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Governo Sócrates responsabilizado por aeródromo de 8 milhões

Governo Sócrates responsabilizado por aeródromo de 8 milhões

13/09/2013 00:00
Autarquia candidatou-se à instalação da base da Protecção Civil. Caderno de encargos exigia pista com capacidade para aviões pesados

Foram 8 milhões de euros para aumentar o aeródromo de Ponte de Sor, mas o investimento teve em conta a candidatura à instalação da base aérea da EMA, com os meios aéreos da Protecção Civil, ainda em 2007.

O presidente da Câmara de Ponte de Sor, João Taveira Pinto, disse ontem ao i que a dimensão da pista, que pode receber aviões da dimensão do Airbus A320, se devia "ao caderno de encargos, que pedia uma pista com capacidade para receber os aviões pesados de combate a incêndios". "O nosso objectivo não é ter cá passageiros", mas o "governo acabou por não os comprar. O concurso foi lançado ainda com António Costa como ministro da Administração Interna, mas depois ele saiu e o ministro seguinte (Rui Pereira) deixou cair a compra dos aviões. O governo não cumpriu no que respeitava aos aviões de carga, só que as obras da pista já estavam a ser feitas", justifica o autarca, negando que tenha sido uma má despesa pública, apesar de ser explicada no livro "Má Despesa Pública nas Autarquias", que o i referiu ontem.

No concurso de 2007, a avaliação às instalações refere que foi tida em conta a capacidade da pista para a "operação das aeronaves já adquiridas e a adquirir pelo Estado, designadamente os helicópteros médios e ligeiros e os aviões pesados anfíbios". A avaliação procurou ainda "disponibilidade de espaço para a instalação dos serviços de operação e manutenção das aeronaves [...] com os diversos apoios considerados mínimos e indispensáveis a uma operação aérea para seis helicópteros médios, quatro helicópteros ligeiros e dois a quatro aviões pesados". Para isso, o concurso pedia uma placa de estacionamento mínima de 8 mil m2, uma pista com um mínimo de 1500 metros e "infra-estruturas de aeródromo de classe 2C, aprovado pelo INAC". O mesmo documento refere que a pista já tinha então mil metros "onde seria fácil acolher uma extensão até aos 1500 metros e respectiva electrificação".

Portugal tinha comprado, em 2006, seis helicópteros pesados Kamov Ka-32, que entraram ao serviço em 2008. Entretanto, o governo decidiu extinguir a EMA, passando o Estado a alugar helicópteros para combate a incêndios. Este ano, a Autoridade Nacional de Protecção Civil assinou num contrato de aluguer de 25 helicópteros ligeiros com a empresa Everjets, num negócio de cerca de 40 milhões de euros.

João Taveira Pinto garante que, apesar da dimensão, as instalações do aeródromo estão a ser dinamizadas: "Temos de vender o que cá temos. Evoluímos e queremos que aquele seja um espaço-âncora. Já lá temos a base da EMA (Empresa de Meios Aéreos, criada em 2007), a escola de formação e certificação de pilotos e estamos a preparar um campus universitário, que terá cursos relacionados com a Aeronáutica" para cerca de 200 alunos, garantiu.

O autarca, em fim de mandato, acrescenta ainda que a Força Aérea já usou aquele aeródromo como campo de treino e que os aviões C-130 já estiveram baseados naquela pista.

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