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Concessão do metro. Trabalhadores enumeram riscos para os contribuintes
Metro sairá mais caro é uma das desvantagens

Concessão do metro. Trabalhadores enumeram riscos para os contribuintes

Metro sairá mais caro é uma das desvantagens Lusa Filipe Paiva Cardoso 19/06/2015 13:06

Despesas ficam no Estado
Uma das maiores críticas dos trabalhadoresà concessão é o facto de as maiores despesas da empresa ficarem com os contribuintes: manutenção do material circulante (MC), expansão e remodelações na rede, manutenção do parque imobiliário e também os encargos da dívida contraída em prol das infra-estruturas e material circulante.

Receitas ficam nos privados
Além da venda de bilhetes, o concessionário fica com:os dividendos das participadas do Metro; rendas dos espaços comerciais das estações e encaixe com publicidade nas mesmas; ganhos com os parques de estacionamento e os encaixes pela cedência dos túneis para as redes de ligações móveis, dados e fibra óptica.

Resultado da equação
A empresa Metro deLisboa, que fica dos contribuintes e através da qual é feita a concessão, não irá ter quase receitas com que financiar a renda anual ao concessionário e os encargos com a dívida com que vai ficar:a renda anual é de 53,5 milhões, com o privado a ficar ainda com 50% das receitas da venda de títulos e 100% das restantes.

Metro sairá mais caro
Com a concedente a ceder a maioria das receitas ao concessionário, ao mesmo tempo que fica com a obrigação de pagar a manutenção do MC e os custos com a dívida, os riscos amontoam-se para os contribuintes:se 50% das receitas de bilhetes são 43 milhões, a dívida e o MCcustam 250 milhões por ano.

Concessão mais lucrativa
O valor da renda anual (54 M€) ésuperior a 50% das receitas de bilheteira (44 M€). A isto juntam-se os 9,5 M€ de receitas das outras actividades do metro que também ficam para o privado. Assim, tendo por base as contas de 2014, conclui-se que o privado não só vai ter mais receitas que as que o Metro gera como menos despesa.

Greves pagas pelo Estado
Outra crítica à concessão é o facto de prever que os custos de futuras greves sejam pagos pelos contribuintes, já que ogoverno definiu a greve como “motivo de força maior”, ou seja, como algo alheio ao concessionário. Este pode, assim, cobrar os custos de greves aos contribuintes, não tendo prejuízos com elas – o que retira força ao pessoal.

PPP:reequilíbrio financeiro
Tal como nas PPP, também nesta concessão o governo deu direitos de reequilíbrio:se um governo decidir não aumentar as tarifas num dado ano da concessão, os contribuintes serão chamados a pagar ao concessionário como se os preços tivessem subido. Se uma estação fechar para obras, o privado receberá pelo serviço não prestado.

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