A Câmara de Faro partilhou com mais de 30 entidades os dados pessoais dos organizadores de uma manifestação de apoio à Palestina, que se realiza esta quinta-feira em Faro, denunciou a plataforma cívica Algarve pela Palestina.
“É um erro muito grave porque põe em risco a proteção de dados sensíveis, sobretudo num movimento gravíssimo em que se assiste ao crescimento do ódio”, disse à Lusa uma das organizadoras, Felícia Silva.
O movimento comunicou à autarquia, como é exigido por lei, a realização da concentração através de um ‘e-mail’ assinado por três ativistas, que incluía os nomes completos, os NIF, os números de telemóvel e as moradas de cada um.
“É uma situação grave quando, de forma completamente negligente e displicente, a Câmara remete um ‘e-mail’ a todas estas entidades, copiando o nosso ‘e-mail’ na íntegra para um documento do qual faz um PDF, não retirando os nossos dados”, afirmou Felícia Silva.
Os dados terão sido a partilha com mais de 30 entidades públicas e privadas, desde hotéis, à Diocese e até uma empresa de transportes.
Na sequência da partilha, pelo menos duas das subscritoras da concentração dirigiram um email, em nome pessoal, ao presidente da Câmara de Faro, questionando-o “sobre o fundamento da legitimidade da comunicação” dos seus dados pessoais.
No entanto, até às 15h30, não tinham recebido “qualquer explicação ou pedido de desculpas” por parte da autarquia, referiu Felícia Silva à agência Lusa, adiantando que a ilegalidade vai ser objeto de uma queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados.
“A Câmara tem agora um período de 30 dias para responder. Se não houver resposta, ou se a resposta for de que não há justificação para o sucedido, aí seguir-se-á uma participação à Comissão Nacional de Proteção de Dados”, adiantou.







