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TAP. Privatização é para ser decidida “o mais depressa possível”
A TAP voa para mais de 80 destinos, tem uma forte presença no Brasil e está no TOP 10 das companhias mais seguras do mundo

TAP. Privatização é para ser decidida “o mais depressa possível”

A TAP voa para mais de 80 destinos, tem uma forte presença no Brasil e está no TOP 10 das companhias mais seguras do mundo antónio pedro santos Margarida Vaqueiro Lopes 06/06/2015 08:00

Propostas melhoradas, providências cautelares, invocação de interesse público e frases soltas. 

Se tudo correr conforme o previsto, no final do mês o processo de privatização da TAP está concluído. O secretário de Estado dos Tranportes, Sérgio Monteiro, garantiu ontem num breve encontro com jornalistas que é intenção do governo tomar uma decisão sobre a privatização da TAP “o mais depresssa possível”. 

Pouco depois diria que não pode, no entanto, comprometer-se com o cumprimento do calendário inicialmente previsto, uma vez que a análise das propostas finais também dependerá da complexidade das mesmas.

Ontem ao final do dia os dois candidatos que ainda restam entregaram as suas propostas melhoradas ao governo, e agora parte-se para a análise e consequente escolha do vencedor.  

Germán Efromovich, dono da Avianca e repetente na tentativa de comprar a companhia aérea nacional, afirmou ontem em comunicado enviado às redacções que a sua proposta final “vai de encontro ao objectivo de modernização e desenvolvimento desta companhia aérea, como empresa de referência”.

Da proposta do empresário constava até agora a aquisição de 50 novos aviões para fortalecer a frota da TAP, além de oferta de 35 milhões de euros  pela compahia, aos quais acresceriam 350 milhões para uma capitalização da TAP em dinheiro e em espécie – 100 milhões em aviões e 200 milhões em dinheiro. Dentro do envelope fechado que ontem chegou ao Ministério da Economia estarão novas ofertas, possivelmente mais estratégicas que financeiras. Recorde-se que em 2012 Germán Efromovich já tinha tentado comprar a TAP, mas o negócio caiu quando o empresário foi incapaz de apresentar garantias bancárias na altura da concretização do negócio.

Por outro lado, David Neeleman, dono da terceira maior companhia brasileira, oferecia até agora 20 milhões de euros ao Estado português e entre 300 e 350 milhões de euros para capitalizar a empresa. Desta injecção de capital constava uma renovação da frota da TAP com 52 aviões. Num comunicado libertado ontem, Neeleman garantia que “mais que uma proposta”, a oferta que fez pela companhia “é um compromisso de investimento e crescimento para a TAP”. O empresário afirmou ainda que pretende “dar continuidade ao legado da TAP em matéria de segurança e profissionalismo de todos os que lá trabalham e simultaneamente criar uma companhia financeiramente sólida, a longo prazo, de modo que todos se sintam orgulhosos por trabalhar numa companhia aérea que perdurará para as gerações futuras”. O dono da brasileira Azul salientou ainda que se trata de “um compromisso que o Humberto Pedrosa” e ele próprio assumem “juntamente com os parceiros perante o país, a TAP, os seus colaboradores e os seus clientes”.

gigante luso-brasileira Ter dois candidatos com passaporte brasileiro no bolso significa, entre outras coisas, que a TAP é companhia que interessa significativamente ao país irmão. A Avianca Brasil (de Efromovich) ocupa actuamente o quarto lugar entre as maiores do Brasil, e voa para 25 destinos. Está integrada no grupo  colombiano Sinergy, o que lhe dá alguma estabilidade, e pretende continuar a expandir a sua actividade e a sua frota, apesar de só ter conseguido registar o seu primeiro resultado anual positivo em 2012.

Já a jovem Azul, criada em 2008, é a terceira maior empresa aeronáutica do Brasil e a que voa para mais destinos (105). Em 2014 fechou o ano com prejuízos de 18,5 milhões de euros e um passivo de 1,7 mil milhões de euros. A semana passada a empresa desistiu, pela terceira vez, de entrar em bolsa, um projecto que tem sido adiado consecutivamente nos últimos dois anos.

Comprar a TAP significaria, para qualquer destas empresas, um salto gigante na aproximação ao objectivo mais óbvio: ultrapassar a TAM e a GOL, companhias líderes de mercado no gigante da América do Sul. 

Recorde-se que, além do know-how, da frota e, claro, da tripulação experiente, quem ganhar a TAP fica também com a Manutenção Brasil, antiga VEM. Os custos de manutenção de aviões representam até cerca de 12% das despesas operacionais de uma companhia aérea, revelam dados do “Valor Económico”. Ora deter uma unidade de manutenção pode traduzir-se numa mais-valia económica significativa. Apesar de a Manutenção Brasil ser o braço mais problemático da TAP – representou perdas de 41 milhões de euros o ano passado –, a verdade é que é um activo valioso, agora que está enxuto da dívida.

Para além de que a TAP, que voa actualmente para 82 destinos, é hoje a companhia estrangeira com mais bases no Brasil e tem rotas bastante competitivas para África. Um autêntico petisco para qualquer destas ambiciosas empresas.

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