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O Bloco Central só aconteceu uma vez e já passaram trinta anos. Viagem a 1983

O Bloco Central só aconteceu uma vez e já passaram trinta anos. Viagem a 1983

02/06/2013 00:00
O acordo do Bloco Central foi assinado há 30 anos. Foi a primeira vez e única que PS e PSD se juntaram numa grande coligação

O Bloco Central faz amanhã 30 anos. A 4 de Junho de 1983, Mário Soares e Carlos Alberto da Mota Pinto assinavam o acordo para um executivo de coligação PS/PSD, uma aliança até então inédita e nunca mais reeditada.

Os acontecimentos que levaram à assinatura desse acordo precipitaram-se meses antes, com a demissão do então primeiro-ministro Pinto Balsemão, que substituíra em 1981 Sá Carneiro, após a morte do antigo líder do PSD.

O Presidente da República, Ramalho Eanes, recusa então indigitar como primeiro-ministro Vítor Crespo - o nome indicado pelo PSD para suceder a Pinto Balsemão e aprovado pelo Conselho de Estado por uma margem de oito votos a favor e sete contra - e a 4 de Fevereiro de 1983 marca eleições legislativas antecipadas para o dia 25 de Abril.

Com o país mergulhado numa grave crise económica, são os socialistas que vencem as eleições, mas falham a maioria, conquistando apenas 36,11 por cento dos votos (101 deputados). O PSD ficou com 27,24 por cento dos votos, assegurando a eleição de 75 parlamentares.

Com um governo minoritário em mãos, o líder do PS, Mário Soares, convida então o PSD de Mota Pinto a estabelecer uma aliança governamental pós-eleitoral.

O acordo para o executivo de coligação, que ficaria conhecido como o governo do Bloco Central, foi assinado a 4 de Junho e cinco dias depois, a 9 de Junho de 1983, o IX Governo Constitucional tomou posse, liderado por Mário Soares e tendo como vice-primeiro-ministro Mota Pinto, líder do PSD.

Trinta anos depois, Mário Soares aponta ainda este governo do Bloco Central como exemplo de uma boa coligação. "Com o professor Mota Pinto, que era uma figura importantíssima, nunca tive o mais pequeno dissabor. Antes pelo contrário, era uma figura excepcional. Nunca tive o mais pequeno problema com ele, nem ele comigo, foi perfeito e durámos dois anos, ele era tratado como o número dois", declarou há cerca de duas semanas, falando a propósito do actual executivo de maioria PSD/CDS-PP.

Um dos maiores desafios que o governo do Bloco Central acabaria por enfrentar foi a primeira intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal, com quem assinou um memorando de entendimento apenas dois meses depois da tomada de posse.

Seguiram-se dois anos difíceis, com subidas de impostos e de preços de bens essenciais, crescimento do desemprego e salários em atraso, congelamento de investimentos públicos, além de um corte de quase 30 por cento no subsídio de Natal de 1983 e da desvalorização do escudo.

Já em início de 1985, Mota Pinto abandona a liderança do PSD, sendo substituído interinamente por Rui Machete no partido. No governo é também Rui Machete que assume o cargo de vice-primeiro-ministro e a pasta da Defesa.

Inesperadamente, Mota Pinto acabaria por morrer poucos dias antes do congresso do PSD da Figueira da Foz, que consagrou Cavaco Silva como líder social-democrata. Com um novo nome à frente do PSD e quase dois anos e meio depois da tomada de posse, a coligação PS/PSD parte-se. Cavaco Silva venceu o congresso da Figueira da Foz colocando-se como adversário do governo do Bloco Central - que terminou o seu mandato a 6 de Novembro, depois das eleições realizadas um mês antes terem dado a vitória ao PSD de Cavaco Silva, embora sem maioria absoluta. Mário Soares será eleito Presidente da República apenas três meses depois. Lusa

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