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Vasco Graça Moura. Portugal perdeu grande poeta e defensor da língua, diz Maria Teresa Horta

Vasco Graça Moura. Portugal perdeu grande poeta e defensor da língua, diz Maria Teresa Horta

27/04/2014 00:00
Sobre o seu percurso político, Maria Teresa Horta disse que sempre considerou “inexplicável que um homem como o Vasco fosse de direita”

A escritora e poetisa Maria Teresa Horta disse hoje que Portugal perdeu um grande poeta e um defensor da língua portuguesa, com a morte de Vasco Graça Moura.

“Portugal perde um grande poeta, um defensor da língua portuguesa. O Vasco foi dos grandes defensores da pureza da linguagem contra esta mudança que se pretende, este terrível atentado contra a língua portuguesa que é o acordo ortográfico”, disse.

Em declarações à Lusa, a escritora lamentou a morte do seu amigo, afirmando que “os poetas não deviam morrer”.

Sobre o seu percurso político, Maria Teresa Horta disse que sempre considerou “inexplicável que um homem como o Vasco fosse de direita”.

“Para mim era contranatura”, acrescentou.

O escritor e tradutor Vasco Graça Moura, de 72 anos, morreu ao fim da manhã de hoje em Lisboa.

Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor de clássicos, Vasco Graça Moura estreou-se nas letras com "Modo mudando", em 1962. Publicou, entre outros, "A sombra das figuras" (1985), "A furiosa paixão pelo tangível" (1987), "Testamento de VGM" (2001) e "Os nossos tristes assuntos" (2006). Reuniu a “Poesia toda”, em dois volumes num total de mais de mil páginas, em 2012.

Recebeu o Prémio Pessoa e o Prémio Vergílio Ferreira, os prémios de Poesia do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Escritores, que também lhe atribuiu o Grande Prémio de Romance e Novela, entre outras distinções. Em janeiro, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada.

Foi diretor do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, diretor da Fundação Casa de Mateus, presidente da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Em janeiro de 2012, substituiu António Mega Ferreira na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém.

Era uma das vozes mais críticas do acordo ortográfico, do qual reclamou a revisão, numa intervenção no Porto, em maio de 2012, porque entendia que provoca "graves lesões da pronúncia de muitas palavras" e em "nada contribuir para a unidade da ortografia" da língua portuguesa.

Na homenagem que a Fundação Gulbenkian lhe dedicou, não hesitou em afirmar: "A poesia é a minha forma verbal de estar no mundo".

 

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

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