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Luís Filipe Barros. "Devo ter feito uma onda média no FM porque abanei aquilo tudo"

Luís Filipe Barros. "Devo ter feito uma onda média no FM porque abanei aquilo tudo"

06/12/2013 00:00
Quase 35 anos depois do primeiro "Rock em Stock", o locutor é uma das figuras que inspira "Filhos do Rock", série que se estreia amanhã, na RTP

Jorge Palma parecia um pinto quando lhe bateu à porta da Comercial, a mesma rádio onde Zé Pedro chegou a contar postais e a atender telefones, "vestido de cabedal e com uns alfinetes". Rui Veloso fez o que pôde para levar um autógrafo de Peter Gabriel. Os GNR valeram-lhe passagem pelo quartel do Carmo, onde se pensava que o grupo do Porto era uma trupe de agentes que andava por aí a cantar que Portugal entrara na CEE. Os colegas não pouparam insultos à farpela dos Heróis do Mar. Falta falar dos metaleiros da periferia e das tias de Cascais, fãs da suavidade glam. Todos ao Rock em Stock do "Berros", o locutor que em 1979 instalou a barulheira aos microfones, com um armazém de malhas que fez escola. "Foi bom, pá", desabafo final de quem foi apanhado pouco antes de sair para mais um almoço, onde a cantiga é outra.

Estou a fazer uma coisa que durante muitos anos não pude fazer, que é estar com os amigos à vontade, sem ter preocupação de voltar à rádio e trabalhar.

São amigos dos tempos da rádio?

Alguns da rádio, outros são músicos. Almoço com o Fausto todas as quartas-feiras no Museu do Traje, temos um grupo enorme. É uma tertúlia. Foi através de um amigo meu no Facebook, que já não via há muitos anos, o Eduardo Miragaia, que se lembrava de mim quando estava na Renascença. Convidou-me para o grupo.

Fala-se de música?

É de morrer a rir. São mais conversas de circunstância. Até porque o Fausto é muito prima-dona. Se a gente lhe pergunta como é que correu um concerto, ele fica logo... [risos]. Mas é uma malta engraçada, tudo mais velho que eu.

Não havia tempo para cultivar estes grupos quando fazia o "Rock em Stock"?

Não podia. Ia almoçar com a malta a um restaurante ao lado da rádio, lá levava uma garrafa de tinto. Este grupo fica no restaurante até às seis da tarde, até tocar a sineta. Depois tenho outros amigos que estão no activo, como o José Nunes, da Sport TV. No outro dia ligou-me para irmos comer um cachaço a Mem Martins. O José Barros, dos Navegante, ligou-me ontem a dizer que o irmão tinha pescado um robalo de seis quilos, para fazermos um almoço hoje na Praia das Maçãs.

Portanto já estamos a atrapalhar a combinação.

Não, não vou. Alguma vez ia para lá às duas da tarde comer um robalo? Eu nem gosto de peixe. Vou ali ter com os meus amigos. Com esta malta da rádio almoça-se sempre tarde.

Em contraponto, o trabalho aos microfones era solitário?

Principalmente porque a vida era outra. Vivíamos muito de noite. Tinha o programa às quatro da tarde, quando acabava fazia horas até ao jantar com amigos, para combinarmos jantaradas todas as noites, depois íamos para os copos. Chegava a casa às seis da manhã, dormia até às duas da tarde, depois ia para Monsanto correr e ia fazer o programa.

Correr?

Ia todos os dias correr para tirar o álcool. Por isso é que nunca fui um alcoólico. Fiz ginásio até há uns quatro anos, diariamente corria cinco quilómetros, porque fumo bastante. Agora não, já só fumo um maço, mas com as saídas fumava quase dois. Corria como teste para ver se estava bom do coração.

Levava uma vida de roqueiro como as bandas que passava?

Bem, ia ver os concertos lá fora. Com as bandas de cá era diferente. Eles procuravam-me desde o início do programa. Isto foi quando se começou a falar da lei da música portuguesa, que seria obrigatório passarmos determinado tempo de música por hora.

O programa começa em Abril de 1979.

