O meu zapping televisivo começa no 5


Parece que um deles agora também tem “homens a brincar às mulheres”. À excepção da RTP2, honra lhe seja feita, que passa séries e documentários de qualidade e dá palco aos desportos menos conhecidos, tudo o resto é tirado a papel químico.


A televisão ou os conteúdos televisivos que ela apresenta sofreram diversas mutações ao longo do tempo e eu como já não vou para novo assisti a algumas delas. Se as memórias do início da SIC são vagas, ainda me recordo bem do surgimento da TVI e por aí ficávamos na altura. Aí os canais eram de facto generalistas e ofereciam todo o tipo de programas para todo o tipo de gente. Lembro-me de ficarmos agarrados a grandes séries, de que havia filmes em dias específicos, dos jogos de futebol e de produções nacionais dignas de relevo. Das entrevistas aos episódios juvenis, dos espaços de entretenimento como os “Jogos sem Fronteiras” ou da pedagogia que era feita por exemplo com Vitinho que nos alertava para a hora de ir dormir e que ajudava os pais a explicar aos filhos que se ele já se tinha ido deitar, nós já estávamos a ir para além do limite razoável. Seguíamos preocupados o evoluir das guerras e atentos aos principais acontecimentos nacionais.

Hoje os ditos canais generalistas já não o são. Dirigem-se de manhã e de tarde para idosos, reformados e donas de casa, havendo ainda espaço nas penosas tardes de fim de semana para os azeiteiros que gostam de ouvir músicas que pararam no tempo com roupas e penteados no mínimo de gosto duvidoso e letras assustadoras. Ao cair da noite um pouco de informação, muitas vezes repetindo a que passa o dia inteiro nos canais específicos para o efeito e programas chamados “reality shows” onde gente que nunca fez nada na vida e sem interesse algum cede a sua privacidade em troco de alguns minutos de fama. Parece que um deles agora também tem “homens a brincar às mulheres”. À excepção da RTP2, honra lhe seja feita, que passa séries e documentários de qualidade e dá palco aos desportos menos conhecidos, tudo o resto é tirado a papel químico.

É por isso que o meu zapping começa no 5 e vai por aí fora quando quero saber o que passa no mundo para além dos jornais. Confesso que vejo cada vez menos televisão porque os conteúdos pouco ou nada me acrescentam, só a uso para ver desporto mas sobretudo usando as plataformas de streaming que hoje em dia têm quase o monopólio das séries e filmes mas também os melhores documentários. Acredito que na minha geração este seja o padrão e nas gerações que vêm a seguir ainda mais se acentuará esta tendência. Talvez por isso a publicidade televisiva tenha cada vez mais descontos. Chocou-me ter feito um pedido de orçamento a um canal para espaço publicitário e ele ser enviado com os preços supostamente normais e depois com um desconto de 95% só para não dizerem que aqueles são os preços praticados atualmente.

As televisões privadas têm naturalmente o direito de escolher os seus conteúdos, provavelmente alicerçados por estudos e inquéritos que procuram ir de encontro ao que mais interessa aos consumidores, já da RTP tenho mais dúvidas porque é paga por todos nós e deveria seguir uma estratégia diversificada em vez de competir diretamente com os outros. Ainda assim pergunto-me como será daqui a 10 ou 20 anos quando o público maioritário não se identifica nada com o tipo de televisão apresentado hoje em dia.

O meu zapping televisivo começa no 5


Parece que um deles agora também tem “homens a brincar às mulheres”. À excepção da RTP2, honra lhe seja feita, que passa séries e documentários de qualidade e dá palco aos desportos menos conhecidos, tudo o resto é tirado a papel químico.


A televisão ou os conteúdos televisivos que ela apresenta sofreram diversas mutações ao longo do tempo e eu como já não vou para novo assisti a algumas delas. Se as memórias do início da SIC são vagas, ainda me recordo bem do surgimento da TVI e por aí ficávamos na altura. Aí os canais eram de facto generalistas e ofereciam todo o tipo de programas para todo o tipo de gente. Lembro-me de ficarmos agarrados a grandes séries, de que havia filmes em dias específicos, dos jogos de futebol e de produções nacionais dignas de relevo. Das entrevistas aos episódios juvenis, dos espaços de entretenimento como os “Jogos sem Fronteiras” ou da pedagogia que era feita por exemplo com Vitinho que nos alertava para a hora de ir dormir e que ajudava os pais a explicar aos filhos que se ele já se tinha ido deitar, nós já estávamos a ir para além do limite razoável. Seguíamos preocupados o evoluir das guerras e atentos aos principais acontecimentos nacionais.

Hoje os ditos canais generalistas já não o são. Dirigem-se de manhã e de tarde para idosos, reformados e donas de casa, havendo ainda espaço nas penosas tardes de fim de semana para os azeiteiros que gostam de ouvir músicas que pararam no tempo com roupas e penteados no mínimo de gosto duvidoso e letras assustadoras. Ao cair da noite um pouco de informação, muitas vezes repetindo a que passa o dia inteiro nos canais específicos para o efeito e programas chamados “reality shows” onde gente que nunca fez nada na vida e sem interesse algum cede a sua privacidade em troco de alguns minutos de fama. Parece que um deles agora também tem “homens a brincar às mulheres”. À excepção da RTP2, honra lhe seja feita, que passa séries e documentários de qualidade e dá palco aos desportos menos conhecidos, tudo o resto é tirado a papel químico.

É por isso que o meu zapping começa no 5 e vai por aí fora quando quero saber o que passa no mundo para além dos jornais. Confesso que vejo cada vez menos televisão porque os conteúdos pouco ou nada me acrescentam, só a uso para ver desporto mas sobretudo usando as plataformas de streaming que hoje em dia têm quase o monopólio das séries e filmes mas também os melhores documentários. Acredito que na minha geração este seja o padrão e nas gerações que vêm a seguir ainda mais se acentuará esta tendência. Talvez por isso a publicidade televisiva tenha cada vez mais descontos. Chocou-me ter feito um pedido de orçamento a um canal para espaço publicitário e ele ser enviado com os preços supostamente normais e depois com um desconto de 95% só para não dizerem que aqueles são os preços praticados atualmente.

As televisões privadas têm naturalmente o direito de escolher os seus conteúdos, provavelmente alicerçados por estudos e inquéritos que procuram ir de encontro ao que mais interessa aos consumidores, já da RTP tenho mais dúvidas porque é paga por todos nós e deveria seguir uma estratégia diversificada em vez de competir diretamente com os outros. Ainda assim pergunto-me como será daqui a 10 ou 20 anos quando o público maioritário não se identifica nada com o tipo de televisão apresentado hoje em dia.