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PJ. Uma nova sede para os próximos 50 anos

PJ. Uma nova sede para os próximos 50 anos

10/03/2014 00:00
Um Laboratório de Polícia Científica oito vezes maior e mil gabinetes de trabalho que vão permitir juntar todas as unidades. Nova sede abre hoje as portas

Um heliporto com capacidade para receber helicópteros de seis toneladas, vidros antibala, salas preparadas para se trabalhar 24 sobre 24 horas num cenário de catástrofe, barreiras arquitectónicas que conseguem travar a entrada de um camião TIR a 80 quilómetros por hora e lombas sonoras preparadas para levantar uma placa de aço e evitar uma intrusão no edifício. A nova sede da Polícia Judiciária (PJ), que esta manhã é inaugurada, tem a forma de um oito geométrico e foi desenhada a pensar no futuro. Mas do que vai precisar uma polícia de investigação criminal daqui a 50 anos e se, no entretanto, for necessário responder a uma catástrofe?

Para começar, vai precisar de espaço. O edifício tem 40 mil metros quadrados acima do solo e outros 40 mil abaixo da superfície. Nos subterrâneos, além dos pisos de estacionamento e de armazéns de apoio às unidades, vão funcionar duas carreiras de tiro: numa delas, de 25 metros quadrados, vai ser possível fazer tiro real a partir de um carro ou em direcção a ele.

Um dos blocos, com quatro pisos acima do chão, servirá exclusivamente o Laboratório de Polícia Científica, com uma área oito vezes maior que a actual. Terá instalações preparadas para tratar efluentes, está capacitado para fazer exames a veículos de grande dimensão e tem ainda uma sala exclusivamente destinada a perícias-áudio.

Para responder a eventuais catástrofes e emergências, haverá uma sala multimédia (sala de situação) típica de séries de investigação criminal, com imagens projectadas na parede, 23 postos de trabalho nas secretárias e em que várias forças de segurança poderão tomar decisões operacionais sem interferir com as comunicações umas das outras. À volta, existem outros dez compartimentos que permitirão transformar aquele espaço numa espécie de bunker: tem sala de estar, sala com extracção de fumos, casa de banho e kitchenette para o caso de ser necessário enfrentar um cenário de risco durante vários dias.

Mas o edifício não está exclusivamente destinado a servir a PJ. Tem dois auditórios que poderão ser abertos, por exemplo, a reuniões e conferências do Ministério Público, um apartamento para albergar testemunhas que necessitem de protecção e um heliporto que não servirá apenas os inspectores em eventuais casos de terrorismo ou tráfico de droga. Estará também ao serviço de outras entidades públicas, em situações de emergência em que seja necessário transportar alguém para a cidade ou para fora dela.

À excepção da Directoria de Lisboa e Vale do Tejo, que se manterá a trabalhar no edifício antigo, todos os outros departamentos, mesmo os que estavam espalhados por outros edifícios de Lisboa, como a Unidade Nacional de Combate à Corrupção ou Contra-Terrorismo, passam para o novo megaedifício da Gomes Freire, mas com critérios de isolamento. Como o espaço terá segurança máxima, e a entrada em cada zona estará dependente de impressões digitais e códigos, há funcionários que não vão conseguir entrar em territórios alheios. Tudo para que seja mantida a segurança e independência das investigações.

O maior edifício da Gomes Freire terá ainda mais de mil gabinetes de trabalho. Os inspectores-chefes ficarão em salas ao centro, separadas das dos outros inspectores por vidros: se o isolamento for necessário, há estores que correm; caso contrário, todos conseguirão ver-se e comunicar entre si. As obras custaram 84 milhões de euros e a empresa que venceu o concurso teve de corresponder a critérios apertados de sigilo. As plantas não podem ser divulgadas e há salas que nem os construtores sabem para que servirão.

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