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TV e redes sociais. Ferramentas para combater o isolamento
As empresas já olham para o segmento sénior como uma “boa oportunidade” de negócio

TV e redes sociais. Ferramentas para combater o isolamento

As empresas já olham para o segmento sénior como uma “boa oportunidade” de negócio Rodrigo Cabrita Sónia Peres Pinto 23/05/2015 20:06

Um canal de televisão a pensar nos mais velhos é algo que não deverá aparecer nas próximas décadas, dizem os especialistas em media. 

Hoje em dia, os canais generalistas e de notícias, mas principalmente os generalistas, já adaptam os seus programas ao público que está disponível para ver televisão.

Haverá mercado daqui a 20 ou 40 anos para canais televisivos só para o segmento sénior? De acordo com a opinião de alguns especialistas ouvidos pelo i, vai ser “difícil” porque, se a actual oferta televisiva se mantiver como está, também irá satisfazer as necessidades dos futuros reformados que neste momento se encontram no activo. 

“Hoje em dia, os canais generalistas e de notícias, mas principalmente os generalistas, já adaptam os seus programas ao público que está disponível para ver televisão. Esta é a lei número 1 da televisão generalista. Os programas da manhã e da tarde são primordialmente para esse público”, revela Eduardo Cintra Torres. “Não sabemos o que vai acontecer daqui a 20 anos, mas é natural que uma pessoa que esteja agora no activo e se reforme daqui a 20 ou 25 anos seja igual às de hoje. Está mais cansada e o que estará disponível? Estarão disponíveis programas semelhantes aos de hoje, com alguma interactividade, em que poderão participar.” 

O crítico de televisão não afasta totalmente a possibilidade do aparecimento de um canal de televisão destinado apenas ao público sénior desde que haja mercado, mas volta a referir que a actual programação já responde às necessidades desta população. 

Menos convencido desta oferta televisiva a pensar apenas nos mais velhos está o escritor Mário Zambujal – que dirigiu o jornal quinzenal “Sénior” durante nove meses –, ao considerar que todos os canais televisivos devem ser abrangentes e contemplar todo o tipo de programas, incluindo uma programação que interesse às pessoas de mais idade. “Não concordo com um canal televisivo com esse fim, como também não concordo com um partido político só de reformados. Todos os órgãos de informação devem contemplar essa preocupação”, diz, lembrando ainda que os futuros reformados vão estar mais adaptados às futuras tecnologias e, por isso mesmo, “não vão sentir essa necessidade de ter um canal específico para si”. 

A opinião de Eduardo Cintra Torres e de Mário Zambujal em relação aos temas que vão interessar aos futuros reformados é unânime: tal como acontece hoje, também no futuro os temas relacionados com reformas, polícias e exercício físico vão ser os temas eleitos. “Estes assuntos já estão no alinhamento dos telejornais, principalmente os da hora de almoço, que têm como público-alvo esse segmento.”

Mário Zambujal lembra ainda que, apesar de a população ser mais velha, isso não significa que não goste de estar a par da informação do que se passa hoje em dia. “É claro que estão atentos aos cuidados de saúde, às universidade seniores e a todos os assuntos relacionados com a reforma. Mas estas pessoas, independentemente da idade, mantêm interesses na actualidade. Querem saber do cinema e do teatro actual, das novas tecnologias porque, muitas vezes, já dominam as redes sociais.” 

Isolamento Com ou sem canais de televisão a pensar neste segmento, o que é certo é que é necessário combater o isolamento junto da população mais idosa. E, neste campo, também as redes sociais podem dar uma ajuda, e a verdade é que os futuros reformados estão, na sua maioria, mais adaptados às novas tecnologias porque hoje já as usam no seu dia-a-dia. 

“Hoje, a literacia em novas tecnologias, mesmo nos idosos e grandes idosos, é essencial para evitar a exclusão social e todas as consequências que daí advenham”, revela Zaida Azeredo, médica e mestre em Gerontologia Social Aplicada. No entender da responsável, a aprendizagem em novas tecnologias permite diminuir o isolamento do idoso, aproximando-o dos seus familiares a residir longe (ainda que virtualmente) e, ao mesmo tempo, possibilita a criação de uma plataforma de comunicação intergeracional. “Pode criar redes de suporte psicológico e social inter-idosos e estabelecer uma interacção que lhes permita desenvolver habilidades físicas e psíquicas”, afirma. 

Uma opinião partilhada pela socióloga Bárbara Neves ao admitir que iremos ter mais relacionamentos com a mesma geração, devido à crescente longevidade, e com a geração anterior. “Acho que iremos criar outras redes. E um uso crítico das novas tecnologias, como a internet, pode ajudar a manter os nossos relacionamentos.” 

Mercado grisalho Este mercado já merece a atenção das várias empresas e vai ganhar maior relevo nas próximas décadas, uma vez que a população está cada vez mais envelhecida. Este não é apenas um caso português, mas de toda a Europa, como admite ao i Carlos Coelho, especialista em marcas. “No mercado de consumo já há uma grande influência do grisalho e, com o aumento do envelhecimento da população, este vem ganhar ainda maior peso. O aumento da esperança de vida já é um facto e os mais velhos são um segmento com algum poder de compra e com tempo para consumir.” 

E esta tendência poderá ser visível nas actuais campanhas de publicidade de algumas empresas. É o caso, por exemplo, dos bancos e dos produtos de beleza, entre outros. 

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