Pois, praticamente um ano depois começou a falar-se disso. Só tinha um disco de música portuguesa, de uma banda que eu gostava, os Go Graal Blues Band. Isto era giro para passar mas a malta estava mais orientada para o programa com as músicas que estávamos a passar. Depois tivemos ajuda dos ouvintes. Começámos com música de 77, 78. Entretanto pedimos contactos com as editoras. Foi quando rebentou a new wave. A Valentim de Carvalho foi sensacional, dava-nos discos. Certos ouvintes iam lá fora passar férias e traziam discos também. Foi o Pedro Fuzeta da Ponte que me trouxe Dire Straits da Suíça.

Guarda esses discos?

Está tudo lá em baixo numa arrecadação. São uns 10 ou 15 mil discos, à vontade. Tenho muita tralha que podia deitar fora, e preciosidades. Tenho os Duran Duran. Quando gravaram o primeiro disco ainda não tinham nome. O David tinha vindo de Inglaterra e foi directamente ter comigo ao programa e deu-me um acetato, a master daquilo. Disse que era uma banda que ia rebentar. E de facto foi. O nome da canção era "Planet Earth" e ainda não tinham nome definitivo. Andei a tocar aquilo duas semanas como "Conjunto sem Nome" [risos]. Tenho a prova de estúdio de gravação do "Start Me Up", dos Stones, antes do álbum aprovado. Tenho várias coisas.

Costuma ir à arrecadação resgatar alguns discos?

Não, deixo-os lá estar. Se vou lá a baixo começa aquilo tudo a cair. Mas como estava a dizer, começou a falar--se na rádio de passar música portuguesa. Com as bandas que estava a passar, Blondie, Dire Straits, Iron Maiden, Judas Priest, não queria nada passar outras. Os portugueses que tínhamos não se encaixavam ali. Não ia pôr Fernando Tordo, Sérgio Godinho, Paulo de Carvalho. Ainda por cima no FM eram muito rigorosos, desde os tempos do Rádio Clube Português só se passava a melhor música. Não era uma onda média. Eu é que devo ter feito uma espécie de onda média no FM porque abanei aquilo tudo.

Chamavam-lhe o Berros.

Fazia um barulho infernal. Ninguém estava habituado. Com o "Rock em Stock" passaram a vender-se mais aparelhos de rádio, mais gira-discos, mais discos. Entretanto, as bandas portuguesas lá iam tocar a um sítio qualquer ao fim-de-semana.

Ia vê-las?

Não, eles vinham entregar-me um papel para eu divulgar no meu programa. Lembro-me de um dia chover torrencialmente e deixaram entrar o Jorge Palma na Comercial, nem sei como. O tipo todo molhado dos pés à cabeça, parecia um pinto, com uma malinha a tiracolo, veio pedir-me para publicitar um concerto que ia dar no sábado. Agarrei no papel, escrito a tinta permanente e com a chuva já não se via nada. Foi o meu primeiro encontro com o Jorge, grande amigo. Eles iam lá e eu pedia-lhes bobines, cassetes. Não tinha pachorra para ir aos concertos. Havia poucos também, depois é que começou a haver tudo. Por isso é que digo que isto foi uma bola de neve, nasceu assim do nada. Ao fim-de-semana queria estar com a família, estava casado há quatro anos, tinha o Rui, que era pequenito. Quem me fazia muita companhia na rádio era o Zé Pedro.

Antes dos Xutos?

Eles tinham o escritório do Kalú defronte da Sampaio Pina, na esquina. O Zé Pedro aparecia-me lá e passava ali as tardes. Contava os postais do programa, atendia-me os telefones. Eles já tinham a banda e eu achava piada porque o gajo aparecia-me todo vestido de cabedal com uns alfinetes. Muito simpático.

Era o seu secretário.

