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Rainha de Inglaterra perdoa a homossexualidade de Turing

Rainha de Inglaterra perdoa a homossexualidade de Turing

24/12/2013 00:00
Matemático foi condenado a castração química em 1952 por "actos indecentes" com outro homem

Há quem diga de Alan Turing que foi o pai da computação moderna: depois de, aos 24 anos, se ter consagrado com a concepção das bases teóricas de uma máquina que fazia operações lógico-matemáticas, em 1943 o britânico liderou o projecto Colossus, um computador inglês que foi utilizado na Segunda Guerra Mundial e que utilizava símbolos perfurados em fitas de papel processados a uma velocidade de 25 mil caracteres por segundo.

Com a missão de quebrar códigos alemães ultra-secretos, há quem diga que a máquina inventada por Turing - antecedente do computador - contribuiu para a vitória dos aliados na guerra.

No início dos 50, e apesar de as descobertas lhe trazerem reconhecimento público, o matemático e criptoanalista britânico começou a ser perseguido pela sua homossexualidade. À data os actos homossexuais eram considerados obscenos e criminosos.

Em 1952 foi julgado por actos indecentes com outro homem e impedido de continuar o seu trabalho. Foi ainda condenado a terapias à base de estrogénio, a hormona feminina, equivalente à castração química. Os tratamentos tiveram o efeito secundário humilhante de lhe fazer crescer os seios. Dois anos depois da sentença, a 8 de Junho de 1954, Turing foi encontrado morto por um empregado na sua casa em Wilmslow, no condado de Cheshire.

Ontem, quase 60 anos após o suicídio do matemático com cianeto, aos 41, Turing foi perdoado postumamente pela rainha de Inglaterra e a sua condenação retirada.

Até ontem, a pouco conhecida prerrogativa real de perdão só tinha sido usada em casos em que a pessoa condenada estava inocente ou perante o pedido de alguém com interesse no caso, como um membro da família do condenado. No caso de Turing, contudo, não houve familiares nem amigos a mover montanhas pelo seu bom nome.

O perdão surge após uma campanha sustentada de cientistas ao longo dos últimos anos, incluindo Stephen Hawking, que entregaram ao governo uma petição com mais de 37 mil assinaturas.

Anunciando o perdão, o secretário de Estado britânico da Justiça, Chris Grayling, disse que Turing "merece ser lembrado e reconhecido pela sua contribuição para os esforços de guerra. Um perdão da rainha [Isabel II] é um tributo adequado a um homem excepcional". Desde 1945, apenas três perdões reais foram concedidos em Inglaterra e Gales.

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