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António Vitorino ocupa cargos em 12 empresas

António Vitorino ocupa cargos em 12 empresas

09/03/2015 00:00
António Vitorino tornou-se sócio da empresa Cuatrecasas quando ainda era deputado, em 2005. O seu currículo empresarial rivaliza com o político, o que perturba o objectivo Belém

Dias antes de decidir demitir-se do PS por causa do episódio dos “chineses”, Alfredo Barroso insurgiu-se contra o apoio do PS a uma possível candidatura de António Vitorino a Belém: “É um facilitador de negócios”, escreveu no Facebook. “É o Proença de Carvalho do PS”, afirmou ao i.

A acumulação de António Vitorino de uma uma série de cargos de topo em várias empresas, discriminados na página ao lado, é a sua “menos-valia” numa candidatura presidencial. A separação entre política e negócios não foi apenas o mantra da campanha de António José Seguro nas primárias – propositadamente afirmada para atingir Sócrates e as suspeitas que se avolumavam à volta do ex-primeiro-ministro. Muitos socialistas que votaram no actual secretário-geral, António Costa, não se revêem no currículo de Vitorino para corporizar uma candidatura presidencial apoiada pelo PS.

Neste momento, além de sócio da sociedade de advogados Cuatrecasas (que resultou de uma fusão com a antigo sociedade de André Gonçalves Pereira, António Vitorino é também presidente da Assembleia-Geral da Brisa, auto-estradas de Portugal, presidente do Conselho Fiscal da Siemens Portugal, presidente da mesa da Assembleia Geral da Novabase SPGS, presidente da mesa da Assembleia Geral do Banco Santander Totta, presidente da mesa da Assembleia Geral  da Finpro SPGS, entre outras. O cargo mais recente foi ocupado em Março de 2014, na sequência da privatização dos CTT. Vitorino foi nomeado vogal não executivo do Conselho de Administração dos CTT, para o biénio 2014/2016.

Em 2005, o facto de António Vitorino ser deputado e sócio da empresa Cuatrecasas foi contestado no parlamento. Como relata Gustavo Sampaio no livro “Os facilitadores”, as “duplas funções geraram controvérsia – logo em 2005 – aquando do processo de privatização (ou reestruturação, na medida em que a maior parte do capital da empresa já estava na posse de privados) da Galp. No dia 14 de Setembro de 2005, através de um comunicado, a Galp anunciou a contratação da “Sociedade Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados a que pertence o dr. António Vitorino, para assessoria nas conversações em curso sobre a reestruturação da empresa”. Na realidade, como explica Gustavo Sampaio, a empresa já tinha alterado o nome para Cuatrecasas, na sequência de um processo de fusão com a empresa espanhola.

O PCP questionou no parlamento a escolha de Vitorino pela Galp (ou seja, indirectamente, pelo governo) para assessorar no processo de reestruturação. A comissão de Ética foi chamada a pronunciar-se mas não condenou António Vitorino. Em Outubro de 2005, os deputados da Comissão de Ética consideraram que  “a participação de António Vitorino na sociedade de advogados que representa a Galp é compatível com as suas funções de deputado”. Mas se a comissão de Ética para chegar a este parecer considerou o facto de Vitorino “não ter qualquer quota na sociedade de advogados”, conforme o próprio declarou, na realidade a declaração de rendimentos de Vitorino relativa ao ano de 2005 explicita “uma quota de 6% na Sociedade de Advogados Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados”.

Depois da passagem pelo parlamento entre 2005 e 2007, António Vitorino não voltaria mais à política activa, embora seja regularmente chamado para funções de relevo no PS. Neste momento, é António Vitorino é um dos conselheiros de António Costa, o secretário-geral do PS com quem tem uma relação de grande amizade e que o gostaria de ver em Belém, conforme Costa declarou publicamente. Nas últimas eleições europeias, o então secretário-geral do PS António José Seguro convidou-o para mandatário da lista socialista ao Parlamento Europeu.

Em entrevista a Anabela Mota Ribeiro, publicada no Jornal de Negócios em 2011, a jornalista confronta o político: “O que se diz é que ‘o Vitorino quer ganhar dinheiro cá fora’. O ex-ministro que se demitiu por não ter pago o imposto de sisa, responde: “Em Portugal as pessoas acham que ganhar dinheiro é pecado, há ainda uma costela judaico-cristã muito forte. Quem deu 25 anos da sua vida à causa pública tem alguma autoridade para perguntar o que fizeram pelo país os que atiram essa pedra”. Nova pergunta: “É uma pedra que magoa?”. Resposta: “Não. É censura moral, it’s a fact of life, há que viver com ela”.  

Na entrevista, Vitorino assume que é um “negociador”:  “Sim. A advocacia tem muito a ver com isso, com a necessidade de encontrar plataformas. Do ponto de vista intelectual, é bastante estimulante, é isso que eu gosto na advocacia, é isso que eu encontro na política.”

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