Sim, eu tinha uns dois ou três secretários. Era eu, o Jorge Fallorca, o Rui Morrison, o Jaime Fernandes, o Paulo Coelho, mais tarde o Ricardo Camacho e o Rui Neves, do jazz. Às vezes ia com eles ver um conjunto, mas na altura ainda era muito pobre. Começaram-me a dar gravações e comecei a passar aquilo. As editoras começam a ver que tem sucesso e apostam. O primeiro disco que saiu acho que até foi o dos UHF, o single dos "Cavalos de Corrida", a seguir o Rui Veloso. O Jaime mostrou-me o álbum que saíra em bobine. Escolhi logo a "Rapariguinha do Shopping" para passar. Tocava discos da Valentim, da Polygram. Cheguei a ter um programa em que me levantava ao sábado de manhã para passar rock português das nove às dez no FM da Rádio Comercial, independentemente do "Rock em Stock" durante a semana.

Lembra-se de ter ignorado algum nome que depois explodiu?

[Toca o telefone.] É o Duarte Ramos, do TV Top e Música e Som. Tenho que cuidar desta malta toda, que sempre me ajudou a divulgar o programa nas revistas deles. Só agora, todos velhos, é que temos oportunidade de estar juntos. Bem, mas fui até aos Trovante e ao Júlio Pereira com o cavaquinho, já numa segunda fase. Da "Balada das Sete Saias" só tocava minuto e meio da música, quando arrancavam. Primeiro metia os Jethro Tull, para aquilo aparecer como sequência. Mas não podia passar todas as bandas. Aquelas de que não gostava...

Encaminhava para o "Passeio dos Alegres"...

Era aquela história, "o Júlio Isidro tem um programa na TV, muito mais importante que o nosso, o melhor é irem lá". Lá iam todos contentes. Os músicos que tiveram sucesso no "Rock em Stock" estão hoje todos no activo. Com os Heróis do Mar tive imensos problemas na altura em que lá foram, por causa daquela farda que usavam, estilo Spandau Ballet. Tínhamos saído há poucos anos da Revolução e eles pareciam legionários. Com aquela malta da rádio foi difícil. Tive de ir buscá-los à porta e trazê-los comigo. Era tudo a insultá-los.

Teve chatices com outros casos?

Tenho o caso dos GNR. Fui chamado ao Quartel do Carmo. Queriam saber o nome dos mancebos que andavam a cantar. "Ó homem, isto não tem nada a ver, não são agentes da GNR, isto é um grupo do Porto." Queriam dar-lhes uma porrada. Isto foi quando apareceu o "Portugal na CEE". Tive confusões a dar com um pau.

Com que faixa abriu o programa no primeiro dia?

Foi o "Turn me on", dos Tubes. Abrimos com isso. Depois tínhamos os canais todos abertos. Como lhes parecíamos uma espécie de condado, era com se fosse estreia mundial. Com isto tudo, o programa teve grande aceitação, e isto cresceu. Eram as bandas portuguesas, estrangeiras, os jornais e a televisão apanharam o comboio. Foi uma grande novidade. Cada vez mais concertos. Em 80 houve uma semana que foi de segunda a domingo, sempre a aviar. Para mim o rock português foi uma salvação na altura, para não ter de passar os outros. Tanto que esses outros que não queria passar acabaram por fazer umas coisas. O Sérgio [Godinho] fez o "Já joguei ao boxe, já toquei bateria", o Tordo fez uma rockalhada.

Para ver se se encaixavam.

Sim, lá encaixava uma vez por outra. Ganhei uma grande experiência com os disc jockeys americanos e ingleses. Nessa altura, todos os DJ da rádio vinham de boîtes. Como tinham boa voz lá os levavam para a rádio. Eu vim da Cave Mundial, por baixo do Cinema Mundial. Estive três anos proibido de fazer rádio, tinha vindo da Renascença. Em 69 o João David Nunes apostou em mim. Estava há seis meses a meter discos na Cave Mundial, a substituir o Luís Pires, que tinha conhecido uns anos antes na Renascença.

Já passava o tipo de músicas que veio a passar no programa de rock?

