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Globalstat. O site onde cabe meio século de mundo

Globalstat. O site onde cabe meio século de mundo

Rodrigo Cabrita Marta Cerqueira 11/05/2015 15:00

Uma nova base de dados reúne 500 indicadores de 193 países das Nações Unidas.

São precisos apenas três cliques, garantem os criadores do site, para que toda a informação estatística de 193 países surja no ecrã, organizada em tabelas, rankings ou gráficos. Com os olhos colados na parte esquerda do site da Globalstat – uma plataforma que reúne estatísticas de globalização dos países das Nações Unidas –, começamos com a demografia. Um, dois, três e está dada a confirmação, são apenas precisos três gestos rápidos para perceber que, em 1960, se esperava que cada mulher tivesse 3,19 filhos. Em 2013, esse número desce para 1,32. A curiosidade leva-nos a espreitar o outro lado da tabela: no Portugal de 1960, a esperança média de vida ficava-se pelos 62,81 anos. Já em 2013, a média ficava pelos 80,37 anos. 

São mais de 500 os indicadores que, antes do lançamento da Globalstat, estavam espalhados por mais de 80 institutos, entre eles o Eurostat e o Banco Mundial. Muitos dos números não são novidade, mas esta é a primeira vez que podem ser comparados com os de outros países e mesmo com uma realidade nacional que pode recuar até 55 anos. “Decidimos começar a contagem em 1960, ano de início da recolha de dados feita pelas Nações Unidas e o Banco Mundial”, explica ao i Nuno Garoupa, presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, instituição que contribuiu para o projecto como financiador mas, principalmente, como fonte de conhecimento tecnológico, extrapolando para uma ferramenta mundial a experiência com o Pordata, base de dados que reúne estatísticas nacionais.

Portugal no mundo A base de dados organiza-se de maneira que, de forma intuitiva, todos possam aceder gratuitamente a dados de 12 áreas temáticas que vão desde a demografia ao ambiente, passando pelo desenvolvimento económico, a saúde ou a agricultura.

Joana Martins, coordenadora do projecto, prefere olhar para a plataforma como “um ponto de partida”, mais do que um ponto de chegada. “A dificuldade para quem quer procurar dados deste género é saber onde o fazer. A vantagem do Globalstat é ter tudo agregado e organizado de forma sistemática”, explica. A organização dos dados num só espaço vai permitir também, segundo a coordenadora, perceber as convergências e disparidades entre os países. “Estamos habituados a pensar em Portugal como um país pequeno e somos, de facto, quando comparados com a China, por exemplo. Mas temos mais de 1060 vezes a população de Tuvalu e Nauru, os países com a menor população do mundo. É tudo uma questão de perspectiva.”

Ainda com o foco apontado para Portugal, pesquisas aleatórias levam a conclusões que causam alguma surpresa. Por exemplo, a um nível global, Portugal é o oitavo país mais envelhecido do mundo, com 28,2 idosos por cada cem indivíduos em idade activa. No item relacionado com a riqueza do país, é possível concluir que, se na década de 80 9% do PIB correspondia a verbas transferidas pelos emigrantes, actualmente esse valor é de apenas 1,9%. Em países como a Arménia, o Haiti, a Moldávia, o Nepal e o Quirguistão, esse valor pode corresponder a 20% do valor do PIB.

A comparação entre 1960 – ano do início da contagem no site – e 2013, o último ano com dados actualizados, mostra também que, acompanhando a tendência global, Portugal viu crescer a sua população em quase dois milhões de pessoas. Em todo o mundo, a população duplicou, crescimento acompanhado por consequências ligadas à emissão de dióxido de carbono por habitante que, actualmente, corresponde já ao dobro de há 55 anos. Em Portugal, as emissões de CO2 por habitante estão abaixo da média europeia, mas são hoje cerca de cinco vezes superiores às registadas em 1960.

Melhorar a democracia A apresentação do novo site, disponível online desde quinta-feira, trouxe Poiares Maduro de volta à cidade onde dava aulas antes de entrar no governo. Em Florença, o ministro-adjunto caracterizou a Globalstat como “ferramenta democrática”, pelo seu papel na “melhoria da qualidade da democracia e das políticas públicas”. Levado pela vontade de fornecer informação de forma transparente, Poiares Maduro aproveitou para lembrar a intenção do governo de criar um portal com bases semelhantes para o Portugal2020, “de maneira que as pessoas possam monitorizar as medidas que vão sendo tomadas e, ao mesmo tempo, fazer novas propostas”. Também o primeiro--ministro, Passos Coelho, marcou presença na cerimónia de apresentação, que decorreu em paralelo com a conferência anual do Instituto Universitário Europeu sobre “O Estado da União”. Mostrando-se “orgulhoso” do projecto, o primeiro-ministro lembrou a importância de uma ferramenta que permite a cada país conhecer-se melhor. 

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