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Paulo Portas em Nova Iorque. Faz sol no meu país
BY NIGHT Deixamos os melhores locais de animação nocturna para outras núpcias, ou legislaturas. E não é preciso estar lua cheia para admirar a paisagem de arranha-céus. Sim, estamos em Nova Iorque, a terra de todas as oportunidades

Paulo Portas em Nova Iorque. Faz sol no meu país

BY NIGHT Deixamos os melhores locais de animação nocturna para outras núpcias, ou legislaturas. E não é preciso estar lua cheia para admirar a paisagem de arranha-céus. Sim, estamos em Nova Iorque, a terra de todas as oportunidades Gary Hershorn/Reuters Maria Ramos Silva 28/04/2015 08:00

Paulo Portas está de visita aos EUA para alguns encontros com “private equities”.

O Weather Report prevê poucas abertas para o dia de hoje na cidade que nunca dorme, mas ficar no hotel é interdito. Paulo Portas está de visita aos EUA para alguns encontros com “private equities”. Esqueça, não estamos aqui para falar disso, mas resumimos: o objectivo do vice-primeiro-ministro é convencer os investidores a apostar em Portugal. O nosso é sugerir-lhe alguns pontos de passagem em Nova Iorque para conhecer antes do regresso a casa,

Cafezar

Stumptown Coffee Roasters  “Trataram-me por senhor. É um nível de cerimónia que normalmente não se encontra quando se pede um café em Nova Iorque”, recorda Oliver Strand, quando ao serviço do “The New York Times” testou o serviço desta morada. 

Por 2,5 dólares avia-se o expresso, aconchega-se o ego, e perdoa-se a eventual ignorância de qualquer americano médio sobre o título de “vice-primeiro-ministro”. Natural de Portland, projecto de uma sumidade no sector, Duane Sorenson, o Sumptown Coffee Roasters (20 West 29th Street, Broadway), que abriu em 2009 no Ace Hotel, é um ilustre representante da “terceira vaga do café”, dentro do espírito pós-moderno “da quinta para a chávena”. Não faltam alternativas mais clássicas, como o histórico Caffe Regio (119 Macdougal St), o mais antigo de Greenwich Village, que serviu o primeiro cappucino na cidade; ou o Bowery Coffee (89 East Houston Street), instalado num edifício centenário que outrora pertenceu à família Astor, incluindo John Jacob, o malogrado empresário que foi ao fundo no desastre do Titanic. Os baristas, ao melhor estilo bartender de café, mostram o que valem na maior parte das sugestões deste capítulo. 

Comer

Aldea É natural que uma percentagem razoável de cidadãos esteja um pouco farta de ver políticos a tentar comer como os eleitores, ou melhor, a fazê-lo em público. Em Maio de 2014, aliás, a BBC dedicava todo um artigo a este pequeno flagelo, evocando por exemplo a passagem de David Cameron pelo franchisado português Nando’s, ou o dia em
que o mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio, foi fotografado a comer pizza com garfo e faca, motivando todo um contencioso na capital e arredores. Pela nossa parte, e a fim de dispensar embaraços épicos, contornamos a comida de rua, um dos ex-líbris da cidade, e seguimos para o Aldea, morada bem cotada e ainda por cima com assinatura portuguesa. George Mendes (não confundir com o empresário de futebol) é o chefe estrela da companhia, num espaço onde o minimalismo da decoração não impede a merecida porção no prato. Chamam-lhe “um equilibrado rústico refinado”, e as escalas na ementa passam por iguarias como “camarão ao alhinho”.

Fumar

Nat Sherman Townhouse Nova Iorque é um destino tão amigo dos fumadores como a casinha de Hansel&Gretel de um diabético.

Se puxar de um cigarro é cada vez mais uma demonstração de rebeldia, vendê-los é o santo graal do punk rock. Imune a fobias e restrições, em plena Quinta Avenida, Nat Sherman, da Nat Sherman Townhouse (12 East com 42nd Street) estimula o vício da nicotina desde 1930, “quando os homens eram homens”. Dos cigarros aos charutos, a produção de luxo contagia toda a oferta de tabaco, a começar pelas embalagens, que dão vontade de alienar uma parte razoável de um pulmão, até ao consumidor mais saudável. Estilo e qualidade marcam os três pisos, forrados a madeira, repletos de relíquias do sector, e ainda salas para conferências, lounges e  extractores de fumo individuais para os fumadores mais inveterados. Os rooftops são sempre uma boa solução e o do 230 Fifth (o nome diz tudo, fica no 230 da 5th Ave), o maior lounge nova-iorquino do género, perfeito para assistir ao pôr do Sol, entra directamente na lista. Last but not least, há uma enorme sala de fumo por toda a metrópole. Chama-se rua.