Isso é que é o mais engraçado. Eu tinha os Stranglers, Tom Robinson Band, coisas que tinha em casa. Casa cheia na primeira noite. Toquei a primeira música, toquei a segunda, à terceira foi-se tudo embora. Lá me disseram que ali tinha de ser mais à base do "Saturday Night Fever". "Epá, mas isso é uma bosta", dizia eu. Queriam pôr a minha voz porque era a única discoteca na altura em que o disc jockey tinha microfone e falava, como se fazia lá fora. Ficava um tipo a pôr a música e eu falava. Quando estivesse por dentro da coisa logo passava discos. Hoje até acho piada à música, era o disco sound, os Bee Gees. Passado um mês fiquei sozinho na cabine, com casa cheia todas as noites. Já levavam as mulheres e tudo. Parecia o Casino do Estoril.

Depois de volta à rádio.

Telefonaram-me para voltar à rádio. Fiquei famoso com a história da discoteca. Ao mesmo tempo estava no Ministério do Comércio e Turismo como jornalista no gabinete do Dr. Beja Santos. Fazíamos uns programas para a rádio que era o "Toma lá dá cá", o "Pão Pão Queijo Queijo", que é o início da defesa do consumidor em Portugal. Com a discoteca, a vir às cinco da manhã para casa, comecei a deixar de lá ir. Fui à Rádio Comercial, fiz uma prova, e arrancámos com o programa.

Tinha carta branca?

Expuseram o plano do programa. Era para a malta nova, o FM até aí não tinha intervenção disco a disco, com um programa muito falado. Agarrei essa oportunidade e caí logo na graça da malta. As bandas estrangeiras só me davam entrevistas a mim na altura. Os Supertramp no apogeu vieram cá e eu recusei. O Manuel Neto, que estava no "DN" na altura, furou aquilo e entrevistou-os. Eles falavam pouco. Saíam do aeroporto, iam ao hotel e vinham ao meu programa. Toda a banda estrangeira que viesse a Portugal tinha de vir ao "Rock em Stock" em directo. Hoje fazem uma conferência e pronto.

Que outras bandas recorda?

Quando o Peter Gabriel cá veio o Rui Veloso aparece-me lá com os discos. "Ó Barrita, deixa-me entrar que eu sou fã e quero um autógrafo." O Ian Gillan, dos Deep Purple, os Spandau. Depois ia ao concerto e jantar com eles. E quando ia lá fora visitava-os.

Viam-no como o John Peel português?

Não, nunca me preocupei muito com isso. Se calhar a busca que fazia tinha a ver com isso. O "Rock em Stock" era uma grande superfície, tipo supermercado, onde partíamos de um mínimo de qualidade até não sabermos onde. O segredo estava em encaixar uns Iron Maiden e uns Depeche Mode. Era como se houvesse vários artigos à venda. Foi engraçado. Davam-me discos em primeira mão e mais ninguém tocava aquela música. O António Sérgio era mais alternativo e eu não queria arriscar por aí. E não ouvia rádio nessa altura.

Não ouvia?

Não, tinha tantos discos para ouvir... Às vezes 30 e 40 LP e só conhecia uma música e depois em casa ao fim-de-semana lá descobria músicas mais engraçadas. Permitiu-nos arranjar uma sequência para as três horas que tínhamos de emissão. Tínhamos os tops aos sábados e domingos. Houve anos em que não tive férias. Também era o tipo que mais ganhava. Fui ganhar 14 contos para a Comercial, quando na altura se ganhavam uns oito. Depois os outros começaram a ver a aceitação e passaram a tocar as minhas músicas.

Há uma fase em que termina, depois recomeça com o programa entre 87 e 93.

Pois, houve uma altura em que já não podia sair à rua. Ia à televisão e fiz o "Berros e Bocas", apresentava os discos da semana num programa do Luís Pereira de Sousa. Uma vez estava a almoçar, dois tipos vêm ter comigo e queriam que fizesse um bocadinho do programa para o amigo saber que era mesmo eu. Eram coisas disparatadas. Depois levei o "Rock em Stock" pelas discotecas do país. Lá aparecia um tipo a tocar AC/DC em vez de música de dança.

Aí já não se esvaziava a sala?

Não, estava cheio. Foi pelo país inteiro, de 82 a 87. Do programa fartei-me. Já havia muita pressão das editoras para passar discos, depois inventavam coisas, achavam que estava a dar mais atenção a uns que a outros. Acabei logo com aquilo. Naquele horário puseram a Ana Bola, que era o choque total [risos]. Fui fazer o programa da manhã, que me interessava. Queria apanhar público mais velho.

