a dois jantares, o imaginado e dirigido pelos chefes formadores da EFTH – os portugueses Pedro Oliveira e Sandro Meireles – e outro dirigido pelos espanhóis Oscar F. Albiñana e Jordi Puigvert. Diga-se desde já que os nossos compatriotas brilharam a alto nível, tendo conseguido um dos melhores, se não mesmo o melhor, dos jantares do festival.
Mas, afinal, o que representa este festival na vida dos alunos, do corpo docente e da própria escola, no seu todo? E qual a importância da EFTH e deste festival no tecido económico e social dos Açores?

A escola ministra formação inicial (escolaridade equivalente ao 12.o ano e formação profissional, em simultâneo) ou só formação profissional para quem já tenha a escolaridade obrigatória (por vezes, pessoas com frequência universitária ou mesmo licenciaturas terminadas, mas que querem reorientar a sua vida), e ainda a formação de activos com a actualização de conhecimentos de pessoas que já estejam na profissão (com ou sem cursos) e que queiram evoluir em qualquer das áreas da hotelaria. Para estas tarefas recorrem a professores e formadores não só do Continente, mas também de escolas de outros países com quem mantêm protocolos, o que acaba por trazer know-how para a região.

Mas para Filipe Rocha, no entanto, há outras funções ainda mais importantes para a sua EFTH: “O facto de termos um restaurante, que não é só uma montra da escola, mas também uma unidade de ensaios com produtos regionais, dá-nos a possibilidade de arriscar um bocadinho mais e, com isso, também liderar o processo de actualização da cozinha açoreana. É por isso que criamos, durante todo o ano, outros eventos para além do 10 Fest, atraindo o tipo de público que se pretende numa cozinha mais contemporânea. Esta componente de experimentação permite que os alunos cresçam neste ambiente, dando-lhes um mindset que os leva a ousarem experimentar outros caminhos, a inovar.” Como exemplo, o director da EFTH aponta o aluno que conseguiu apoio, no “Shark Tank”, programa da SIC, para o seu projecto da vodca de ananás. “Acabamos por ter uma função económica, porque ajudamos a dar ferramentas de trabalho aos jovens, o que lhes dá uma taxa de empregabilidade enorme, sobretudo porque também o turismo nos Açores está a crescer e há necessidade de recursos humanos nesta área, com reflexos na componente social. Quando a base para a integração social é o emprego, conseguir empregabilidade para os jovens, que muitas vezes vêm de contextos socioeconómicos muito difíceis, é abrir-lhes uma porta que vai mudar todo o registo de vida deles. E isso é importantíssimo para nós.”

Por último, a EFTH acaba por desempenhar uma função de promoção dos Açores, numa ligação muito próxima com o Turismo dos Açores e com a SATA, na divulgação da região através da gastronomia. “Apesar de termos nascido como escola profissional, o âmbito da nossa acção vai muito para além disso, devido ao que temos conseguido fazer com uma escola jovem, mas cheia de motivação”, conclui Filipe Rocha.

E é essa motivação que permite fazer um festival como o 10 Fest, em que os alunos são os ajudantes dos chefes que visitam a escola, alguns deles estrelas Michelin. E que lhes permite também fazer o serviço de sala, sincronizado, sem falhas. E, no final, ouvirem os primeiros aplausos, quando desfilam pela sala após o jantar. Mais do que uma aula prática, rica e muito valiosa, esta é uma aula de vida que muitos daqueles miúdos, vindos de famílias e meios extremamente pobres, jamais sonharam ter. Foi, mais uma vez, uma bela festa.

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