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Segurança Social. Vamos ter direito a uma reforma daqui a 20 anos?

Segurança Social. Vamos ter direito a uma reforma daqui a 20 anos?

Manuel Vicente Sónia Peres Pinto 23/05/2015 19:00

Para que a Segurança Social seja sustentável é necessário que todos estejam a contribuir.

Incerteza e receio em relação à possibilidade de poderem vir a ter direito a uma reforma dominam as preocupações de vários trabalhares, ouvidos pelo i, na faixa dos 40 anos e que estão actualmente no activo. “Estou a descontar todos os meses para a Segurança Social, mas não sei se vou ter direito a uma pensão quando chegar a minha altura”, revela a empresária Ana Ferreira.

A verdade é que os riscos “são elevados”, como admite ao i Renato Miguel do Carmo, sociólogo e professor no ISCTE. “A Segurança Social enfrenta neste momento vários riscos. Por um lado, os jovens não descontam devido à precariedade laboral que existe e, por outro, temos uma taxa de desemprego muito elevada. Isso significa que temos um conjunto muito alargado de pessoas que deixaram de contribuir, tornando todo este sistema muito instável. Estes dois problemas têm-se agravado nos últimos anos e fazem com que a Segurança Social possa estar em risco.” 

A agravar esta situação está ainda a questão do envelhecimento da população e da emigração. “Temos um conjunto de pessoas em idade activa, muitas delas qualificadas, que estão a sair do país e isso, a prazo, também tem implicações na questão da Segurança Social, porque são menos pessoas a trabalharem em Portugal e que estão a receber um salário, mas não estão a descontar cá”, salienta Renato Miguel do Carmo. 

De acordo com o responsável, uma das formas de “salvar” a Segurança Social é aumentar o emprego e regularizar as relações contratuais para que haja mais trabalhadores a fazer descontos. “Para este modelo ser sustentável é necessário que todos estejam a contribuir. Ou seja, todos têm de descontar para todos poderem usufruir. Essa é uma questão do Estado social e quando se quebra esse contrato na sociedade, de todos para todos, isso pode ter consequências imprevisíveis.” 

Futuro A verdade é que os riscos para os futuros pensionistas são cada vez maiores. Esqueça a ideia de que vai ter uma vida tranquila quando se reformar, já que as regras de acesso têm vindo a apertar e as formas de cálculo são mais penalizadoras, com o peso da fiscalidade a crescer. 

Por isso mesmo, o melhor é criar soluções alternativas para que possa viver de forma mais desafogada. A oferta é variada e só tem de escolher a solução que melhor se adequa ao seu caso. Uma das mais populares tem sido os Planos Poupança Reforma (PPR), mas têm vindo a perder adeptos com a redução dos benefícios fiscais. A maioria destes produtos apresenta capital garantido, por isso, o perfil de risco é moderado. No entanto, interessa sobretudo a quem estiver entre os 40 e os 55 anos.

Outra solução passa por investir nos Certificados de Reforma. Também são conhecidos como os PPR do Estado. O produto foi lançado em Março de 2008 e, na altura, apresentou-se como uma alternativa ao complemento de reforma. É possível descontar todos os meses 2%, 4% ou 6% do salário, consoante a idade. Isso significa que só atingirá o limite máximo do benefício se tiver um rendimento mensal superior a 3645 euros (se descontar 4%) ou superior a 7292 euros (desconto de 2%). Estes descontos vão para uma espécie de fundo que é gerido pelo Estado. O complemento de reforma será tanto mais elevado quanto mais cedo aderir ao regime e mais alta for a taxa de entregas.
 
Os fundos de investimento também podem ser vistos como uma alternativa. São constituídos por diversos investimentos individuais que, em conjunto, são aplicados em vários mercados e valores financeiros, como acções, imobiliário, etc. Ou seja, pequenos investidores entregam as suas poupanças a um gestor profissional. Sempre que o investidor pretenda, pode resgatar o respectivo investimento do fundo. Estes fundos têm sempre a vantagem de contar com carteiras com alguma diversificação e onde é possível investir pequenos montantes. Quem tem maior aversão ao risco, pode apostar nos fundos imobiliários. Os que procuram uma aplicação a médio e a longo prazo podem investir nos fundos de obrigações, e os que querem fugir do risco podem apostar nos fundos de acções. A verdade é que quanto maior for o risco assumido, maior será o retorno. 

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