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“O olhar do mundo virou-se para nós” depois dos prédios devolutos da Fontes Pereira de Melo
Grafite do artista Smile na Quinta do Mocho

“O olhar do mundo virou-se para nós” depois dos prédios devolutos da Fontes Pereira de Melo

Jornal i 26/04/2015 15:27

A arte urbana é indicada por turistas estrangeiros como um dos factores de satisfação em visitas a Portugal.

“Sabemos pela dinâmica de actividades turísticas que observamos e pelas respostas aos inquéritos que fazemos que a arte urbana é já um dos motivos de agrado importantes nas viagens de ‘city breaks’ e de ‘touring’”, apesar de não haver “dados que permitam suportar a opinião de que a arte urbana é já uma motivação primária de viagens a Portugal”, afirmou o presidente do Turismo de Portugal, João Cotrim Figueiredo. 

O responsável acredita que, “continuando a fazer um trabalho coerente e persistente na área da criação e promoção deste tipo de oferta, haverá oportunidade, a prazo, de tornar esta atividade na tal motivação primária”. 

Também o Gabinete de Arte Urbana (GAU), da Câmara de Lisboa, não tem dados sobre o tema, no entanto, segundo a sua coordenadora, “há provas que indicam que há turismo cada vez mais interessado na arte urbana”.

“Não temos números, nem estatísticas, porque é algo que está no espaço público. Não é fácil de controlar ou contabilizar, como acontece num museu”, referiu Sílvia Câmara.

A responsável refere como “momento de viragem” a pintura das fachadas de prédios devolutos na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, em 2010, por OsGémeos (Brasil) e Blu (Itália). Segundo Sílvia Câmara, foram essas obras, realizadas no âmbito do projecto Crono, que “fizeram o olhar do mundo virar-se para Lisboa”.

“Na altura o jornal britânico The Guardian fez um top 10 das melhores obras de ‘street art’ do mundo e aquela obra foi selecionada”, recordou.

As visitas guiadas dedicadas ao tema que já existem na cidade e a edição, em julho do ano passado, do primeiro volume de uma coleção de livros sobre a arte urbana em Lisboa, “um pequeno roteiro turístico-cultural que contém um mapa”, da Zest – Books for Life, são, para Sílvia Câmara, provas do “interesse turístico na arte urbana”.

A responsável destaca também a curiosidade de jornalistas internacionais, que visitam a cidade e pedem ajuda da GAU, de turistas que se deslocam aos escritórios “para saber se há mapas ou visitas guiadas” e de artistas “que vêm de férias a Lisboa e contactam a GAU porque querem fazer uma peça na cidade”.

Para Sílvia Câmara, outra “prova muito sintomática do interesse” no tema é o roteiro turístico alemão sobre Lisboa “com uma secção dedicada à arte urbana”.

“É uma das coisas que os turistas querem ver nas cidades e cada vez há mais público que vem à procura de arte urbana”, referiu a responsável daquela estrutura, coordenada pelo Departamento do Património Cultural da Câmara de Lisboa e que foi criada em 2009.

Já o presidente do Turismo de Portugal salienta que, num trabalho diário da equipa do portal de promoção turística Visitportugal, é fácil reconhecer o impacto que causam os conteúdos relativos à arte urbana, pela interação e pelo envolvimento que geram entre a comunidade.

“Destacar o tema nalgumas ações de promoção é uma forma de refletir o crescente interesse que o tema tem suscitado nos últimos anos, sendo também um meio eficaz de chamar a atenção sobre o património nacional”, afirmou João Cotrim de Figueiredo.

O responsável deu como exemplo a participação do artista português Gonçalo MAR nas comemorações do Dia de Portugal, em Hamburgo, na Alemanha, em 2014, “com um trabalho alusivo à região vinícola do Douro e do produto Gastronomia e Vinhos”, e na Feira Internacional de Madrid, Espanha, já este ano, na qual o trabalho de MAR esteve exposto.

Nesta feira marcou também presença Diogo Machado, que assina Addfuel, que “no seu trabalho utiliza um aspeto muito importante da cultura portuguesa, os padrões de azulejo, através de uma técnica de ‘stencil’”. 
Lusa
 

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