Qual foi a última música que passou no Rock em Stock?

Foi a mesma com que abri. O "Turn me on" e o hino nacional. Pensei que íamos todos presos.

Passou o hino nacional?

O técnico meteu o hino nacional sem eu saber. Eu acabei a música, despedi-me com um adeus boa tarde e o caneco, e entra o hino nacional, que era uma coisa proibidíssima. Só quando morria alguém. O técnico ria. Mas não tivemos chatices, eles sabiam que éramos doidos. Das bandas lembro-me que o primeiro tipo que entrevistei foi o Richie Havens, tinha o programa um mês. Até 82 foi muito engraçado, mas para mim o período de 87 ainda foi melhor. Depois de 82 fiz o "Café com Leite".

Longe do rock.

Pois, lancei o Fausto, "Por este rio acima", que foi o álbum mais vendido dele. Passava algumas brasileiras, tipo Simone, e música dos anos 60, quando comecei a ouvir música em casa. Começou a loucura dos anos 60. Era a primeira vez que existia um programa de rádio transmitido em onda média e FM, muito mais elitista. Lá segurei as duas camadas, com Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd. Tive sorte. Passado um mês, já que era o Berros, o maluco, pedi o Carlos Ribeiro para trabalhar comigo como repórter. Começámos a fazer pequenos-almoços na rua. Arranjavam-se umas pastelarias e os ouvintes iam lá. Às tantas eram sardinhas e bacalhau às sete da manhã. Foi a maior loucura que houve neste país, muito maior que o "Rock em Stock".

Hoje continua na rádio em Cascais, a 105.4?

Sim, tenho programa ao sábado e domingo de manhã, das dez ao meio-dia, é o Beat Club. Passo música dos anos 50, 60 e 70. O resto da rádio passa a minha música. O meu filho é o director e conhece toda a minha discografia. Ele é que me organizou os tops todos, senão eu mandava aquela papelada toda para o lixo. Aquilo é praticamente nosso. Não recebemos nada. É uma brincadeira que tenho ali. Tenho ajudas de amigos, ainda não temos publicidade, já temos uns 17 mil ouvintes, o que é porreiro para uma rádio local.

Ouvintes do tempo do Rock em Stock?

E malta nova que está a descobrir. Em Cascais, Estoril, até Oeiras, as discotecas só passam música rock. Ali estou à vontade. São famílias de amigos. Quando fiz a primeira festa do "Rock em Stock", há três anos, no Casino do Estoril, aquilo estava cheíssimo e lá fui eu passar discos. Mas nunca fui muito de aparecer, sempre gostei mais de estar atrás do microfone. Sou mesmo assim. Acabava o programa e queria vir para casa.

Ouvia rock em casa?

Isso ouvia, a minha mulher também gosta. Continuo a ouvir e ouço os novos. Estou sempre em contacto com as rádios americanas pelo computador. Despedi- -me da RDP para me dedicar à 105.4. Queria aproveitar os melhores anos da minha vida.

Está curioso em relação à nova série, "Filhos do Rock"?

Contactaram-me e expuseram a ideia. Queriam saber se podia servir de consultor para elaborarem uma história. Vi um bocado dos episódios na apresentação e eu, que digo logo não ao que é português, achei que estava muito bem feito.

É um orgulho saber que um dos personagens é inspirado em si?

Não gosto de dizer que fui eu que lancei isto ou aquilo. Acho que a minha contribuição para o rock foi engraçada. Passava a minha música, fui sempre assim. Se outro tipo tocava uma música qualquer, eu já não a tocava. Depois com o "Ondas Luisianas", à noite, aparecem o Bruce Springsteen, os U2, música mais acessível. Em 87 quando voltei com o "Rock em Stock" meti os Guns"N"Roses, Metallica, Slayer. Tive uma sorte fantástica. Quando os meu programas apareceram houve um boom musical. Sem querer acompanhei-o e fui pioneiro. Era uma barulheira infernal. Apanhei os metaleiros da periferia e as tias de Cascais com o glam rock. Foi bom, pá.

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