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Perfil. A ascensão e a espera de Antero Henrique
Quase sempre na sombra de Pinto da Costa, o perfil discreto agrada ao presidente portista

Perfil. A ascensão e a espera de Antero Henrique

Quase sempre na sombra de Pinto da Costa, o perfil discreto agrada ao presidente portista RICARDO CASTELO/LUSA Pedro Miguel Neves 06/07/2015 16:59

Chegou ao FCPorto em 1990 como simples tarefeiro. Subiu a pulso até n.o 2 de Pinto da Costa. Só lhe falta a cadeira do poder.

O segredo do sucesso de Antero Henrique no FCPorto? “Tornou--se uma pessoa da confiança do Pinto da Costa (PC), ponto final. Diria que o presidente não é propriamente, nunca foi, uma pessoa de se abrir muito com muita gente. Ouvia muita gente, mas tomava ele as decisões.” É Guilherme Aguiar, ex-dirigente portista e da Liga de clubes, quem o explica ao i sobre um dos arguidos na operação lançada pela PSP e pelo Ministério Público para investigar seguranças ilegais e casos de violência na noite (ler mais nas páginas seguintes).

A confiança do presidente dos dragões é só uma parte da história que leva Antero Henrique a subir praticamente todos os degraus na estrutura do clube desde que entrou nas Antas pela primeira vez, em 1990.

O vice-presidente do FCPorto nasce em Vinhais, a 30 quilómetros de Bragança, e os amigos de infância dizem que tinha simpatia pelo Benfica. Um pormenor que não afectaria em nada o seu trajecto na Cidade Invicta. Muda--se para o Porto em 1986 para continuar os estudos e quatro anos depois trabalha no maior clube da cidade, como tarefeiro – ajudava na renovação de associados. Mais tarde saltaria para a revista “Dragões”, um passo crucial na sua ascensão. Fiel a Pinto da Costa, o trajecto que construiu como responsável pelo futebol portista fez com que já fosse desejado por grandes clubes, como o PSG ou o Chelsea.

“Vem de baixo, uma vantagem” Antero José Gomes da Ressurreição Henrique, 47 anos, é pouco dado ao mediatismo. Em mais de duas décadas ao serviço do FCP, contam-se pelos dedos as entrevistas ou declarações públicas. Construiu o seu percurso com paciência e competência. Sobe a coordenador da revista do clube antes de passar a assessor de imprensa. Prepara os treinadores para as conferências de imprensa, algo pouco comum em tempos, e vai ganhando o seu espaço junto do futebol. “Se estava à espera que ele tivesse a ascensão que teve? Não. Por uma razão muito simples, porque não acompanhei lá dentro o seu trabalho”, diz Guilherme Aguiar, que deixou as Antas em 1995. 

Mesmo de fora, o antigo dirigente conhece como poucos a estrutura do FCPorto: “O Antero, a determinada altura, apareceu como homem de confiança, portanto teve de a conquistar. E olhe que não é fácil. O PC não ouvia ninguém. A ascensão fica a dever-se à competência e à maneira de ser dele. É uma pessoa muito aberta que faz contactos com muita facilidade. E também vem de baixo, não vem de cima. É uma vantagem.”

Lealdade Mais tarde é promovido a director das Relações Externas. Oestalar do Apito Dourado, em 2004, acaba por ser benéfico a Antero. Oprocesso serve para demonstrar a sua lealdade a PC; é nesta fase que se aproxima mais do presidente. Discreto, como o líder portista aprecia, seria recompensado no ano seguinte.

É em 2005 que sobe ainda mais um degrau no FCP, passando a director desportivo. Os sucessos que vai alcançando na política de gestão desportiva fazem com que passe definitivamente a braço-direito de Pinto da Costa. Reinaldo Teles, que durante décadas ocupara esse posto, praticamente desaparece. Antero é uma pessoa “com contactos em todo o mundo”. “Ouviu quando recomendei Lucho”, elogiou o empresário Pini Zahavi, um dos mais poderosos no mundo futebolístico.

Desde que ganha poder na definição das transferências, as mais--valias obtidas pelo clube começam a apontar os focos para o discreto Antero Henrique. Os dragões compram barato – muitas vezes antecipando-se aos rivais, como o Benfica – e vendem caro. “O sucesso do FC Porto assenta em três pressupostos: recrutamento, desenvolvimento e rendimento”, afirma em 2012, numa das raras entrevistas, à prestigiada “France Football”.Pepe, Hulk, Lucho, Lisandro López, James Rodríguez, Moutinho, Falcao, Jackson Martínez e Raul Meireles, entre muitos outros, são exemplos de jogadores que renderam desportiva e financeiramente.

Os resultados também ajudam a cimentar a posição do director do futebol: em 2009 o FCP comemora o tetra. Depois de um título para o Benfica, os dragões festejam o tri em 2013. A hegemonia da década de 90 regressava ao Dragão. Por esta altura, Pinto da Costa confia mais que nunca em Antero Henrique. A sua subida a CEO da SAD e vice-presidente já não eram surpresa. Muitos começam a apontá-lo como o provável sucessor do mítico presidente portista. Odelfim que tomaria o lugar do líder. 

Sucessão Em Outubro de 2013, numa entrevista ao jornal “OJogo”, diz que o tema da sucessão só interessa “aos adversários” do clube. Mas a forma como aparece a falar, em semana de jogo com o Benfica, sugere que o hábil director se está a posicionar na guerra que se espera um dia que PC decida deixar a cadeira do poder. No interior do FCP tem por enquanto um adversário de peso:Alexandre Pinto da Costa, filho do actual presidente.

Em 2014, depois de uma época para esquecer, Antero Henrique pretende contratar Marco Silva.O dirigente acerta tudo com o treinador (que acabaria no Sporting), mas esquece-se que ainda não é número 1 do clube. PC decide que o técnico seria o espanhol Julen Lopetegui e deixa um aviso:se dúvidas havia, quem manda ainda é ele. Oepisódio não retira brilho ao trabalho de Antero Henrique. Subiu todos os degraus no FCP, excepto um. Continuará à espera para lá chegar um dia destes?

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