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David Horn. "Podíamos construí-los agora na Lua"

David Horn. "Podíamos construí-los agora na Lua"

22/08/2013 00:00

É um dos directores do Consórcio Internacional do Elevador Espacial (ISCE) e presidente da conferência que se realiza anualmente. De hoje a domingo, em Seattle, vai falar-se e muito de elevadores espaciais. David Horn vai estar por lá e partilhou com o i um pouco da sua visão do transporte do futuro.

Precisamos realmente de elevadores espaciais?

Precisamos de uma forma mais barata de chegar ao espaço a partir da superfície da Terra. Os elevadores espaciais podem baixar 100 vezes os custos de lançamento. O preço de uma viagem orbital seria equivalente ao preço de uma viagem de avião em primeira classe.

A construção custará entre 10 e 50 mil milhões de dólares. Este é um dos principais entraves ou conseguimos financiá-lo?

O custo não é o problema, porque o retorno do investimento aconteceria em poucos anos. O grande obstáculo são os materiais para construir o cabo para o elevador especial. A tecnologia é possível na teoria, mas ainda não chegámos lá.

Os nanotubos de carbono foram um grande avanço. Mas um avanço muito ou pouco importante quando falamos de elevadores espaciais?

Os nanotubos de carbono são o material mais prometedor. O rácio força/peso é óptimo para um elevador especial.

Quais são actualmente os grandes desafios tecnológicos e de engenharia?

O grande desafio é fazer o cabo macroscópico a partir de materiais nanoscópicos que mantenham um elevado rácio de força/peso.

David Appell, jornalista de ciência norte-americano, publicou um artigo em que falava daquilo a que chamou "o problema do não-obtível (obtainium)", ou seja, a necessidade de um material que não existe. Conseguimos ultrapassar isto?

Os nanotubos de carbono e os nanotubos de nitreto de boro são materiais promissores. No entanto, o David tem razão: ainda temos de obter o conhecimento para transformar esses materiais num longo cabo para um elevador especial.

Vamos supor que encontramos o material certo. Quanto tempo demoraria até termos um elevador a subir e a descer?

A estimativa é de que quando tivermos os materiais certos conseguimos ter um elevador a funcionar numa década. O primeiro a ser construído teria de ser apenas para carga e depois seria construído (reforçado) com um factor de segurança suficientemente alto para seres humanos (da mesma maneira que um elevador tem de ser capaz de levantar muito mais peso que a sua suposta capacidade para ser considerado seguro).

Comprava um lugar na viagem inaugural?

Assim que o elevador estivesse pronto para transportar passageiros humanos, claro que sim!

Quanto imagina que custará um bilhete para um turista?

Qualquer coisa à volta dos 100 dólares (74?) por quilo, mais ou menos o preço de um bilhete em primeira classe para um voo intercontinental.

Uma vez disse que com os materiais que já temos podíamos construir um elevador na Lua. Porque é que ainda não estamos a construí-lo?

Para um elevador lunar há menos requisitos de força, por causa da baixa gravidade e da menor taxa de rotação da Lua. O problema é que ainda temos de sair da superfície da Terra a um preço mais baixo que o actual para podermos optimizar o uso de um elevador lunar. Também precisamos de uma maior procura de materiais lunares. Talvez venha a ser esse o caso quando precisarmos de hélio-3 para centrais de fusão na Terra ou geradores de energia solar a orbitar o planeta.

Acredita que a Obayashi Corp. vai conseguir ter um elevador pronto em 2050?

Se conseguirmos os materiais nos próximos 20 a 30 anos, diria que essa data é exequível.

Os elevadores espaciais são uma fantasia ou uma inevitabilidade?

Eu diria que são inevitáveis. Podíamos construí-los agora na Lua, ou até em grandes asteróides, mesmo que nunca cheguemos a construir um na Terra. Quando sairmos do nosso planeta e começarmos a colonizar outros mundos no nosso sistema planetário, vamos precisar de uma maneira mais barata e com uma maior capacidade de elevação, algo que os elevadores espaciais podem proporcionar.

Ao longo dos dez anos de conferências quantos degraus subiram?

Muitos aspectos operacionais, de engenharia, ciência e legislação foram explorados e aperfeiçoados. Por exemplo: como lidar com detritos espaciais, como operar uma grande base no oceano, que leis internacionais do espaço precisariam ser alteradas, como é que o cabo inicial será implantado, qual é o comportamento de cabos muito longos, como ligar os ascensores, e muitos outros aspectos do elevador espacial e do seu ambiente. Todos os anos temos novas e melhores ideias para que quando os materiais estiverem prontos uma série de outros desafios já tenham sido superados.

Quando o céu já não for o limite, qual será? Marte?

Rapidamente teremos elevadores em Marte, permitindo o comércio de duas vias entre os planetas.

[*VEJA-TAMBEM*]

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