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Presidenciais. Maria de Belém quer ser candidata
Maria de Belém foi presidente do PS na era de António José Seguro. Conta com o apoio de toda a ala segurista

Presidenciais. Maria de Belém quer ser candidata

Maria de Belém foi presidente do PS na era de António José Seguro. Conta com o apoio de toda a ala segurista JOSÉ SENA GOULÃO/Lusa Ana Sá Lopes e Rita Tavares 07/07/2015 14:30

Só depois das legislativas a antiga presidente do PS anunciará a decisão. 

Maria de Belém tem vontade e apoios dentro e fora do PS para concorrer ao cargo de chefe de Estado. O i sabe que a probabilidade da sua entrada na corrida presidencial aumentou exponencialmente nos últimos dias. “Maria de Belém tem vontade de se candidatar à Presidência. Sobre isso não há dúvida nenhuma”, afirma ao i um dirigente próximo da ex-presidente do PS. “Está muito inclinada”, diz outro apoiante de Belém. “Ela está decidida a avançar”, garante um terceiro.
Um sinal público de que uma candidatura depois das legislativas poderá acontecer foi dado no sábado à noite, na SIC. A antiga presidente do PS no tempo da liderança de António José Seguro, disse à estação de televisão que só quer pronunciar-se sobre o assunto presidenciais depois das legislativas. Mas desta vez deixou muito clara a possibilidade de avançar: “Não posso estar a dizer nem que sim nem que não, porque isso seria abdicar daquilo que a Constituição me confere, a possibilidade de me candidatar”. Foi a declaração mais forte, com a ambiguidade própria dos pré-anúncios de candidaturas, que até agora Maria de Belém Roseira tinha feito em público. Em privado, alguns dos seus próximos acreditam que a candidatura é provável, mas nunca será anunciada antes das legislativas. Um sinal público que pode ser dado a muito curto prazo é a exclusão do seu nome nas listas de deputados do PS às legislativas. “Se não aceitar o convite para integrar as listas do PS, é candidata à Presidência”, diz outro dirigente próximo de Maria de Belém. Tendo sido presidente do PS, é evidente que Belém teria lugar nas listas, ao abrigo do acordo de paz entre António Costa e os restos do segurismo. A sua recusa seria um sinal óbvio da sua disponibilidade para avançar para as presidenciais logo após as legislativas.

Confrontada com a iminência da candidatura presidencial de Maria de Belém e de alguma reserva do partido relativamente a Sampaio da Nóvoa, a direcção deixou cair o apoio quase expresso ao reitor honorário. O sinal do “volte-face” foi dado por uma entrevista de Carlos César, presidente do PS, à Antena 1. Carlos César, que foi um dos mais entusiastas da possibilidade do PS apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa, foi o escolhido para anunciar a nova posição do Partido Socialista: afinal, agora o PS já admite que pode ficar à margem das eleições presidenciais, não dando nenhuma indicação de voto relativamente ao candidato a apoiar pelo partido para o cargo de mais alto magistrado da Nação. Tudo isto para evitar “uma guerra fratricida”. “Imagine que três ou quatro dirigentes máximos do Partido Socialista resolviam candidatar-se à Presidência da República: não nos envolveríamos num processo fratricida”. É evidente que esta frase só pode ter a candidatura de Maria de Belém como destinatário, uma vez que todos os outros proto-candidatos socialistas já anunciaram que não avançariam para a Presidência. Apesar de ter afirmado, nessa entrevista à Antena 1, que “se as eleições presidenciais fossem hoje teria com certeza” a sua “opinião” e de interrogado sobre se o seu candidato continuaria a ser Sampaio da Nóvoa, respondeu: “Sim”. O problema é que a opção por Sampaio da Nóvoa pode ser de Carlos César, Mário Soares, Jorge Sampaio e muitos outros socialistas que aparecem junto ao reitor honorário por todo o país, mas deixou de haver qualquer possibilidade de que venha a ser a posição oficial do partido, como até agora foi dado como certo pelos socialistas. 

A questão não vai ser fácil de gerir dentro do PS, que se prepara para mais uma trapalhada nas presidenciais, como já aconteceu mais do que uma vez na história do partido. Dentro da própria direcção há socialistas que discordam profundamente de uma posição de “equidistância” face às presidenciais, segundo sabe o i. 

Entre os apoiantes de Maria de Belém considera-se difícil que perante uma candidatura oficial de uma ex-Presidente do partido o PS assobie para o lado e resista a apoiá-la. Isto tornar-se-á mais gritante se Belém tiver – como os seus apoiantes esperam – grandes apoios na sociedade civil. “O PS não tem condições para se pôr contra uma sua militante qualificada”, afirma um desses apoiantes ao i. “É impossível o PS não a apoiar”, diz outro dirigente. O i tentou contactar Maria de Belém sem sucesso.

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