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Carvalho da Silva abandona PCP em segredo

Carvalho da Silva abandona PCP em segredo

23/08/2013 00:00
Carvalho da Silva terá entregue o cartão pouco tempo depois de deixar a liderança da CGTP

Carvalho da Silva desfiliou-se do PCP, mas optou por não tornar pública a sua decisão. O i apurou que o ex-líder da CGTP entregou o cartão de militante, o que terá acontecido pouco tempo depois de sair da liderança da CGTP, no início de 2012.

Carvalho da Silva, questionado pelo i sobre se tinha entregue o cartão de militante, disse apenas que "é um assunto" para o qual "não tem resposta nenhuma". "Já disse o que tinha a dizer sobre o PCP", acrescentou.

O gabinete de imprensa do PCP, em resposta à mesma questão, disse apenas que "o pedido de esclarecimento sobre essa matéria deve ser dirigido ao próprio".

Tanto Carvalho da Silva, como o PCP, preferem manter em segredo o assunto, mas as relações entre os dois há muito que são tensas. O homem a que alguns chamam o "Lula português" chegou mesmo a afirmar que a sua "ligação ao PCP caminhou no sentido de se tornar muito ténue".

Esta afirmação levou a que, numa entrevista à Antena 1, fosse questionado - um mês antes de dar o lugar a Arménio Carlos - sobre se a sua saída da CGTP poderia levar a que também deixasse o PCP. Carvalho da Silva preferiu dar uma resposta vaga, mas, mais do que isso, considerou que essa era uma questão do "foro pessoal". "Os nossos actos, mesmo nas opções políticas, têm determinadas dimensões que são do foro pessoal".

A CAMINHO DE BELÉM? Carvalho da Silva é apontado como um dos candidatos de esquerda à Presidência da República e, após a saída da liderança da CGTP ao fim de 25 anos, envolveu-se no Congresso Democrático das Alternativas, do qual foi um dos promotores com várias figuras ligadas ao BE e ao PS.

Uma iniciativa que o PCP nunca viu com bons olhos. Antes do congresso, realizado no dia 5 de Outubro de 2012, os comunistas deixaram claro, em comunicado, "a sua clara reserva quanto à sua natureza e origem". Mais do que isso, o PCP considerou que qualquer alternativa à política seguida pelo governo é "incompatível com actos sectários e de objectiva marginalização".

Com a desconfiança do PCP, o encontro foi interpretado pelos mais cépticos como uma plataforma para apoiar a candidatura de Carvalho da Silva à presidência da República. Uma hipótese afastada pela maioria dos promotores, embora o capitão de Abril Vasco Lourenço tenha confessado a i, uns dias antes do congresso, a expectativa de que "desta movimentação e da futura movimentação" surja "uma candidatura com "capacidade para ganhar as presidenciais". O encontro, que ficou conhecido como o congresso das esquerdas, marcou a ruptura, mas não é de hoje que as relações são difíceis. Nas autárquicas de 2009, Carvalho da Silva apoiou a candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa. Um acto pouco comum dentro do PCP, que aprofundou as divergências entre o partido e um líder da CGTP que fintou a ortodoxia dos comunistas.

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