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O Douro nunca mais foi o mesmo depois da classificação da UNESCO
Estudo da UTAD foi apresentado esta sexta-feira

O Douro nunca mais foi o mesmo depois da classificação da UNESCO

Estudo da UTAD foi apresentado esta sexta-feira DR Jornal i 15/05/2015 17:18

Viticultores dizem que os vinhos valorizaram mas retorno é menos perceptível no comércio local.

A chancela UNESCO trouxe ao Douro um maior impacto no turismo e na valorização dos vinhos, retorno económico que não é tão perceptível no comércio local, segundo um inquérito a residentes no Património Mundial.

Lina Lourenço, professora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), apresentou esta sexta-feira, em Vila Real, o estudo “Estratégias de valorização económica do Alto Douro Vinhateiro”, classificado pela UNESCO em 2001.

No âmbito deste trabalho, entre Setembro e Novembro, foi feito um inquérito a 250 residentes do Património Mundial com o objectivo de avaliar o impacto da chancela UNESCO na região.

Segundo a investigadora, o trabalho conclui que o turismo é a actividade com impacto mais saliente para 56% dos inquiridos, enquanto os comerciantes (38%) revelam uma percepção “mais moderada, pois uma maioria não sente qualquer efeito no retorno económico.

Alguns viticultores consideram que a classificação aumentou a procura e a valorização dos vinhos (efeito maior para 58% ou muito maior para 56%), e 48% dos inquiridos acham que o rendimento económico é maior desde a inclusão do ADV.

No entanto, o estudo ressalva a maior variabilidade de opiniões entre os vários níveis de escala apresentados pelos viticultores, já que 26% considera que o rendimento é “muito menor” ou “menor”.

A chancela UNESCO impulsionou ainda a realização de investimentos de preservação e salvaguarda de património para 34% a nível da recuperação de muros de xisto, de 26% na recuperação de imóveis e 29% na plantação ou replantação de vinha.

Os inquiridos revelaram ainda orgulho na região e preocupações relacionadas com a sazonalidade e aumento do custo de vida.

O trabalho incidiu ainda num inquérito feito aos visitantes, tendo sido avaliadas duas amostras, uma de 189 inquéritos que foi feita em 2008 e outra, de 249 questionários feita em 2013.

“A conclusão mais transversal é que os visitantes atribuem valor à preservação e à presença na paisagem dos três atributos incluídos: a vinha em socalcos amparados por muros de xisto, o mosaico paisagístico e os aglomerados”, referiu Lina Lourenço.

A professora salientou que a diferença entre os dois períodos é que, "em 2013, os visitantes já não estão dispostos a suportar um pagamento (uma taxa) para concluir o programa de preservação do ADV".

A UTAD está também a colaborar com a Comissão Nacional da UNESCO na realização de um estudo, que será divulgado em breve, sobre a efectiva importância económica da chancela da organização mundial nos 15 sítios nacionais classificados como Património Mundial da Humanidade.

O trabalho de Lina Lourenço foi divulgado no decorrer do fórum “Dourovalor”, organizado pela UTAD e a Associação Douro Generation, para promover o Douro Património Mundial e dar passos para a criação de uma rede de cooperação entre regiões classificadas pela UNESCO.

Em representação de Cabo Verde, Jair Fernandes, curador da Cidade Velha, que foi classificada em 2009, fez questão de vir “aprender e interagir com esta rede” de patrimónios mundiais.

“Para nós é extremamente importante sobretudo por se tratar de um processo novo em Cabo Verde e naturalmente que ver experiencias de países como Portugal, Brasil, que há vários anos que estão nesta senda é de suma importância”, frisou o responsável.

Jair Fernandes disse ainda que a classificação posicionou a Cidade Velha como o segundo sítio mais visitado de Cabo Verde.

No encontro desta sexta-feira participaram ainda gestores de patrimónios mundiais de Cabo Verde, Filipinas, Espanha e Itália.

Lusa

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