13/11/18
 
 
Vilamoura. A história do resort que foi vendido aos americanos

Vilamoura. A história do resort que foi vendido aos americanos

08/04/2015 10:00
Há mais de dez anos que um dos mais atraentes destinos turísticos do Algarve já não é português

Vilamoura foi vendida por 200 milhões de euros à gestora de fundos americana Lone Star, criada em 1995, no Texas, que comprou ao Catalunya Banc os activos imobiliários e a concessão da marina através da empresa espanhola Lusort.

O destino turístico mais popular do Algarve, porém, já deixou de ser português há mais de uma década. Recuemos ao início desta história. Antes de se tornar o mais importante empreendimento turístico do país, a área da Quinta da Quarteira (actual Vilamoura) era uma das propriedades mais ricas do Algarve, detida, na década de 30, por José António Júdice Fialho, um dos grandes industriais de conservas da Europa que, nos últimos anos de vida, se virou para a agricultura, tendo adquirido várias propriedades na região algarvia.

Anos mais tarde, já na década de 60, o banqueiro e fundador do Banco Português do Atlântico, Arthur Cupertino de Miranda, comprou a quinta de 1600 hectares aos herdeiros de Júdice Fialho por 150 mil contos (748 mil euros), com o intuito de criar nesse local o maior empreendimento turístico privado da Europa.

É a 21 de Outubro de 1964 que a nova sociedade privada, a Lusotor, altera o nome de Quinta da Quarteira para Vilamoura. Posteriormente, em 1996, o empresário André Jordan, natural da Polónia mas com dupla nacionalidade (incluindo portuguesa), responsável pela construção da Quinta do Lago, em Faro, apostou também na revitalização de Vilamoura, comprando parte da Lusotor. Em 2000, fica com tudo.

Em 2004, Vilamoura deixou de ser portuguesa quando Jordan a vende a um grupo imobiliário espanhol, Prasa, por 360 milhões de euros. Após a falência da Prasa, em 2010, a Lusort vai parar ao Catalunya Banc, que fez de tudo para vender o resort.

O processo de negociação prolongou- -se devido à crise e foi agora fechado pela americana Lone Star. Há cinco anos, no entanto, valia três vezes mais. A transacção constitui a maior operação no sector do turismo em Portugal nos últimos dez anos, segundo a consultora imobiliária CBRE. O valor é também inferior ao que foi pago pelos espanhóis, em 2004, ao antigo proprietário, André Jordan.

Dos dois mil hectares, apenas 700 mil metros quadrados podem ser usados para construção. É neste espaço que deverá surgir nos próximos anos a Cidade Lacustre, um resort de luxo construído sobre a água.

O projecto, com 20 anos, inclui a construção de vários empreendimentos que ficarão unidos por um conjunto de lagos artificiais. A 14 de Abril do ano passado, mereceu o despacho favorável do governo. Este projecto é visto por vários especialistas como uma das razões que levaram a gestora de fundos americana Lone Star a investir em Vilamoura.

Este projecto de urbanização é descrito pelo site da Lusort como um projecto \"único e pioneiro\" em Portugal. A Cidade Lacustre será composta por três lagos artificiais que serão construídos ao lado da marina, sendo as casas apenas acessíveis por barco. Para além da zona residencial, serão construídos também passeios pedonais, hotéis, uma zona comercial e uma de lazer. Segundo a Lusort, o projecto desenvolvido pela Broadway Malyan \"é uma cidade que se adianta ao futuro e em que a água é a protagonista\".

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×