Comprar

Martin Greenfield Clothiers Pode não ser o bairro mais acessível para quem está em contra-relógio, mas vale a pena dar um salto a Brooklyn, por todas as razões e mais algumas – e nenhuma delas para avistar rapazes barbudos com saquinhos de pano a tiracolo e outros acessórios comprados na Etsy. Há 65 anos que Martin Greenfield, a maior lenda viva da alfaiataria norte--americana, faz fatos por medida e marcação. De Boardwalk Empire a Bill Clinton, entre outros presidentes, é ele o responsável pelo figurino dos famosos.

A Clothiers (239 Varet Street) é o quartel-general do mestre, de origem checoslovaca, que sobreviveu ao Holocausto, e que em 2014, porque há vidas que dão um livro, viu editado “From Auschwitz Survivor to Presidents’ Tailor”. Depois temos a secção do calçado. Até 2008, quando a Leffot (10 Christopher St.) abriu portas, os dandies americanos tinham de rumar ao velho continente para satisfazer boa parte dos seus caprichos em matéria de brogues e oxfords com cunho artesanal. Tudo mudou com este pequeno reduto de culto em West Village, que vende marcas de renome como Alfred Sargent, Aubercy, Corthay ou Edward Green, na medida certa. Tudo sob o comando de Steven Taffel, o especialista consultado pelo “The New York Times” quando o jornalista iraquiano Muntader al-Zaidi decidiu fazer tiro ao alvo ao antigo presidente George W. Bush com um sapato.

“Os sapatos usados não deviam ser muito bons – quero dizer, o jornalista falhou o alvo duas vezes. Imagine o estrago provocado com uns genuínos Alden, com a sua sola dupla em pele. Isso sim, teria magoado.”

Já sabe, para atacar, ou para se defender, nada como um bom par de sapatos. Mas mantenha presente que a eficiência tem um preço. E esse preço pode rondar
os 1200 dólares (consultámos o conversor de moedas e, sim, dá mais de dois ordenados mínimos: 1100 euros).  

Ver

Film Forum É um verdadeiro paraíso para os cinéfilos com predilecção especial pelos títulos clássicos. Há mesmo quem diga que se a famosa colecção Criterion abrisse o seu próprio espaço seria parecido com este fórum (209 W Houston St.). O revivalismo tem direito a edições restauradas e o alinhamento contempla ainda algumas das melhores novidades independentes internacionais. Uma nota, porém, para os amantes de pipocas. Se as apreciam com manteiga, nada feito por aqui. Se, por outro lado, atentam na dieta, tudo resolvido. 12,5 dólares é o valor da entrada.

Falar de Nova Iorque e esquecer o Museum of Modern Art (MoMA) (11 W 53rd St) é tão deselegante como botar assunto sobre uma coligação e omitir da conversa um dos parceiros. Venerável instituição da arte na Grande Maçã, aloja três ecrãs de cinema e é responsável pela exibição de até 400 fitas por ano, incluindo ciclos especiais, como Cinema Underground Chinês. Oideal para frequentadores com espírito arty. 

Ler

192 Books É sinónimo de glamour e curadoria meticulosa, mano a mano com as galerias de arte e lojas apetecíveis de Chelsea. Ficção e arte contam-se entre as categorias mais abrangidas pela 192 Books (192 Tenth Avenue), em Manhattan, um espaço acolhedor que convida à leitura e que não raras vezes permite encontros com os autores. No caso da McNally Jackson é quase obrigatório julgar os livros pela capa, e acima de tudo avaliar a casa pelo aroma, um cruzamento entre as folhas dos livros novos e os grãos de café que se torram na hora. Entre os pontos extra está a colecção de estacionário e a opção de imprimir o seu próprio livro, na já conhecida Espresso Book Machine.

Ainda em Manhattan, mas num contexto mais festivo, a Housing Works (126 Crosby Street) pode gabar-se de já ter assistido a casamentos e a outros eventos extraliterários que passam por extravagâncias como uma festa dançante ao som de Prince, com Ali Shaheed Muhammad dos A Tribe Called Quest ao leme dos discos. As promoções são habituais e a Housing Works distingue-se ainda por apresentar a bibliografia completa de F. Scott Fitzgerald, ou “o poeta do tempo emprestado”, como o definiu o professor e crítico literário Arthur Mizener, elogiando na sua obra “a precisa consciência da irrevogável passagem de tudo a passado”.

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