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Economia PIB cresce à boleia da baixa do petróleo e mais consumo
Oaumento da procura interna foi determinante para o crescimento do PIBno primeiro trimestre

Economia PIB cresce à boleia da baixa do petróleo e mais consumo

Oaumento da procura interna foi determinante para o crescimento do PIBno primeiro trimestre Patrícia de Melo Moreira Filipe Paiva Cardoso 14/05/2015 08:00

Primeiro trimestre de 2015 traz aumento ao nível do início de 2013, explicado pela queda das importações. 

O produto interno bruto (PIB) português cresceu 1,4% em comparação com o valor registado no final de Março de 2014, um salto que ficou pelos 0,4% quando comparado com o valor do PIB registado no final de 2014. Os valores, ainda provisórios, foram ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que atribui uma margem de erro máxima de 0,1 pontos percentuais à previsão. 
 
 
Segundo o instituto de estatística, “a aceleração em termos homólogos do PIB esteve associada ao aumento do contributo da procura externa líquida, em resultado do abrandamento das importações de bens e serviços e da aceleração das exportações”.
 
Segundo a análise do INE à evolução das contas públicas no início deste ano, para o aumento homólogo de 1,4% do PIB muito contribuiu “a redução dos preços dos bens energéticos”, com as importações portuguesas a beneficiar da queda do preço do petróleo nos primeiros três meses do ano, o que baixou os gastos totais com bens associados. 
 
Ainda na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo período de 2014, o INE aponta que “a procura interna apresentou um contributo positivo menos significativo no 1º trimestre, em termos homólogos”. O consumo foi assim mais determinante para a evolução do PIB em cadeia - do fim de 2014 para o início de 2015 – cuja subida de 0,4% “traduziu o contributo positivo da procura interna”. 
 
Apesar dos números positivos, a verdade é que o crescimento ficou aquém do esperado pelo governo. Também as previsões de alguns analistas ficaram longe do valor real: os técnicos do Montepio Geral e da Universidade Católica previam um crescimento de 1,7% e 2,1% nos primeiros três meses do ano, respectivamente. Apenas o BPI avançou com uma previsão de um crescimento homólogo de 1,4%. Em termos de evolução no que falta de 2015, os analistas do BBVA estimam uma desaceleração no ritmo de crescimento, desaceleração essa face à expectativa dos economistas do mesmo banco de um crescimento trimestral de 0,9% - que se ficou pelos 0,4%. 
 
Olhando para a evolução recente do PIB numa perspectiva mais alargada, é de referir que o crescimento homólogo agora registado é o maior desde os 1,4% conseguidos no final do último trimestre de 2013. Os crescimentos homólogos nos quatro trimestres de 2014 chegaram ao máximo de 1,2% no terceiro trimestre, registando saltos de 0,9% tanto no primeiro como no segundo, e de apenas 0,6% nos últimos três meses do ano. 
 
Os números do PIB português comparam ainda favoravelmente com os crescimentos médios registados na
Europa, com a economia da zona euro a avançar 1% em termos homólogos, contra os 1,4% portugueses, que ficaram todavia aquém dos registos de Espanha, Holanda ou Eslováquia, países onde o crescimento superou os 2,5%. 
 
Já a União Europeia como um todo conseguiu uma evolução idêntica à portuguesa: 1,4%. 
“É um valor abaixo do que estava orçamentado e que fica no limite inferior de todas as estimativas”, reagiu João Galamba sobre os números dados a conhecer pelo INE. O deputado socialista enalteceu que “é sempre positivo haver um crescimento”, criticando de seguida o excesso de “entusiasmo” apresentado pelo governo, já que o PIB cresceu “abaixo do previsto”. 
 
Já do lado dos partidos da maioria, o excesso de entusiasmo deu lugar à prudência e, ainda na mesma frase, ao regresso do entusiasmo: “Não entramos em euforias”, apontou Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, que de seguida rematou que este ano até se pode verificar “um crescimento da economia superior ao que está plasmado no Orçamento do Estado”. Já Cecília Meireles, deputada do CDS, apontou que os dados do INE mostram “um crescimento que é real, robusto e sólido”. 
 
Coube ao PCP recordar que o salto do PIB ficou não só aquém do esperado pelo governo como “não se traduz na melhoria das condições de vida dos portugueses”. Posição semelhante à assumida pelo Bloco de Esquerda: “Os indicadores demonstram desigualdade e a vida real das pessoas mostra que os salários não chegam para pagar as contas no final do mês”, disse Pedro Filipe Soares.
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