13/12/18
 
 
"Alabardas". O homem continuado

"Alabardas". O homem continuado

29/09/2014 00:00

As 30 páginas que José Saramago deixou escritas fazem a obra inédita e inacabada. Mas não só. Maria Espírito Santo fala-lhe das notas pessoais do escritor e da colaboração de outro prémio Nobel. Tudo para conhecer no novo livro 

 

Ficaram 17 romances, cinco peças para teatro, três livros de contos, outras memórias, poemas, uma mão-cheia de ensaios, livros infantis e de viagens, e ainda crónicas. Mas o vasto legado deixado pelo Nobel da Literatura não previne a inquietação do "e se". E se José Saramago (1922-2010) tivesse tido a oportunidade de assinar outra história, de que trataria? Depois de "Claraboia" (2011), a resposta volta a chegar às livrarias com o título "Alabardas". A obra inacabada do escritor aborda os interesses sujos das grandes empresas e fala da responsabilidade que cabe a cada um.

Artur Paz Semedo é o personagem principal na trama. Trabalha tranquilamente numa fábrica de armamento até um dia ver um filme que o inquieta. A ex-mulher ajuda a acentuar essas preocupações, tanto que Paz Semedo acaba por iniciar a sua própria investigação. As 30 páginas da história que ficou por terminar deixam personagens delineados e um pressuposto bem claro, garantiu Manuel Alberto Valente, da Porto Editora, na apresentação das novidades no início do mês.

O responsável por títulos como "Memorial do Convento" (1982), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995) ou "Caim" (2009) não perde a sua veia mais crítica, focando desta vez a palavra mordaz na política internacional, feita de disfarçados interesses.

As ilustrações a preto e branco ritmam a história concretizada, afinal, por dois prémios Nobel. O escultor, poeta e designer gráfico Günter Grass, que venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1999 - um ano depois de Saramago o ter conseguido -, fez as ilustrações especialmente para a história do escritor português. Ao alemão juntam-se outras vozes para completar o livro, com textos do poeta e ensaísta Fernando Gómez Aguilera e do escritor Roberto Saviano. O primeiro conhece a fundo a literatura de Saramago, tendo publicado vários livros sobre a sua obra; realizou ainda em 2007 uma exposição que viria a passar por Lisboa. O segundo é um jornalista conhecido pelas polémicas reportagens no terreno (recordemos "Gomorra", livro que deu origem ao filme sobre as máfias italianas).

"Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas" é o título original da obra. Foi por questões gráficas e de coerência com a edição espanhola que foi abreviado. A referência é a Gil Vicente, à "Exortação da Guerra". O detalhe é adiantado pelo próprio autor nas notas pessoais também aqui publicadas. Assim vamos seguindo os dias de criação na primeira pessoa, a linha narrativa que José Saramago pretende seguir, mas também as hesitações, as ideias, os receios.

 

Dia 2 de Outubro, quinta-feira, acontece a apresentação mundial do livro no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Estarão presentes o professor António Sampaio da Nóvoa, o juiz Baltasar Garzón e o escritor Roberto Saviano. A apresentação está aberta ao público, mediante levantamento de bilhete no teatro (a partir de dia 1 de Outubro).

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×